Introdução

Seja bem-vindo a este “blog”!

O meu objetivo é o de colaborar para a construção de um mundo melhor. Com este intento, pretendo que este espaço seja recheado de pensamentos, poemas, poesias, quadras e textos de minha autoria e de autores diversos.

Espero que a leitura das matérias aqui publicadas lhe tragam descontração e prazer.

Meus dados biográficos:

Gustavo Dantas de Melo, natural de Borda da Mata/MG. Sou filho dos saudosos Agenor de Melo e Maria Dantas de Melo. Casei-me com Maria Jóia de Melo, filha do comerciante Luiz Jóia Orlandi e Maria Delfino Jóia, donos do antigo “Bar do Ponto”, que serviu como o primeiro terminal rodoviário de Borda da Mata. São nossos filhos: Regina Maria (namorado Rafael), Luiz Gustavo (casado com Adriana), Rosana Maria (casada com Darnei) e Renata. Netos, por ordem de chegada: Gabriel, Mariana, Gustavo, Ana Júlia, João Vítor e Ana Luíza.

Advogado, professor secundário e universitário. Promotor de Justiça dos Estados de Minas Gerais e de São Paulo, tendo sido titular das Comarcas de Bueno Brandão/MG, São Luiz do Paraitinga, Cruzeiro, Mogi das Cruzes e São Paulo. Encerrei a carreira ministerial como Procurador de Justiça de São Paulo/SP. Atualmente, exerço a advocacia em Borda da Mata, minha cidade natal e na região do Sul de Minas Gerais.

Autor da obra “Reflexões”, editada pela APMP, em 2001, uma coletânea selecionada de artigos publicados durante o período em que fui diretor chefe do jornal “A Cidade” de Borda da Mata. Em 2009, trouxe à lume minhas “Farpas do Coração”, um livro de memórias, em que registro fatos vivenciados em quase meio século de vida familiar, social e profissional. Ao mesmo tempo, revelo personagens e acontecimentos pitorescos da querida cidade natal, transmitindo, sobretudo, minha experiência ministerial e vivência na cátedra do magistério universitário, ao abordar temas políticos e jurídicos de manifesto interesse nacional.



domingo, 16 de fevereiro de 2014

"Impunidade à Vista"


Na qualidade de Procurador de Justiça de São Paulo, aposentado, sinto-me no dever de publicar matéria da maior importância jurídica, em solidariedade a colegas que, através da Folha de São Paulo, apresentaram crítica inteiramente procedente à Resolução do TSE. Amigos, confiram o que estou afirmando. "IMPUNIDADE À VISTA"                                         
Resolução do TSE exige que promotores e policiais peçam ao Judiciário para investigar crimes eleitorais, como se fossem subordinados a ele
As ideias do movimento iluminista representam um divisor de águas na história da civilização, especialmente no campo punitivo.
Até então, a pena de morte era a regra e determinada sem critério pelos humores e vontade absolutista do monarca, sem processo, sem contraditório e sem preocupação qualquer com o direito de defesa. Tínhamos a própria negação de um direito penal. Poder ilimitado do rei diante do frágil povo.
O Iluminismo revolucionou o tema e apresentou um novo modelo social e jurídico-penal instituindo limites ao poder punitivo, consolidando a ideia de John Locke da dispersão do poder como essencial para a cidadania e eficiência do Estado.
A essência da tripartição do Poder (Executivo, Legislativo e Judiciário) se vê presente até hoje em nossa Constituição, que, em 1988, investiu o Ministério Público (MP) no papel de defensor jurídico do povo, incumbindo-o de concretizar a cidadania social.
Entre os papeis entregues ao MP, presente no Brasil há mais de 400 anos, destaca-se a defesa do patrimônio público e a promoção da ação penal pública, dentro do devido processo penal democrático. Esse cenário, construído num processo legislativo legítimo e democrático, gerou referência coloquial ao MP como o quarto poder, independente e fiscal dos demais.
Os que atuamos no MP somos bem fiscalizados pelo povo, pelo Judiciário, pela imprensa, pelos advogados, pelas corregedorias, pelo Conselho Nacional do Ministério Público. Se erramos, somos punidos.
No entanto, mesmo após a histórica rejeição da PEC 37 (proposta de emenda constitucional), que reafirmou o poder de investigação criminal do MP, em respeito à voz das ruas, que pugnou pela melhoria do controle da corrupção no Brasil, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) editou, no apagar das luzes de 2013, uma resolução que, ao arrepio da Constituição Federal, impede o livre exercício funcional do MP e da polícia para apurar crimes eleitorais.
A resolução nº 23.396/13 exige que promotores e policiais peçam ao Judiciário para trabalhar realizando investigações sobre crimes eleitorais, como se fossem subordinados a ele. Um retorno ao absolutismo.
Essa resolução, ente normativo não proveniente do processo legislativo democrático, mas da caneta de magistrados eleitorais, torna letra morta a Constituição e a legislação infraconstitucional, como, por exemplo, o Código Eleitoral brasileiro, lei federal.
Magistrados aplicam leis. Não podem criá-las. Quem cria leis é o Poder Legislativo. As disciplinas do MP e da polícia no Brasil não podem provir de resoluções do TSE.
Num país em que o índice de punição por crimes eleitorais é baixo, em que o abuso do poder econômico é realidade secular, em que é elevada a percepção da corrupção, que, ademais, aniquila o sistema público de educação, saúde e segurança, qual lógica justifica o bloqueio do livre trabalho do MP e da polícia na apuração de crimes eleitorais, já que as normas sempre devem visar o bem comum? Com a palavra, o TSE.
LUIZ ANTONIO GUIMARÃES MARREY, 58, é procurador de Justiça Criminal, ex-procurador-geral de Justiça em São Paulo e ex-presidente do Movimento do Ministério Público Democrático
ROBERTO LIVIANU, 45, é promotor de Justiça, coordenador nacional da campanha Não Aceito Corrupção e presidente do Movimento do Ministério Público Democrático.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

