Introdução

Seja bem-vindo a este “blog”!

O meu objetivo é o de colaborar para a construção de um mundo melhor. Com este intento, pretendo que este espaço seja recheado de pensamentos, poemas, poesias, quadras e textos de minha autoria e de autores diversos.

Espero que a leitura das matérias aqui publicadas lhe tragam descontração e prazer.

Meus dados biográficos:

Gustavo Dantas de Melo, natural de Borda da Mata/MG. Sou filho dos saudosos Agenor de Melo e Maria Dantas de Melo. Casei-me com Maria Jóia de Melo, filha do comerciante Luiz Jóia Orlandi e Maria Delfino Jóia, donos do antigo “Bar do Ponto”, que serviu como o primeiro terminal rodoviário de Borda da Mata. São nossos filhos: Regina Maria (namorado Rafael), Luiz Gustavo (casado com Adriana), Rosana Maria (casada com Darnei) e Renata. Netos, por ordem de chegada: Gabriel, Mariana, Gustavo, Ana Júlia, João Vítor e Ana Luíza.

Advogado, professor secundário e universitário. Promotor de Justiça dos Estados de Minas Gerais e de São Paulo, tendo sido titular das Comarcas de Bueno Brandão/MG, São Luiz do Paraitinga, Cruzeiro, Mogi das Cruzes e São Paulo. Encerrei a carreira ministerial como Procurador de Justiça de São Paulo/SP. Atualmente, exerço a advocacia em Borda da Mata, minha cidade natal e na região do Sul de Minas Gerais.

Autor da obra “Reflexões”, editada pela APMP, em 2001, uma coletânea selecionada de artigos publicados durante o período em que fui diretor chefe do jornal “A Cidade” de Borda da Mata. Em 2009, trouxe à lume minhas “Farpas do Coração”, um livro de memórias, em que registro fatos vivenciados em quase meio século de vida familiar, social e profissional. Ao mesmo tempo, revelo personagens e acontecimentos pitorescos da querida cidade natal, transmitindo, sobretudo, minha experiência ministerial e vivência na cátedra do magistério universitário, ao abordar temas políticos e jurídicos de manifesto interesse nacional.



quinta-feira, 11 de abril de 2013

"Não à impunidade"


            A sociedade brasileira está ameaçada de alteração na Constituição da República que pretende conceder aval à impunidade, especialmente aos poderosos.
           Isso acontece em razão de Proposta de Emenda à Constituição nº 37/2011, em trâmite no Congresso Nacional, objetivando tornar a atividade investigatória criminal exclusiva das polícias judiciárias. Se a proposta for aprovada, a conseqüência seria o cerceamento do poder de investigação criminal dos Promotores de Justiça e de outras autoridades.
           A pretensão é de tal forma nociva aos interesses da nação e do povo brasileiro que a PEC nº 37/2011 foi denominada PEC DA IMPUNIDADE. A investigação criminal é de vital importância na colheita das provas indispensáveis à apuração dos fatos. Ocorrido um crime, ou descoberta a existência de corrupção em órgãos públicos, torna-se imprescindível a ação imediata da autoridade, sob pena de desaparecerem os vestígios e provas materiais dos delitos.
           Como é notório, as polícias judiciárias não dispõem das mesmas garantias constitucionais dos Membros do Ministério Público. É sabido que autoridades de órgãos policiais, quando contrariam interesses de políticos influentes, acabam sendo removidas.  Assim, vulneráveis, os policiais ficam expostos à pressão exercida pelos poderosos e são presas fáceis aos seus propósitos escusos.  Já o mesmo não acontece com os Promotores e Procuradores de Justiça, porque estáveis e protegidos pela garantia constitucional da inamovibilidade.
            O titular da ação penal é o Ministério Público. A Constituição lhe outorga a missão essencial da defesa de direitos e interesses sociais indisponíveis. Assim, especialmente todo delito de repercussão social exige imediata fiscalização ministerial. Portanto, entregar esse mister, exclusivamente às polícias judiciárias, é totalmente inadmissível! Isso só interessa aos poderosos, especialmente aos corruptos que, com a PEC 37, tornam manifesta sua pretensão de legislar em causa própria.
           De toda evidência, pois, os nefastos efeitos da aprovação da cogitada emenda constitucional, em total prejuízo ao combate à criminalidade, à corrupção e à impunidade no Brasil. Graças à independência funcional do Ministério Público, foi possível a apuração dos escândalos do “mensalão” e de tantos outros crimes envolvendo poderosos, o que a mídia mostra diariamente. Todos os brasileiros, com certeza, aplaudiram e desejam ver na cadeia essa corja de bandidos de gravata. Somos uma Democracia e não uma Aristocracia.
           O interesse popular é o valor maior a exigir defesa social intransigente. Os recursos da nação e do povo brasileiro não podem ficar à mercê dos corruptos. Daí a necessária e legítima mobilização do Ministério Público em todos os recantos do país, inclusive em nossa cidade, através da convocação feita por sua ilustre representante. O ato público realizado no fórum local, no dia 09/04, contou com a presença de forças vivas de Borda da Mata e Tocos do Moji. É a luta pela preservação dos poderes constitucionais da Instituição e de outras autoridades, na salvaguarda dos interesses nacionais.
                   Quero manifestar o meu apoio irrestrito à manutenção das prerrogativas constitucionais do Ministério Público dos Estados e da Federação. Acredito que o Congresso Nacional, com certeza, rejeitará a PEC DA IMPUNIDADE, por ser flagrantemente inconstitucional e nefasta ao interesse público. Creio também ser esta a expressão da vontade unânime dos cidadãos brasileiros conscientes de sua responsabilidade cívica.
                   À Instituição compete a preservação de direitos indisponíveis dos cidadãos. O poder de investigação criminal dos Promotores de Justiça e de outras autoridades é uma garantia constitucional inatacável. Sem ela, a Democracia corre o risco da desmoralização e, corrompida, transmudar-se-á no império do arbítrio e da prepotência dos poderosos.
                   Borda da Mata, 11 de abril de 2.013.
           Gustavo Dantas de Melo

