Introdução

Seja bem-vindo a este “blog”!

O meu objetivo é o de colaborar para a construção de um mundo melhor. Com este intento, pretendo que este espaço seja recheado de pensamentos, poemas, poesias, quadras e textos de minha autoria e de autores diversos.

Espero que a leitura das matérias aqui publicadas lhe tragam descontração e prazer.

Meus dados biográficos:

Gustavo Dantas de Melo, natural de Borda da Mata/MG. Sou filho dos saudosos Agenor de Melo e Maria Dantas de Melo. Casei-me com Maria Jóia de Melo, filha do comerciante Luiz Jóia Orlandi e Maria Delfino Jóia, donos do antigo “Bar do Ponto”, que serviu como o primeiro terminal rodoviário de Borda da Mata. São nossos filhos: Regina Maria (namorado Rafael), Luiz Gustavo (casado com Adriana), Rosana Maria (casada com Darnei) e Renata. Netos, por ordem de chegada: Gabriel, Mariana, Gustavo, Ana Júlia, João Vítor e Ana Luíza.

Advogado, professor secundário e universitário. Promotor de Justiça dos Estados de Minas Gerais e de São Paulo, tendo sido titular das Comarcas de Bueno Brandão/MG, São Luiz do Paraitinga, Cruzeiro, Mogi das Cruzes e São Paulo. Encerrei a carreira ministerial como Procurador de Justiça de São Paulo/SP. Atualmente, exerço a advocacia em Borda da Mata, minha cidade natal e na região do Sul de Minas Gerais.

Autor da obra “Reflexões”, editada pela APMP, em 2001, uma coletânea selecionada de artigos publicados durante o período em que fui diretor chefe do jornal “A Cidade” de Borda da Mata. Em 2009, trouxe à lume minhas “Farpas do Coração”, um livro de memórias, em que registro fatos vivenciados em quase meio século de vida familiar, social e profissional. Ao mesmo tempo, revelo personagens e acontecimentos pitorescos da querida cidade natal, transmitindo, sobretudo, minha experiência ministerial e vivência na cátedra do magistério universitário, ao abordar temas políticos e jurídicos de manifesto interesse nacional.



sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Poemas célebres de uma riqueza incalculável

Instantes
(Jorge Luís Borges)

Se eu pudesse viver novamente a minha vida,
na próxima trataria de cometer mais erros.

Não tentaria ser perfeito; relaxaria mais.

Seria mais tolo ainda do que tenho sido,
na verdade bem poucas coisas levaria a sério.

Seria menos higiênico.

Correria mais riscos, viajaria mais,
contemplaria mais entardeceres,
subiria mais montanhas,
nadaria mais rios.

Iria a mais lugares onde nunca fui,
tomaria mais sorvete e menos lentilha,
teria mais problemas reais
e menos problemas imaginários.

Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata
e produtivamente cada minuto da sua vida;
claro que tive momentos de alegria.

Mas, se pudesse voltar atrás,
trataria de ter somente bons momentos.

Porque, se não sabem, disto é feita a vida:
só de momentos, não percas o agora.

Eu era um desses que nunca iria
a parte alguma sem um termômetro,
uma bolsa de água quente,
um guarda-chuva e um pára-quedas;
se voltasse a viver, viajaria mais leve.

Se eu pudesse voltar a viver,
começaria a andar descalço
no começo da primavera e
continuaria assim até o fim do outono.

Daria mais voltas na minha rua,
contemplaria mais amanheceres
e brincaria mais com crianças,
se tivesse outra vez a vida pela frente.

Mas, já viram, tenho 85 anos
e sei que estou morrendo...

O êxito começa com a vontade
(Claude Bernard)

Se pensas que estás vencido, estás;
se pensas que não te atreves, não o farás;
se pensas que te agradaria ganhar,
mas que não podes, não o realizarás;
se pensas que perderás, já perdeste;
porque no mundo descobrirás
que o sucesso começa com a vontade do homem.

Tudo se encontra no estado mental,
porque muitas corridas têm-se perdido,
antes sequer de haver ocorrido;
e muitos covardes têm fracassado,
antes de ter o seu trabalho começado.

Pensa grande e teus feitos crescerão;
pensa pequeno e ficarás atrás;
pensa que podes e poderás;
tudo está no estado mental.