"Figuras folclóricas bordamatenses"


Alguns personagens marcaram época em nossa cidade e serão sempre lembrados. Na minha infância, recordo-me da pessoa de “Pai João”, um velho negro de braços fortes e porte vigoroso, que conhecera os rigores da escravidão e gostava de contar fatos dos tempos que antecederam sua alforria. Com sua barba comprida e seus cabelos brancos, ao contar suas estórias, era uma figura simpática e que infundia respeito.
Acredito que várias cidades brasileiras, a exemplo de Borda da Mata, conheceram outros negros semelhantes a “Pai João”, narrando os horrores de uma época em que o ser humano foi tratado e negociado como “objeto” de propriedade do seu senhor. Felizmente esse tempo de barbárie e humilhação, que nos envergonha, está terminado...
Outro personagem, que coincide com a época áurea do cinema bordamatense, foi “Dito Capitão”. Papai era dono do prédio do cinema. Iniciou suas atividades ainda na fase do cinema mudo e, quando os primeiros filmes sonoros começaram, fazia questão de exibir aqui os melhores daquela época, com ou sem prejuízo financeiro. Os filmes eram contratados em Cruzeiro; tio Sanico era o responsável pela projeção, enquanto tio Juquita ficava na bilheteria e mamãe na portaria; Chatola, mais tarde um dos melhores jogadores de futebol da história do esporte bordamatense, quando ainda adolescente, foi vendedor de pipocas e amendoim torrado. Um detalhe: papai, mão aberta que sempre foi, deixava a criançada entrar na metade da exibição.
Justamente nesse período de minha meninice, lembro-me da figura popular de “Dito Capitão”, um preto de pequeno porte, com um “papo” saliente e sempre com um sorriso nos lábios. Era ele famoso, porque embora pequeno fisicamente, havia comentários de que seria “bem dotado”, particularidade que o tornou objeto da curiosidade popular.
Sabedores de que era fã de cinema, todos gostavam também de indagar-lhe a respeito de nomes de filmes, dos quais sabia informar detalhes, inclusive os nomes de artistas e conversar, principalmente, sobre capítulos de seriados e fitas estreladas por Tyrone Power, Maria Montez, Tarzan, Roy Rogers, Ton Tyler e Buck Jones. Aprendera também usar algumas expressões em inglês como “very god” e “god night”, que todos gostávamos de vê-lo pronunciar, em suas respostas. Enfim, na sua simplicidade, “Dito Capitão” foi uma dessas peças raras e inesquecíveis do folclore bordamatense.
        Mais uma personagem fantástica povoa a minha lembrança. Trata-se de “Dorica”. Ela viveu muitos anos na casa da família do Sr. Augusto Cobra, casado com a professora Isaura Megale Cobra, respeitável anciã (recentemente falecida) que por muitos anos morou na Rua Herculano Cobra. Ali Dorica trabalhava como doméstica e os ajudou a criar filhos e netos.
Quem não se lembra dessa mulher, em trajes ciganos, sempre com saias bem rodadas, adornos chamativos, com o rosto bem pintado, falante, cantando e dançando em nossas praças ou defronte a Igreja Matriz! ... Era uma espécie de embaixatriz da alegria, que trazia na face a pureza das almas inocentes e, em seu sorriso, a simplicidade, a riqueza da bondade e magia que a todos nós encantava! Dorica é uma dessas figuras que acabam se transformando em mitos. Uma espécie de anjo bom que Deus nos enviou em seus desígnios insondáveis, para cumprir – quem sabe – uma grande missão. Talvez mostrar que a felicidade está nas almas de pessoas simples como esta personagem, sendo o prêmio merecido dos muitos gestos concretos de amor, única fonte inesgotável de paz e de alegria...
