Janeiro é tempo das águas. Chove muito e comumente traz problemas para as grandes cidades, onde o escoamento das águas da chuva encontra barreiras que causam enchentes e grandes alagamentos.
Como é sabido, as consequências são desastrosas. No trânsito, verdadeiro caos se implanta. Torna-se impossível a circulação de veículos que formam congestionamentos gigantescos. Muitas casas, especialmente aquelas edificadas em áreas de risco, se tornam piscinas, quando não desmoronam, invadidas pela força de águas implacáveis. É um desafio constante aos técnicos e entendidos. Apesar de seus conhecimentos teóricos, na prática não conseguem superar as dificuldades para a solução definitiva do problema que parece crônico.
A questão se torna insolúvel, porque a comunidade internacional não cria vergonha na cara. Todos sabemos que as alterações climáticas na terra decorrem da poluição ambiental, do desmatamento e de todo outro tipo de agressão ao meio ambiente, atingindo a camada de ozônio. Daí, observamos que as geleiras se derretem e outros fenômenos estranhos. Mesmo assim, governantes de países ricos e influentes, impassíveis, permanecem indiferentes a estes avisos da natureza, continuando a sacrificar vidas humanas no altar dos cifrões e dos “interesses superiores” de senhores poderosos e endinheirados.
É por isso, amigos, que, estupefatos, assistimos catástrofes como aquelas que vitimaram as populações de importantes cidades turísticas do Rio de Janeiro. Nunca, em terras brasileiras, tínhamos visto algo tão assustador!
Na verdade, em nosso país, é bastante comum vermos casas construídas em locais inadequados; esta é uma questão complexa e que envolve um intrincado problema de natureza social. O poder público destas cidades, porém, é diretamente responsável, quando se omite na adoção de providências para impedir que estas edificações ali se tornem triste realidade. Somente depois de catástrofes como estas, em que o governo federal precisa investir fortunas para acudir as vítimas, é que a temática volta à mídia e passa a ser objeto de estudos e debates, em busca de uma solução definitiva. Entretanto, “é melhor prevenir do que remediar”, como ensina a sabedoria de conhecido refrão popular.
É sabido que a ignorância de deveres elementares da cidadania, como a adoção de hábitos causadores da poluição das cidades, seria causa primordial destas consequências tão maléficas. Todo o esforço desenvolvido em campanhas publicitárias parece inútil, tamanha a insensibilidade de algumas pessoas que insistem em atirar lixo nas ruas, indiferentes aos prejuízos à própria comunidade em que vive.
Tudo isto é real e, de fato, os problemas poderiam ser minimizados, se cada um de nós assumisse sua cidadania e responsabilidade, conscientizando-se de que é co-responsável pela poluição da sua cidade! Cada cidadão, independentemente da ação governamental, poderia tornar-se, preventivamente, guardião e sentinela na vigia constante contra quaisquer espécies de poluidores. É necessário denunciar estes malfeitores às autoridades competentes, para aplicação de multas e penalidades cabíveis. Ninguém pode se omitir desse dever, porque pode ser, quem sabe, a próxima vítima!
É impossível evitar os danos e prejuízos provenientes das forças cegas da natureza, que caracterizam a força maior inevitável e inafastável; porém, é imprescindível que, na condição de cidadãos, todos façamos o que estiver ao nosso alcance para afastar o perigo que nos ameaça. É este um importante imperativo de cidadania. Somente assim estaremos evitando a destruição de bens materiais e, não raras vezes, a eliminação de vidas.
Assim como no comovente conto, o pássaro levava, no bico, a gota d´água para tentar apagar o incêndio da floresta em que vivia, vale a pena fazermos a nossa parte, na certeza de que estaremos cumprindo com o nosso dever.
Gustavo Dantas de Melo
Borda, 14 de agosto de 2.011.
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