Se pensas que estás em vantagem, estás;
tens que pensar bem para te elevares.

Tens que estar seguro de ti mesmo,
antes de tentar ganhar um prêmio;
a batalha da vida nem sempre a ganha
o homem mais forte ou o mais ligeiro;
porque, cedo ou tarde,
o homem que ganha
é aquele que acredita poder fazê-lo.

As pegadas na areia”
(Roger Patrón Luján)

Uma noite sonhei que caminhava
com o Senhor sobre a areia da praia
e, através do firmamento,
projetavam-se cenas da minha vida.

Em cada cena, via dois pares de
pegada na areia: um era meu
e o outro do Senhor.

Quando a última cena de minha vida
surgiu ante meus olhos, olhei para trás
para ver as pegadas sobre a areia
e notei que, várias vezes,
ao longo do caminho de minha vida,
hava somente um par de pegadas.

Notei também que isso ocorria
durante a época mais triste de minha vida.
Realmente senti-me incomodado
e perguntei ao Senhor:
        - Senhor, Tu me disseste que,
uma vez que eu tivesse decidido
seguir-Te, caminharias ao meu lado
por todo o caminho.
Mas observei que, durante a época
mais difícil de minha vida,
existia somente um par de pegadas.
Não compreendo por que,
precisamente quando mais Te necessitava,
me abandonaste?

O Senhor me respondeu:
       - Filho amado, eu te quero muito
e nunca, nunca te abandonaria!
Nos tempos de prova e de dor,
quando tu vias somente um par de pegadas,
era porque te levava em meus braços...

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

"A verdade pode até doer, mas é a realidade"

                            Pobreza
                    (Frank Crane)

       Outro dia, encontrei-me com um indivíduo desses que abundam: “Um pobre homem rico!”

       É dono de várias fazendas, de bônus e ações de várias companhias e de uma suculenta conta corrente no banco.

        Mas é pobre! Leva em sua mente a essência da pobreza, porque sempre teme gastar uns centavos, suspeita de todo mundo, preocupa-se em demasia com o que tem e lhe parece pouco.

        "A pobreza não é carência de coisas: é um estado de ânimo".

        Não são ricos os que têm tudo em abundância. “Só se é rico, quando o dinheiro não nos preocupa”. Se tens dois cruzeiros e te lamentas por não ter mais, és mais rico do que aquele que tem dois milhões e não pode dormir porque não tem quatro.

        “Pobreza não é carência; é a pressão da carência”. A pobreza está na mente, não no bolso.

       “O Pobre Homem Rico” angustia-se pela conta do armazém de comestíveis que é muito alta, porque o gelo custa muito, porque consome eletricidade e gás. Sempre está procurando o modo de diminuir o salário dos empregados. Dói-lhe que sua mulher lhe peça dinheiro; angustia-se pelo gasto de seus filhos.

         Os pedidos de aumento de salário de seus empregados lhe ardem mais que um cáustico. Enfim, tem os sintomas e inconvenientes da pobreza que sofre sua lavadeira. E, além do mais, que diferença existe entre ele e um mendigo?
        A única finalidade do dinheiro é proporcionar comodidade, afastar temores, permitir uma vida de liberdade espiritual. Se tu não desfrutas dessas vantagens, tenhas quanto tenhas, és “um Pobre Homem Rico”.

         Mas se podes experimentar essa sensação de liberdade, essa confiança no amanhã, essa idéia de abundância que se diz proporcionar o dinheiro, serás rico mesmo que sejas pobre.

         Pensa nisto: se queres ser rico, sê: é mais fácil que fazer-se rico... Tenta!

        “O dinheiro em si não significa nada. Seu verdadeiro valor reside no que com ele possamos realizar em favor dos demais e de nós mesmos. Essa é, ao nosso ver, a dupla e autêntica finalidade do dinheiro.”


        OBS: Este texto, de extraordinária beleza e verdade, me faz recordar o pensamento sempre lembrado por meu querido mano, Agenor de Mello Filho, um dos meus melhores amigos:

        “Caixão não tem gaveta...
        