          Um certo dia, minha querida sobrinha Márcia Érica, filha do caríssimo mano Agenor, que sempre aqui passava férias em sua primeira infância, sumiu a tarde toda; depois de exaustiva busca, só foi encontrada, já no cair da noite, na entrada do cemitério. É que, embevecida, estava acompanhando a Dorica que atraía a criançada com seu verdadeiro “show”, cantando e dançando com a costumeira graça e alegria.
        Foi então que minha estimada cunhada Leda, estressada pela preocupação, ao chegar em casa sua filha Márcia, recebeu-a com boas chineladas, sobrando uma delas para sua sobrinha, Regina, que, inseparável da sua amiga, fora a primeira a entrar no quarto. Márcia Érica, confirmando a ocorrência, em telefonema recente, contou-me que, curiosa, de fato acompanhara Dorica, naquela tarde. Então, num verdadeiro ritual, Dorica colhia flores no jardim da praça, que depois levava ao cemitério, colocando-as em diversos túmulos, onde rezava em voz alta, com Márcia Érica e outras crianças.
Outro personagem popular que conheci, foi “Zé Janeiro”, cujo nome verdadeiro desconheço. O mês de janeiro, época de chuvas fartas, é o mês mais propício para a colheita de abobrinhas, que nele nascem com abundância. Sabendo que ficava bravo, ao ser chamado pelo apelido, a criançada, por tabela, mexia com o Zé, perguntando-lhe qual o mês das abobrinhas. E como, após a pergunta, sua reação imediata era lançar mão de um porrete, logo saíam correndo em desabalada carreira, enquanto o pobre homem, indignado, tentava alcançá-los, proferindo os mais variados palavrões...
Recordo-me ainda do personagem Orestes, famoso pela resposta “cinco” a tudo que lhe era indagado.
Quantos anos você tem, Orestes? – Cinco, respondia ele, embora com boa idade nas costas.
          Quantos irmãos? – Cinco.
Quantos pares de sapato? – Cinco.
Quantas casas? – Cinco.
Enfim, “cinco” era a resposta que sempre trazia nos lábios para qualquer pergunta. Somente mudava, quando lhe indagavam:
Com quem você vai se casar?
- Com a Nice do Amadeu, prontamente respondia. Nice era a jovem mais linda e formosa da cidade, o que prova que de bobo não tinha nada. 
Orestes era pobre e morava no bairro do buracão, atual Bairro São Francisco, assim batizado pelo governo do Dr. Vavá, onde se localiza também a Vila Vicentina. Era lambão e andava sujo, com as unhas compridas. Corria na cidade um boato de que se alimentava com “merda de galinha” e virava lobisomem nas noites de lua cheia. Por isso, a criançada morria de medo dele, como se isso fosse realmente verdade.
      Outro personagem folclórico foi um roceiro, homem trabalhador e honesto, vendedor de laranjas, que costumava vir até a cidade com seus jacás sobre o lombo da mula. De idade avançada, ele era completamente surdo e, por essa razão, suas respostas não tinham nexo algum com as perguntas que lhe eram feitas. Daí a imaginação popular inventou um dos seus possíveis diálogos com um freguês que lhe comprava laranjas:
           “Como vai sua mulher?”, disse-lhe o freguês.
         “-Pode chupar que é boa; se não gostar não precisa pagar nada...”, respondeu o vendedor, convencido de que seu produto era de ótima qualidade.
         Finalmente, o personagem Joaquim “Pacuera, que exercia a profissão de barbeiro para a gente mais simples da cidade, ficou célebre pela excelência do português com que tabelou os preços de seu estabelecimento:
-       Cortume e penteio de cabelo -  10 mil reis;
-        Façume de barba – 05 mil reis.
“Fregueis, fassa o favor de não pedir fiado”.
(Extraído de meu livro "Farpas do Coração", Edição APMP, ano 2009, páginas 56 a 60).
Gustavo Dantas de Melo