sábado, 6 de abril de 2013

"Mude Seus Hábitos"

           “O poder de transformar sua vida para melhor está dentro de você. Basta sintonizar os canais certos” (Mel Aitak)
            Sempre adotei o otimismo como regra de vida. Nada de pensamentos negativos. Temos dons e potencialidades imensas que Deus nos concedeu, gratuitamente. Basta direcionar a nossa força e capacidade na direção almejada. Acredito ser este o motivo pelo qual consegui transformar sonhos em gratificante realidade.
            Ontem, encontrei uma crônica genial da colunista MEL AITAK, mestre em Reiki, terapeuta holística e estudiosa dos temas ligados à espiritualidade. Esta página de luz, intitulada “Mude seus Hábitos”, foi publicada na Revista “Ana Maria”, edição de 29/03/2013, página 25.
            O que é bom deve ser amplamente divulgado. Muitos, em sintonia  com a força emanada do pensamento positivo, poderão descobrir o caminho do sucesso, transformando suas vidas para melhor.
            Animado por esse propósito, peço vênia à autora para trazer aos meus leitores a preciosidade de sua lição:
            “Nossa capacidade de transformar a realidade é imensa. Segundo Lauro Trevisan, no livro O Poder Infinito de Sua Mente (Ed. Mente), ela age gerando “um estado de paz ou agitação, de alegria ou tristeza...”. Diz ainda que pensamentos de fracasso atraem fracasso; de alegria, alegria; e assim por diante.
            De fato, isso acontece porque, em harmonia, a mente gera uma vibração de bem-estar. O contrário – ou seja, uma mente em desarmonia, carregada de pensamentos negativos – gera um estado de excitação péssimo. Perdemos o ânimo, o foco, a paciência e a vontade de lutar por nossos objetivos. Tudo perde a graça. Ficamos frágeis até fisicamente, abrindo espaço nos campos físico, mental e espiritual para ataques de todos os tipos.
            Percebeu o poder concentrado dentro de você? Esse tema me faz lembrar um texto maravilhoso, conhecido como Divina Escada (há versões dele na internet). Assinado por Maha Chohan, ele mostra que cada pessoa ganha, ao nascer, uma escada que deverá percorrer durante sua vida.
            Desde o mais baixo lugar, vai percorrê-la, passo a passo.” O texto diz ainda que, mesmo sendo “a minha estreita e a tua alargada, sozinho chego a Deus por minha própria escada. A de ninguém posso pedir, nem a minha emprestar. Com o esforço em subir na sua, cada um tem que arcar...”
            Deus nos dá inteligência ilimitada e todo o poder para transformar nossa realidade. Oferece ainda um coração capaz de se apaixonar por uma causa. Que tal, então, começar agora a focar sua mente para construir uma realidade melhor à sua volta? Vibre positivo! Tenho certeza de que vai ser mais fácil até dar conta da sua escada...
            Borda da Mata, 06 de abril de 2.013.
            Gustavo Dantas de Melo

sexta-feira, 22 de março de 2013

"O Tempo e a Vida"