                             “Cantá
        (Belo poema caipira de Gildes Bezerra)

Cantá seja como fô!
Se a dô fô mais grande que o peito,
Cantá bem mais forte que a dô.
Cantá por mó da alegria,
tamém por mó da tristeza;
cantano que a natureza
ensina os home a cantá.
Cantá sentino sodade
que deixa as marca nas venta,
de arguém que o zóio num vê,
mais o coração inda incherga...
Cantá coieno as coieta,
ô que nem bigorna no maio,
que canto bom de escuitá
é o som da manhã de trabaio.
Cantá como quem dinuncia
a pió injustiça da vida:
A fome e as panela vazia,
nos lar que num tem mais cumida.
Cantá nossa vida e a roça,
na quar germina a semente,
as que dão fruta na terra,
as que dão fruto na gente...
Cantá as cabocla com jeito,
com viola e catigoria,
e se elas cantá no seu peito,
num tem cantá que alivia!
Cantá pra mode dispertá
um amô que bate e consola,
pontiano, dentro da gente,
um coração de viola...
Cantá com muitos amigo,
que a vida canta mió,
é im bando que os passarinho
canta no disperta o sol!
Canta, cantá sempre mais
de tarde, de noite e di dia;
cantá, cantá, que a paiz
carece de mais cantoria...
Cantá seja lá como fô!
Se a dô fô mais grande que o peito,
cantá bem mais forte que a dô...

         OBS: Este poema sentimental faz lembrar
a verdade do pensamento:
           “Quem canta os males espanta!”

          Para finalizar, deliciem-se com esta singela quadrinha:

Ouve-se como verdade,
Que o tempo passa veloz,
Mas quem passa, em realidade,
Não é ele, somos nós! …
(Autor ignorado)"

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

"A beleza dos poemas"

              “Oração de um pai
              (Douglas McArthur)

Dá-me, Senhor, um filho que seja forte
o bastante para saber quando é fraco,
e valente o bastante para enfrentar-se
a si mesmo quando sentir medo.

Um filho que seja orgulhoso
e inflexível na derrota,
humilde e magnânimo na vitória.

Dá-me um filho que nunca se curve
quando deve erguer o peito,
um filho que saiba conhecer-te a Ti,
e conhecer-se a si mesmo,
que é a pedra fundamental
de todo conhecimento.

Conduze-o não pelo caminho cômodo
e fácil, mas pelo caminho áspero,
atormentado pelas dificuldades
e os desafios e, aí, deixa-o aprender
sustentar-se firme na tempestade,
e a sentir compaixão pelos que falham.

Dá-me um filho cujo coração seja claro,
cujos ideais sejam altos,
um filho que domine a si mesmo,
antes que pretenda dominar os demais;
um filho que aprenda a rir,
mas também a chorar;
um filho que avance em direção ao futuro,
mas que nunca se esqueça do passado.

E depois que lhe tiveres dado tudo isso,
adiciona-lhe, suplico-te,
suficiente senso de humor,
de modo que possa ser sempre sério,
mas que não tome a si mesmo
demasiadamente a sério.

Dá-lhe humildade,
para que possa recordar sempre
a simplicidade da verdadeira grandeza,
a imparcialidade da verdadeira sabedoria,
e a mansidão da verdadeira força.
Então, eu, seu pai, me atreverei a murmurar:
NÃO TENHO VIVIDO EM VÃO.”
                       “Sabedoria”
     (Inscrição nas ruínas de Persépolis)

Nunca digas tudo o que sabes;
nunca faça tudo o que podes;
nunca acredites em tudo o que ouves;
nunca gastes tudo o que tens.

Porque quem diz tudo o que sabe,
faz tudo o que pode,
gasta tudo o que tem,
e acredita em tudo o que ouve,

um dia dirá o que não deve,
fará o que não sabe,
julgará o que não vê,
e gastará o que não tem.

         “Em vida, irmão, em vida”
               (Ana Maria Rabatté)

Se queres fazer feliz,
alguém que queres muito,
dize-o hoje, sê muito bom,
em vida, irmão, em vida...

Se desejas dar uma flor,
não esperes que morra,
manda-a hoje com amor,
em vida, imão, em vida...

Se desejas dizer: “Te quero
às pessoas de tua casa,
ao amigo de perto ou de longe,
em vida, irmão, em vida...

Não espere que morram
as pessoas para querê-las,
e para fazê-las sentir teu afeto,
em vida, irmão, em vida...

Serás muito, muito feliz,
se aprenderes a fazer felizes
todos os que conheces,
em vida, irmão, em vida...