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

"Política e Idealismo"


A sociedade é o “habitat” natural do ser humano. O homem não vive isoladamente. É ele um ser social, que necessita do convívio com seus semelhantes, para desenvolver suas aptidões naturais e realizar-se como pessoa.
Essa convivência gera necessidades inúmeras, individuais e coletivas. No âmbito coletivo, o relacionamento humano cria problemas complexos para assegurar ao homem seus direitos fundamentais de alimentação, saúde, educação, moradia, transporte, comunicação, segurança e justiça, para mencionarmos alguns deles.
Daí a origem das diversas ideologias, que poderíamos classificar como caminhos traçados pelo homem, na busca constante de encontrar a solução ideal para os problemas sociais. Essas diretrizes e propostas suscitam a QUESTÃO POLÍTICA, que numa palavra é a arte de procurar o melhor caminho que possa resolver, definitivamente, os conflitos humanos e promover a plena felicidade do homem.
Constata-se, pois, que a verdadeira POLÍTICA é caracterizada pelo idealismo. É tarefa nobre que deve ser confiada a homens e mulheres de bem, conscientes da missão que lhes compete. Que estejam, de fato,  preocupados em  solucionar os problemas sociais e que não visem os próprios interesses e de pessoas e empresas com que ficaram comprometidos.
No regime democrático, as regras políticas já estão traçadas na Carta Magna e na legislação comum, que devem ser cumpridas, efetivamente, sem subterfúgios. Os funcionários são admitidos mediante concurso público, para que seja assegurada igual oportunidade para todos. As verbas são aplicadas em obras e serviços previstos no orçamento anual votado pela Câmara e com as cautelas legais de prévia licitação e concorrência, quase sempre exigidas, para transparência dos gastos públicos.
De nada adiantam, porém, as exigências legais, se aqueles que as deviam cumprir, lançam mão de meios ilícitos, fraudando os objetivos que inspiraram as normas jurídicas. Daí a seriedade e honestidade do  governante são fundamentais para o êxito da administração. Em suma, é indispensável que a POLÍTICA esteja impregnada de IDEALISMO, do desejo de servir a sua gente, o seu povo, com retidão de princípios e amor no coração. 
Gustavo Dantas de Melo
(Extraído de meu livro "Reflexões", Editora APMP, 2001, página 147).

sábado, 11 de janeiro de 2014

"Construindo Vidas"


