Com a chegada em nossa cidade do novo pároco, então Padre Pedro Samuel Gonçalves Cintra, de saudosa memória, um fato concentrou todo o esforço da comunidade paroquial. Foi a construção da nova Igreja Matriz da Padroeira Nossa Senhora do Carmo, um projeto arrojado no estilo romano lombardo, que o valente sacerdote decidiu enfrentar, tendo como construtor Mário Gissoni, como chefe de obras, José Firmo Wernech e verdadeiras obras de arte esculpidas pelas mãos do artista Celestino Artigas.
A edificação era deveras monumental e parecia impossível para uma cidade pequena como Borda da Mata. Mas acabou sendo lançada a pedra fundamental, por ocasião da festa da padroeira, em 16 de julho de 1.951, com a presença de Dom Otávio Chagas de Miranda, então Bispo da Diocese de Pouso Alegre, conforme registrou o amigo e conterrâneo, João Bertolaccini, em seu precioso livro “Borda da Mata e sua História”, na página 128.
O arrojado projeto tornou necessária a união de todo o povo católico, que demonstrou sua fé e despojamento dos bens materiais. Com certeza, todos os membros das comunidades do centro, bairros e distritos participaram, com entusiasmo, dessa campanha memorável. Meu pai, nessa época, nos dizia que precisava trabalhar, “meio a meio”, ou seja, metade para sustentar nossa casa e metade para auxiliar na construção da Igreja. O mesmo deve ter acontecido com as outras famílias católicas bordamatenses.
Defronte a casa de meus pais, na atual Praça Monsenhor Cintra, foram montadas barracas e várias diversões para uma grande quermesse. Tiro ao alvo, bolas ao alvo, barquinhas, casa do coelhinho, barraca bar e uma aparelhagem de som, sob o comando do meu primo e locutor, Almir Ribeiro, eram algumas das atrações dessas noitadas.
Como eram lindas as músicas tocadas no alto falante da quermesse, graças ao bom gosto do saudoso Almir! Como eram divertidos os oferecimentos que fazíamos às namoradas e, muitas vezes, de forma anônima para provocar a reconciliação de alguns casais de namorados que estavam brigados! E os bilhetinhos que rolavam na quermesse, pelo “correio elegante”, também era uma forma de comunicação extraordinária e muito agradável!
Em todos os fins de semana, as comissões formadas trabalhavam e o povo comparecia em massa, prestigiando os eventos. Quem promovia hoje, trazia seus convidados; amanhã, era também convidado e não podia faltar. Por essa razão, em apenas 07 anos, após a bênção de sua pedra fundamental, em 16 de julho de 1958, foi sagrada, solenemente, a majestosa Igreja Matriz de Nossa Senhora do Carmo, pelo sacerdote mais ilustre, filho de Borda da Mata, Dom João de Rezende Costa, Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte, recentemente falecido.
Esse monumento de fé e coragem, por si só, é prova indiscutível da capacidade do povo bordamatense e confirma, uma vez mais, a verdade contida no refrão: “a união faz a força”.
Em 16 de dezembro de 2005, a bela Matriz, por decisão do Papa Bento XVI, foi elevada à categoria de BASÍLICA MENOR, tornando-se, então, um monumento turístico, atraindo romeiros e peregrinos da Virgem do Carmo. Borda da Mata, assim, projetou-se no cenário de Minas, do Brasil e até mesmo da comunidade católica internacional
Se hoje temos a Basílica consagrada à Nossa Senhora do Carmo, essa epopéia religiosa que os bordamatenses, com justificado orgulho, escreveram ao longo de sua história recente, é imprescindível salientarmos o mérito do santo sacerdote que foi MONSENHOR PEDRO CINTRA. Mais importante do que o monumento de pedra, ele construiu um verdadeiro santuário nos corações dos bordamatenses, ensinando-os a amar Jesus e a venerar sua Mãe Santíssima. Monsenhor foi notável orador sacro, porém, mais relevante do que sua brilhante oratória foi seu legado de ações. Muitos foram seus testemunhos concretos de amor fraterno, solidariedade e carinho. Somos testemunhas do quanto confortava seus paroquianos, com seu apoio em todos os momentos difíceis de suas vidas. Foi ele a presença de Jesus, principalmente nas visitas aos doentes e quando trazia o seu abraço amigo nos óbitos de nossas pessoas queridas.
Tenho a honra de ter sido seu coroinha e também de outro grande sacerdote, o saudoso Monsenhor Antônio Tibúrcio, que foi vigário de nossa paróquia. Notável orador sacro e que sempre celebrou, deixando transparecer o seu entusiasmo sacerdotal, mesmo em idade avançada.
Envaidece-me também o privilégio de ter testemunhado a bênção da pedra fundamental daquela majestosa Igreja, que deveria um dia se tornar Basílica e, assim, por vontade de Deus, cumprir o seu destino histórico.
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