Nunca visites cemitérios,
nem enches túmulos de flores,
enche de amor corações,
em vida, irmão, em vida...


Rio Mandu pede Socorro”
  (Antonio Policarpo dos Santos Brandani,
   nosso cantor e violonista Poli Brandani)

Rio Mandu, Manduzinho,
Pede socorro! Sua água tá no fim.
Água é vida, nosso bem mais precioso,
rio generoso, vai viver pra sempre em mim.

Desde menino já brincava em suas águas,
a criançada ia nadar no pontilhão,
lá no poção seu leito era de abundância,
doce lembrança que ficou no coração...
O pescador tinha motivo pra sorrir,
o peixe à mesa era certeza por aqui,
tinha dourado, piaba, bagre e mandi,
curimbatá, tabarana e lambari.

Desde a nascente o rio escolhe a direção
E o homem escolhe o rumo da destruição,
modificando cursos d'água sem prever
que, no futuro, não terá água pra beber...

Seus afluentes já morreram, há muitos anos,
o amoreiras o lava-pés e outros mais,
só servem agora pra levar nossos detritos,
poluindo o Rio Mandu cada vez mais...

Velho Mandu, agonizando, segue em frente
e sua gente nem percebe a judiação...
Se o rio morre, morre planta, bicho e gente,
morre um presente de Deus Pai da criação.

           Prezado amigo Poli

           Parabéns pelos versos em defesa do nosso querido Rio Mandu! Ele foi cenário de muitas horas felizes do nosso lazer, nos bons tempos da adolescência.
           Dá pena tamanha crueldade com a natureza! O seu brado e alerta, Poli, é oportuno e está em perfeita sintonia com os objetivos deste "blog".
          Agradeço-lhe e conto com sua colaboração, pois sei de sua paixão por poesias e pensamentos. Aguardo aqueles que tem na memória e as preciosidades de poetas consagrados que mantem bem guardadas.
            O seu material ser-me-á de extrema valia para atingir a meta a que me propus de “luta por um mundo melhor”.
             Gustavo Dantas de Melo

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Textos e pensamentos de rara beleza

                                "Deficiente"
                          (Mário Quintana)
(escritor gaúcho - 30/07/1906 a 05/05/1994)
       DEFICIENTE é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.

        LOUCO é quem não procura ser feliz com o que possui.

       CEGO é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria e só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores.

        SURDO é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão, pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês.

        MUDO é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.

       PARALÍTICO é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda.

        DIABÉTICO é quem não consegue ser doce.

        ANÃO é quem não sabe deixar o amor crescer.

      E, finalmente, a pior das deficiências é ser MISERÁVEL, pois “MISERÁVEIS” são todos os que não conseguem falar com Deus.

                          “Parábola da educação
                             (William Cunningham)

         Um homem ia caminhando pelo deserto, quando ouviu uma voz que lhe disse:

        “Pega umas pedras, coloca-as no teu bolso e amanhã sentirás ao mesmo tempo tristeza e alegria.

         Aquele homem obedeceu. Inclinou-se, recolheu um punhado de pedras e as colocou no bolso.

         Na manhã seguinte,viu que as pedras haviam se convertido em diamantes, rubis e esmeraldas.

           E sentiu-se feliz e triste.

         Feliz, por ter recolhido as pedras; triste por não ter recolhido mais.

         O mesmo ocorre com a educação.

 
              “Mais pensamentos para reflexão”

          “O que me incomoda não é que tenhas mentido e sim, que, daqui em diante, já não poderei acreditar em ti.”

          "Não existe maior pobreza do que a solidão.” (Madre Tereza de Calcutá)

          "Não concordo com o que dizes, mas até com a minha vida defenderei o direito que tens de dizer o que pensas." (Voltaire)

        “Amar alguém para torná-lo diferente significa assassiná-lo.” (Igor Caruso).