      Estou realmente feliz por ter concretizado mais um projeto. Na noite do dia 04/01/2014, no “Coreto Agenor de Mello” de minha querida Borda da Mata, tive o prazer de vivenciar uma noite de autógrafos do meu terceiro livro “CONSTRUINDO VIDAS”.
         Trata-se de um registro das atividades da Guarda Mirim Irmã Martha, ao longo de sua fecunda existência (07/03/1990). É o relato histórico desse trabalho social de um quarto de século, em favor da juventude bordamatense.
Cada ano, em média, 70 adolescentes vêm trilhando o caminho do bem, em busca do tesouro de sua formação cívica, moral, espiritual e iniciação profissional. Orgulho-me de ser um dos fundadores da entidade, que presidi em quatro mandatos e sou o “Coordenador do Curso de Formação”, por honrosa designação de meus companheiros de diretoria.  
Como é gratificante perceber a evolução das turmas de jovens que ingressam na instituição! Chegam tímidos e, gradativamente, em sua grande maioria, se transformam. Cheios de vontade de progredir, aprendem a planejar os estudos e trabalho, desenvolvendo suas capacidades imensas para a conquista de seus ideais.
         Todo jovem tem seus sonhos e ambições. Isso é inerente à própria natureza humana. O que precisa é de ajuda para descobrir o seu potencial e canalizar suas forças, na direção do bem. O êxito pessoal de cada ser humano depende e muito da orientação recebida dos pais e mestres. Nesse trabalho social fazemos a nossa parte, simplesmente cumprindo o dever cristão de servir. O próprio Cristo deu testemunho de sua missão sagrada:
Eu vim para servir e não para ser servido!”
O Projeto “Construir Vidas” é um instrumento de transformação da vida de nossos jovens. Traz a eles melhores condições de vida social. Enfim, prepara-os para o exercício consciente da verdadeira cidadania. Nosso trabalho tem como objetivo geral e primordial a formação integral dos adolescentes, em todos os aspectos de sua personalidade, preparando-os para a vida. Isso compreende um esforço de educação e aprendizado com relação ao mundo dos valores verdadeiros, orientando-os a formar a sua própria escala e disciplinar o seu programa de vida.
         Esse importante trabalho é preventivo e afasta a terrível ameaça dos vícios e drogas, substituindo a ociosidade pela iniciação profissional, com disciplina, de modo a prepará-los para assumir as responsabilidades futuras de pais e mães de família e conscientizá-los de seus deveres comunitários.
         A nossa entidade tem fisionomia e características militares. Alicerçada em normas rígidas, pela seriedade do trabalho desenvolvido, adota os princípios da hierarquia, disciplina, responsabilidade e honradez que busca transmitir aos guardinhas.
Nenhuma organização sobrevive sem ordem e disciplina. Especialmente os adolescentes necessitam aprender a trilhar o caminho que conduz ao sucesso e à realização pessoal.Todos nós queremos ser felizes e bem sucedidos. Mas a vitória exige muita força de vontade, dedicação e planejamento.
Os nossos dias escoam, celeremente, sem cessar. O tempo é precioso e deve ser bem aproveitado; do contrário, amanhã poderá ser tarde demais e nos arrependeremos, amargamente, pela perda das oportunidades que jogamos fora. Quantas pessoas não lastimam o fato de terem abandonado seus estudos em sua mocidade! Desperdiçam sua oportunidade por preguiça e bobeira, gastando suas horas sem critério algum. Mais tarde, embora quisessem, tornou-se impossível recuperar o tempo que não volta jamais... Assim, é preciso alertar a juventude dos perigos da ociosidade, dos vícios e da necessidade de canalizar suas energias para construir um futuro melhor e mais feliz.
         Alguém já disse com inteiro acerto:
          A vida é o que dela fazemos. Donos de nossa liberdade, somos os arquitetos de nosso destino presente e futuro”. 
Nossa experiência leva-nos a afiançar que a pequena jornada de trabalho de 04 horas, sem prejuízo da freqüência regular às aulas do ensino médio, é um excelente instrumento de formação do jovem. A ociosidade, sim, é perniciosa e mãe de vícios terríveis como a bebida e as drogas.
         Os legisladores não podem se esquecer, jamais, de que vale ouro, de valor inestimável, a formação cívica, moral e espiritual que a nossa entidade, através de voluntários, fornece aos adolescentes que ingressam em suas fileiras. Deveria pesar muito mais na balança do que ilusórias vantagens que a legislação atual trouxe, desprezando o espírito que norteava o revogado “Projeto Bom Menino”.
         É importante ressaltar a importância do “Curso de Formação”, ministrado todos os anos, nos meses de maio e junho. Atualmente, são 15 palestrantes que formam a “Escola Permanente”, que, após o curso, continua seu trabalho, aos 1º e 3º sábados de cada mês do ano, exceto no período das férias. Evidentemente, esse esforço conjunto produz resultados incontestáveis.
         A vida é uma construção que se ergue dia a dia. Nossos jovens aprendem que “planejamento é fundamental”. Ninguém nasce feito, nem acorda célebre da noite para o dia. “Devagar se chega ao longe”, diz conhecido ditado popular. De fato, é preciso muito esforço e luta, para superação de obstáculos até a vitória final.
         Temos potencialidades que devem ser descobertas e trabalhadas na direção correta. Alguém ponderou com inteira razão:
         Somos hoje um pouco do que fomos ontem e seremos amanhã o que estamos construindo hoje”.