        “A vida nos revela a verdade; a verdade nos ilumina o caminho; o caminho nos conduz ao amor e o amor nos faz viver” (Stephan Morelli)

         “Eu preciso de poucas coisas e as poucas de que necessito, necessito pouco.” (São Francisco de Assis)

        “A vida nos entrega um livro em branco. O que nele escrevemos é da nossa própria inspiração. Podemos escrevê-lo com as cores do arco-íris da felicidade ou com o cinza da amargura e da tristeza O enredo depende de cada um de nós, de nossa própria história.” (Autor desconhecido)

          “Um amigo é um irmão que elegemos.” (Francisco José Droz)

         “Se choras por ter perdido o sol, as lágrimas te impedirão de ver as estrelas.” (Autor desconhecido)

         Pensar na dor que quiçá possa vir é eterno sofrer” (Fernando Martinez Cortês)

          “Trabalho pesado é, em regra, o acúmulo de tarefas leves que não se fizeram a tempo” (Rudyard Kipling)

          “Quase não existe coisa impossível para quem sabe trabalhar e esperar” (Fenelon)

        “Vive como no momento de morrer quiseras ter vivido.” (Confúcio)

domingo, 7 de agosto de 2011

União política é mera utopia?

 Pronunciamento em 2003 na Festa em Homenagem aos ex-prefeitos de Borda da Mata/MG
Na noite de 31 de outubro de 2.003, nos salões do Clube Literário e Recreativo, por gentil convite do Dr. José Carlos de Oliveira, então ocupando a presidência da Câmara Municipal de Borda da Mata/MG, tive a honrosa incumbência de saudar os ex-prefeitos de nosso município. A missão, embora difícil, me foi extremamente grata, porquanto foi a grande oportunidade de agradecer a esses notáveis cidadãos pelo muito que fizeram por nossa terra.
Por outro lado, foi também a ocasião propícia para manifestar o meu apreço pelas instituições democráticas e enfatizar a necessidade da união das forças políticas em torno dos interesses superiores de Borda da Mata.
A pluralidade de partidos é benéfica e exercita a beleza da Democracia. A presidência da Câmara e seus nobres pares daquela época merecem parabéns por tão brilhante iniciativa. O resultado foi excelente e aquela noite, de trégua e paz. Demonstrou ela ser possível a harmoniosa convivência de adversários políticos, que se respeitam e que podem ser amigos, porque unidos na batalha por um mesmo ideal.
Eis a íntegra de meu pronunciamento, que, prazerosamente, levo a público, neste “blog”, para conhecimento dos seus dignos leitores.
         “Nesta noite, Senhoras e Senhores, vivemos a FESTA DA DEMOCRACIA. Quero parabenizar o Dr. José Carlos de Oliveira, Digno Presidente da Egrégia Câmara e seus dignos pares pela feliz e oportuna idéia de homenagear os ex-prefeitos de nossa querida Borda da Mata. Esse gesto tem um significado muito especial. É o carinho, a gratidão que todos nós bordamatenses devemos àqueles que, dignificando seus mandatos, ajudaram a construir a grandeza de nosso município.
Vemos aqui cidadãos dos mais diversos partidos políticos, irmanados num mesmo sentimento. Isto é saborear a Democracia, o regime político em que o poder emana do povo e, em seu nome, é exercido. Isso é respirar Democracia, a presença do pluripartidarismo, homens de mente aberta ao diálogo, ao respeito e a compreensão de que todos somos livres, para seguir o caminho que cada um entende o melhor para atingir o objetivo desejado. Caminhos e ideologias diferentes, mas que buscam igualmente conseguir o bem comum da sociedade. Eis aí a finalidade principal da ação política e o ponto de convergência, o elo de união de todos os prefeitos bordamatenses: o bem comum do povo de Borda da Mata.
A noite de hoje nos sensibiliza profundamente. A emoção toma conta do mais recôndito de nossos corações, trazendo-nos as mais caras lembranças de momentos vividos em nossa amada terra. Cidade idolatrada que nos viu crescer e a recíproca é verdadeira. Recordamo-nos de nossa infância e adolescência e aí encontramos a Borda simples, sem calçamento, em cujas ruas e praças, pés descalços, jogávamos futebol, vôlei e tantos outros esportes e brincadeiras, inclusive nos famosos quatro cantos do jardim.
Pouco e pouco, cada prefeito que assumia os destinos da cidade, deixava a marca do seu trabalho, zelando pela saúde e bem estar de seu povo. Destacamos a água de qualidade, cristalina, de nossos mananciais, água pura que fez inveja às cidades vizinhas, por longos anos.
         Depois, eis que chega o estudo de qualidade trazido pelo Colégio Nossa Senhora do Carmo, o calçamento das principais ruas e praças e o esforço pela abertura e melhoria das estradas rurais.
        Mais um pouco, as praças se embelezam pelo plantio de árvores e palmeiras que iriam emoldurar o verdadeiro cartão de visita, em que um dia tornar-se-ia o centro de nossa querida Borda da Mata. Uma paisagem belíssima em topografia privilegiada de espaçosas praças, paraíso de rosas perfumadas e árvores frondosas, dividido pela majestosa Igreja Matriz de Nossa Senhora do Carmo, símbolo da fé extraordinária de um povo cristão e acolhedor.
Mais tarde, tornou-se possível respeitar os direitos dos servidores e funcionários públicos municipais que passaram a ganhar o teto mínimo assegurado por lei; o posto de saúde é inaugurado; prédios públicos, como Prefeitura e Câmara se erguem; chegam mais estabelecimentos bancários; nasce o Lar Irmã Maria Augusta Hospital Geriátrico; novas estradas são abertas, cortando o município e o Estado; mais escolas, ginásios e energia elétrica nos distritos, inclusive; é construído o Estádio Municipal Waldir de Melo, sonho de tantas gerações de esportistas; depois, a chegada do Terminal Rodoviário; Creche Madre Tereza de Saldanha; Poliesportivo Municipal; Escola Estadual Lauro Afonso Megale (EELAM); Policlínica Municipal; APAE; Guarda Mirim Irmã Martha; novo Fórum Mário Matins; asfalto; avenidas; COPASA; novos centros de Saúde; plano de saúde da família, dentre tantas outras realizações.
Como se percebe, o progresso de Borda da Mata, a melhoria dos órgãos de imprensa (“Tribuna Popular” e Jornal “A Cidade”), o florescimento de seu parque industrial de pijamas, tapetes e malharias; as construções erguidas em seus inúmeros bairros. Toda essa obra não é fruto do trabalho isolado de um homem, mas o resultado do esforço conjunto dos filhos desta abençoada cidade.
É evidente que todos os prefeitos, dentro dos recursos disponíveis nos orçamentos de seus governos e contando com a ajuda de deputados e governadores amigos, cada um deixou a sua marca, colocou o seu tijolo na obra comum de construção da cidade que tanto amamos.
         Eis aí, Senhoras e Senhores, a razão de nosso aplauso e reconhecimento por tudo o que os ex-prefeitos fizeram pelo nosso município.
        Parabéns, uma vez mais, à Egrégia Câmara Municipal, pela felicíssima iniciativa.
       Tenham absoluta certeza de que, assim agindo e homenageando tão beneméritos cidadãos, interpretaram, magnificamente, os sentimentos de todo o povo bordamatense.
Disse-o.
Borda da Mata, 31 de outubro de 2003."

"União política é mera utopia?"

         Muitos dizem ser a política “uma sujeira”, desencantados pela corrupção nacional, escancarada na mídia nestes últimos anos. De fato, é triste mas verdadeira esta constatação: para muitos o seu deus é o cifrão (R$). Fazem da política um meio de vida e de promoção individual.
         A política, ao contrário da “roubalheira”, é a arte de promoção do bem comum. É limpo e belo o ideal daqueles que buscam o poder público, com a finalidade de servir e trazer para todos o bem estar, a educação, o trabalho, a saúde, a segurança, a paz e a felicidade. Daqueles que, com dignidade, desejam assegurar ao povo todos os seus legítimos direitos e garantias individuais proclamados em nossa Lei Magna.
        Para atingir este objetivo maior, os partidos bem que poderiam se unir e criar uma Frente, em todos os níveis da vida política, seja federal, estadual ou municipal.
        Não acham que seria melhor a eliminação de tantos gastos que fomenta a corrupção eleitoral? Não seria preferível reduzi-los exclusivamente à propaganda eleitoral pelos meios de comunicação social?
        Cidades como a nossa amada Borda da Mata para exemplificar, poderiam escolher bem e, pelo mérito, os seus melhores representantes para deputados federal e estadual. Deles não seria cobrado nenhum centavo. Seria cobrado o apoio incondicional ao município. Assim, ficariam os eleitos com uma dívida de gratidão e não a revolta pela necessidade de aliciar chefes políticos para compra dos votos buscados. Este tipo de contrato criminoso acaba sendo a raiz de todos os males que alimenta e faz o dinheiro público escoar pelo ralo da corrupção.
        Sonho com este estágio de evolução da vida política em todo o nosso país. Todavia, acredito que ainda vai fluir muito tempo para atingirmos esta maturidade. A longo prazo, o futuro vai evidenciar a necessidade de mudança de costumes rançosos e ilícitos. Por ora, a idéia parece mera “UTOPIA”, o que muitos devem estar pensando.
         Sabem, amigos leitores, por que não há união política?
         - Porque iria contrariar os interesses daqueles que fazem dela meio de vida. Daqueles que se servem do poder para se enriquecer, engordar suas contas bancárias. E estou falando também de certos “cabos eleitorais” que aproveitam a ocasião, para extorquir dinheiro em época de eleições. Todos estes serão, sem qualquer dúvida, ferrenhos opositores a esta idéia.
         Sonhar, no entanto, faz bem e nada custa! Fica aqui esta mensagem de união e paz, em perfeita harmonia e adequação com o objetivo maior deste “blog”: “a promoção de um mundo melhor”.
         Borda da Mata, 07 de agosto de 2.011.
         Gustavo Dantas de Melo