               O testemunho é a melhor prova de um trabalho”
         Foi muito grande a emoção que senti ao ler redações de alguns dos jovens participantes do 23º Curso/2013, cujos resultados concretos vocês podem constatar:
         A Guarda Mirim é um órgão muito importante para os adolescentes, pois nos instrui sobre o certo e o errado, o bem e o mal da vida. Aprendi que se eu não lutar, batalhar, não terei e muito menos serei alguém. Estou com a faca e o queijo nas mãos, sou dono do meu futuro e devo aproveitar ao máximo as oportunidades que a vida me dá. Vi na Guarda Mirim a oportunidade de aprender com pessoas que já conhecem os valores da vida. Por isso, agradeço aos diretores por esse belo trabalho que estão fazendo por todos esses anos” (Mateus Scarone dos Santos)
         “O mundo quer que eu marque a minha vida de alguma forma. Vou por em prática tudo o que vi e aprendi na Guarda Mirim Irmã Martha. Apenas por em prática não basta. É necessário fazer tudo com amor e carinho para que seja bem feito. O caminho já me mostraram. Só falta percorrê-lo, lembrando sempre de tudo o que aprendi em casa, na escola e na Guarda. São os pequenos gestos que pratico que farão diferença em minha vida. O futuro que quero é longe de todo vício existente e perto de todos os amigos verdadeiros e familiares que me querem bem. A Guarda não fez diferença só na minha vida, mas com certeza na de vários jovens que passam por ela e que, com ela, aprendem de tudo. Principalmente a ser um adulto responsável e consciente de todos os seus atos.” (Mariana Marinelli).
         “A vida tem seus altos e baixos, alegria e tristeza. Um dia você se vê tão despreocupada e, no outro, fica de noite acordada sem dormir. Sabe por quê? - Queremos o melhor para nós e sei que estou no lugar certo, aprendendo como é a vida, para começar a andar com as nossas próprias pernas; isso é, ser capaz e independente. Aprendi que é do suor do nosso trabalho que viramos gente, pois damos valor ao nosso dinheiro. Agora, peço a Deus que me ilumine, pois muitas coisas virão a mais. Sei que, com Ele, sou mais que vencedora. A Guarda Mirim é um lugar ótimo, que faz o jovem ter vontade de ser alguém importante e respeitado. Lá construímos vidas!” (Tamires Batista Silva)
“...Não devemos nos importar com o que temos e, sim, com o que somos. O futuro é a gente que constrói. A Guarda Mirim nos mostrou o caminho; agora, só depende de escolhermos o que vai ser melhor para nós.” (Ana Gabriela R. Sabino)
“... Com o Curso de Formação, pude não só aprofundar meus conhecimentos sobre diversos assuntos, como fui alertada dos riscos que os adolescentes estão expostos, como o uso de drogas e o “sexo irresponsável” que pode causar danos fatais... Digamos que aprendi o  caminho e o futuro está em minhas mãos... Sonho em trabalhar, me formar em uma boa faculdade, enfim,quero ser uma cidadã de bem...” (Dara Manzoli).
“...Tive informações preciosas que levarei para a vida inteira. Foi muito importante para mim ter o prazer de poder participar...Aprendi que na vida a gente pode ter vários caminhos bons e ruins. Cada um pode escolher por onde vai... Pretendo que meu futuro seja o melhor e farei de tudo que puder... Quero me formar em medicina, especializada em câncer, pois é uma doença que os pacientes precisam de amor, carinho e confiança... A Guarda Mirim me ensinou muito a me tornar gente e não pessoa sem valor algum para ninguém. Obrigado pela maravilhosa chance!” (Isabela Cristina).
“... O caminho do bem é a coisa mais preciosa que um ser humano pode ter. A Guarda Mirim está me ensinando a ser uma pessoa melhor. Como diz a minha mãe: “Cabeça vazia é oficina do diabo”. Eu também acho. Quando alguma pessoa está ocupada demais não tem tempo para fazer o errado... Agora só me resta fazer o bem e não pensar no mal...Vou fazer o possível e o impossível para alcançar o meu objetivo, pois Deus está comigo... Agradeço à Irmã Martha, que não está mais conosco, por ter fundado uma instituição tão boa e inteligente quanto à Guarda Mirim”(Lidiane Gabriele Rocha)
“Aprendi muitas coisas até chegar onde cheguei... Espero que um dia possa me tornar uma pessoa importante, que salve vidas para dar exemplo aos meus filhos. Pretendo começar desde já, para que, quando chegar lá, possa gritar: “- Eu consegui!”... (Juliana Soares Couto)
“... Confesso que fiquei impressionada com o que aprendi. São coisas que, tento certeza, vou levar pra vida toda. Aprendi que mais importante do que ter um emprego, é ser educada, atenciosa e respeitar as pessoas. Com essas qualidades, o mundo vai me abrir muitas portas... Agradeço a todos que compartilharam comigo lições de vida. Sem dúvida, estou muito feliz e realizada após esse curso.” (Sabrina Sousa)
“O Curso de Formação foi o primeiro de muitos passos que ainda estão por vir. Nele tive a oportunidade de receber ensinamentos que serão úteis até o fim de minha vida. Mostrou-nos a vida como ela realmente é e como ela pode se transformar, dependendo das decisões que nela tomamos. Eu escolhi fazer parte da Guarda Mirim, porque sabia que só iria me trazer benefícios. E não me enganei, pois trouxe muito além do que eu esperava...” (Rita de Cássia de Jesus).
       Amigos, esses depoimentos de nossos adolescentes falam, por si só, e nos emocionam demais! Valem como precioso incentivo para prosseguirmos na luta por um mundo melhor.
           Borda da Mata, 11 de janeiro de 2014.
           Gustavo Dantas de Melo
            