sábado, 6 de agosto de 2011

Pais e filhos: amor incondicional.

                     “Teus filhos não são teus filhos
                              (Gibran Khalil Gibran)

Teus filhos não são teus filhos
São filhos da vida
desejosa de si mesma.

Não vêm de ti, mas através de ti
e, mesmo que estejam contigo,
não te pertencem.

Podes dar-lhes teu amor,
mas não teus sentimentos,
pois eles têm seus próprios sentimentos!

Deves abrigar seus corpos,
mas não suas almas,
porque elas vivem na casa do amanhã,
que não podes visitar nem sequer em sonhos!

Podes esforçar-te em ser como eles,
mas não procures fazê-los semelhantes a ti,
porque a vida não retrocede,
nem se detém no ontem.

Tu és o arco do qual teus filhos,
como flechas vivas, são lançados.

Deixa que a inclinação em tua mão de arqueiro
seja para a felicidade...

                            “O que pensa um filho do pai
                              (Roger Patrón Luján)

Aos sete anos:
Papai é um sábio; sabe tudo.”

Aos catorze anos:
Parece-me que papai se engana
em algumas coisas que diz.

Aos vinte anos:
Papai está um pouco atrasado em suas teorias:
não é desta época!”

Aos vinte e cinco anos:
O velho nada sabe...
está decididamente caducando.

Aos trinta e cinco anos:
Com minha experiência,
meu pai, com esta idade, teria sido milionário.

Aos quarenta e cinco anos:
Não sei se falo sobre este assunto com o velho;
talvez possa aconselhar-me.

Aos cinqüenta e cinco anos:
Que pena que meu velho já tenha morrido!
A verdade é que tinha umas idéias
e uma clarividência notáveis.

Aos sessenta anos:
Pobre papai, era um sábio!
Que pena que eu o tenha compreendido tão tarde!

                                “Aos meus pais”
                                 (Rodney Collin)
Não me dês tudo o que te pedir;
às vezes eu só peço para ver o quanto posso obter.

Não me dês sempre ordens;
se ao invés de ordens, às vezes me pedisses as coisas,
eu as faria mais rápido e com mais prazer.

Cumpre as promessas boas ou más;
se me prometes um prêmio, dê-mo,
mas também um castigo, se o merecer...

Não me compares com ninguém,
especialmente com meu irmão ou irmã,
se tu me fazes parecer pior que os demais,
então serei eu que sofrerei.

Não corrijas minhas faltas diante de ninguém;
ensina-me a melhorar, quando estivermos a sós!

Não grites comigo!
Respeito-te menos quando o fazes
e me ensinas também a gritar,
e não quero fazê-lo.

Deixa-me valer por mim mesmo;
se tu fazes tudo por mim, nunca aprenderei!

Não digas mentiras na minha frente,
nem me peças que as diga por ti,
mesmo que seja para tirar-e de um apuro;
fazes-me sentir mal e perder a fé no que dizes.

Quando eu faço algo mau,
não me exijas que te diga o porquê;
às vezes nem mesmo eu o sei.

Quando estiveres enganado em algo,
admite-o e crescerá a opinião que tenho de ti
e assim me ensinarás a admitir meus enganos.

Trata-me com a mesma amabilidade e cordialidade
com que tratas teus amigos; ainda que sejamos
família, podemos ser amigos também.

Não me digas que faça uma coisa que tu não fazes;
eu aprenderei e farei sempre o que tu fizeres,
mesmo que não o digas, mas nunca o que dizes e não fazes.

Ensina-me a conhecer e a amar a Deus;
mas de nada vale, se vejo que tu nem o conheces e nem o amas.

Quando contar um problema meu, não me digas:
Não tenho tempo para bobeiras” ou “isso não tem importância”.

Trata de compreender-me e ajudar-me.
E queira-me muito e dize-o;
agrada-me ouvir-te dizê-lo,
mesmo que não o aches necessário..

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A palavra está em crise

      Em setembro de 2001, tive o prazer de editar, através do Departamento de Publicações da Associação Paulista do Ministério Público, o meu primeiro livro “Reflexões”. A minha alegria foi muito grande em receber amigos e parentes, em noite festiva realizada no Clube Literário e Recreativo de Borda da Mata/MG.
      Em sua apresentação, esclareci que aquela obra era composta de crônicas selecionadas que havia publicado no jornal “A Cidade”, durante os 06 anos em que fui seu diretor. Esta “experiência me foi extremamente rica e gratificante”, salientei.
    Neste “blog”, estou aguardando o material para aqui editar também minhas “Reflexões”, a exemplo do meu segundo livro, “Farpas do Coração” e o terceiro (ainda inédito) “Curso de Formação Mapa do Tesouro da Vida”, uma síntese do trabalho desenvolvido pela Guarda Mirim Irmã Martha, já disponibilizados aos meus diletos amigos leitores.
      Peço vênia para publicar uma das crônicas das minhas “Reflexões”, para amostragem deste trabalho que tanta satisfação me touxe, na concretização de um velho sonho. Amo escrever, o meu “rob” predileto, desde a mocidade.
      Finalmente, quero agradecer pela excelente acolhida ao meu “blog”, o que me vale como precioso estímulo. Sem vocês, sem o seu interesse, o meu esforço não compensaria.
      Muito obrigado!

                   “A palavra está em crise”

                    Gustavo Dantas de Melo
(Publicado na edição de 30/10/1.995 do jornal “A Cidade” e página 25 de “Reflexões”/2001)

      Minha geração teve a felicidade de conhecer uma época diferente dos dias de hoje. Os negócios eram sacramentados com um simples aperto de mão. As pessoas tinham vergonha na cara. A palavra de um homem de bem era uma escritura. Merecia crédito e absoluta confiança. Promessa era dívida. Fio de barba era documento. Ninguém faltava a encontro marcado, ao trabalho ajustado e, se algum motivo de força maior o impedisse, mandava recado que justificasse a involuntária ausência.
      Infelizmente, os tempos mudaram. A coisa agora é bem diferente. “Vou ver isso hoje” pode significar que, decorrido um mês “tudo estará na mesma”. “Pode contar comigo” muitas vezes quer dizer: “espera sentado, senão você cansa”.
      Até documento parece inútil. Não se preza mais o nome e a reputação moral. Enfim, a palavra está em séria crise. Crise de vergonha e de responsabilidade.
      É preferível um “NÃO” sincero a um “SIM” com falsidade. Nada mais desagradável do que se contar com alguém que, a última hora, foge ao compromisso assumido. Os de estopim curto vão logo soltando os cachorros em cima do tratante. Com razão, porque os mais calmos bem que gostariam de explodir a sua ira, mas acabam “engolindo sapo”.
      O que será que anda acontecendo? Será que os homens perderam a consciência do valor da palavra empenhada? Um homem sem palavra perde a sua dignidade. Ninguém mais dar-lhe-á crédito, pois quem poderá confiar no que diz? Ainda que, depois, venha a falar a verdade, será recebida como mentira. Sua promessa, então, soará sempre falsa. Nada mais triste e desolador para um homem do que perceber e constatar que sua palavra não tem mais valor algum!
      Como, “não há bem que sempre dure, nem mal que não se acabe”, fico torcendo para que, na corrida do tempo, um dia volte a época em que a palavra valia uma escritura.
      Oxalá isso aconteça logo, pois chega de safadeza e hipocrisia!
      Borda da Mata, 10 de outubro de 1.995.