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

"Recordações Natalinas"


Com a chegada do Natal, em cada coração renasce o amor. Sentimos um desejo imenso de abraçar e expressar a todos nossos sinceros votos de saúde e felicidade. Época em que vem à tona o suave encanto do nosso saudoso tempo de criança. O embalo das lindas canções; o tanger do sino da velha igreja; a missa do galo à meia noite, que não podíamos perder. Sonolentos, aguardávamos a hora da celebração, cheios de curiosidade. Já de manhã, ao despertar, a alegria de recebermos o presente esperado, que, misticamente, aparecia ao lado dos nossos sapatos.
Lembranças que guardamos na memória, desse tempo bom e feliz da infância. O carinho de nossos saudosos pais e tios, que tão bem nos acolhiam e sempre tinham algo para nos oferecer, com generosidade ímpar. Todos esses gestos de amor e afeto ficaram gravados no mais recôndito de nossos corações e constituem a nossa melhor recordação. Na verdade, é a força que nos impulsiona a procurar retribuir tanto carinho, através das pessoas que Deus nos reservou em nossa caminhada terrena.
Quem recebeu muito amor, tem carinho de sobra para oferecer. Obteve essa moeda especial de valor nominal inesgotável. Tornou-se rico demais e, assim, pode esbanjar à vontade a moeda do bem querer a todos quantos cruzam o seu caminho. Quanto mais gasta, ainda mais tem para dar. É o verdadeiro milagre da multiplicação, a única operação matemática que aprendeu muito bem. Daí a verdade sintetizada na quadrinha de minha autoria:
“O Amor é a moeda
         de valor mais elevado,
         e que nunca sofre queda,
         por mais que se gaste no mercado!”
 Não conseguimos entender a antítese do amor que vem assustando o mundo moderno. O ódio está dominando tantas pessoas que explodem sua revolta em intermináveis e graves conflitos. Causa espanto haja ainda povos e nações capazes de lançar bombas, mísseis e projéteis contra crianças e pessoas inocentes, causando  destruição e morte! Mais grave ainda, quando essa barbárie é praticada contra irmãos de um mesmo país, apenas porque possuem ideologias ou credos contrários aos dos assassinos investidos no poder. É a violência gerando violência cada vez maior, pondo em perigo a paz social e trazendo séria ameaça de nova guerra mundial. 
Presenciamos, nos dias de hoje, o avanço da tecnologia e das ciências humanas, o que é importante para o progresso da humanidade. Mas a evolução parece estar restrita à matéria. Os homens buscam, cada vez mais, o poder e a posse dos bens materiais. Os valores espirituais ficam esquecidos e postos em segundo plano.
Que a chegada do Natal, a vinda do Menino Deus, que se fez homem para nos abrir as portas do céu, possa despertar um novo sentido de humanidade e amor para todos os povos da terra!
Que a revelação de que Deus é nosso Pai, desperte a consciência universal de que todos somos irmãos. E, assim, reine a paz nos corações, através do perdão e do diálogo fraterno.
Oxalá tudo isso aconteça, se houver consciência de que coisas e bens materiais não têm sentimento. Somente as pessoas podem nos proporcionar alegrias. A felicidade está ao nosso alcance, pois mora aqui dentro de cada um de nós!
Borda da Mata, 24/12/2013.
Gustavo Dantas de Melo