         Em abril de 1.997, quando dirigia o jornal "A Cidade", publiquei crônica, focando a celeridade com que escoam os dias da vida humana. Hoje, passados mais 16 anos e já com 73, mais do que nunca constato essa manifesta realidade.
Não percebi o tempo passar. Conservo grande vitalidade física, trabalho muito e ainda tenho disposição e vontade de concretizar vários planos. Sei, porém, que já avancei bastante na linha do tempo. Oxalá Deus me conserve com a mesma saúde e possa atingir as metas que guardo no coração! Reconheço, porém, que sou privilegiado por tudo o que já vivi e consegui realizar.
Espero que apreciem o texto que, prazerosamente, ora disponibilizo aos amigos leitores:
"Aquele que atingiu a minha idade sabe como a vida terrena é fugaz e passageira. Os mais jovens ainda vão passar por essa experiência e, com certeza, sentirão na própria pele esta grande verdade.
Antes dos 21 anos, ficamos torcendo para que a maioridade chegue logo; porém, quando ela chega, tudo começa a passar tão rapidamente como um foguete. Num piscar de olhos, comemoramos bodas de prata e, de repente, percebemo-nos aposentados, com os filhos já formados, se casando, a chegada dos netos, a aproximação das bodas de ouro, enfim, a certeza de que a maior parte da nossa vida passou, celeremente.
Costumo dizer que a nossa vida possui três etapas de 27 anos, porque o que vem depois é lambuja. Ou melhor, a vida, qualquer seja o seu tempo de duração, é um dom de Deus. Mas o projeto de todos é chegar, pelo menos, aos 80. E ninguém se julga velho, porque como muito bem observou alguém: “velho é aquele que tem 10 ou 20 anos a mais do que nós”. Assim, o jovem pai de 35 anos, para o filho de 15, é o “velho” que está ficando “careta”. Já para o avô velho é o bisavô, ou qualquer dos anciãos da sua cidade, com idade próxima ao centenário.
Embora não nos julguemos velhos, a realidade é que se considerarmos o tempo que já passou, tão rápido que nem percebemos, concluiremos que o tempo que nos falta é uma ninharia. E temos ainda tantos projetos, tantas coisas que desejaríamos fazer?
Encontrei um texto de extraordinária beleza e que contém lições maravilhosas, as quais quero compartilhar com aquele que me prestigia com sua leitura:
“No corre-corre cotidiano, às vezes nos esquecemos dos elementos mais importantes da vida. A desculpa é uma só - falta de tempo. Assim tudo é feito atropeladamente - e mal.
Benjamim Franklin se expressou assim: “Amas a vida? - Então, não desperdices o tempo, porque dele é feito a vida”. Certas coisas em nossa vida são tão essenciais, que temos de organizar nosso tempo em função delas.
Gostei do que li, de um autor desconhecido sobre o tempo:
1. Dedique tempo para trabalhar: é o preço do triunfo.
2. Dedique tempo para pensar: é a fonte do saber.
3. Dedique tempo para recrear-se: é o segredo da juventude.
4. Dedique tempo para ler: é a base do conhecimento.
5. Dedique tempo para rir: é a essência do contentamento.
6. Dedique tempo para adorar: é o caminho da reverência.
7. Dedique tempo com os amigos: é o caminho da felicidade.
8. Dedique tempo para amar e ser amado: é o produtor da endorfina (substância da alegria e do bem estar).
9. Dedique tempo para sonhar: eleva a alma às estrelas.
10. Dedique tempo para planejar: é o segredo para encontrar tempo para as nove coisas anteriores.
Não é fácil organizar o tempo, é melhor começar orando como Moisés:
Ensina-nos, Senhor, a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio”
(Sl 90.12)".
Borda da Mata, 22 de março de 2.013.
Gustavo Dantas de Melo
(Crônica de meu livro "Reflexões", fls. 41/42, Ano 2.001, Editora APMP)

sexta-feira, 8 de março de 2013

"Homenagem à mulher"

           Feliz a idéia de consagrar um dos dias do ano à mulher, a nível internacional. Esta é uma homenagem justíssima.
 Sem dúvida, o papel da mulher é fundamental no universo. Sobretudo, pela maternidade como berço da vida humana, o que a torna partícipe da divindade. Se a vida é dom de Deus, que, como eterno, a possui em plenitude, a mulher é o veículo divino da criação do ser humano. Essa missão transcendental de mãe lhe confere tamanha dignidade, que foi escolhida para gerar em seu ventre o próprio filho de Deus, tornando-se instrumento de salvação de toda a humanidade.
           Mas, como é sabido, ao longo da história, ela nem sempre ocupou o lugar de destaque que merece. Algumas civilizações não lhe reconheciam direitos e a tratavam como escrava, ou “res”, de propriedade do seu senhor. Mesmo em nosso país, até bem pouco tempo, não gozava dos direitos políticos e, com o casamento, era considerada relativamente incapaz situação igual à do menor hoje na faixa etária de 16 a 18 anos (art. 4º, I, do Código Civil).
           Pouco a pouco, especialmente na civilização ocidental, foi ela conquistando espaços e sucessivas conquistas jurídicas. Hoje disputa de igual para igual com o homem em todos os setores da sociedade. Inclusive, temos em nosso país uma mulher, Dilma Roussef, ocupando o elevado cargo de Presidente da República. Porém, subsistem ainda algumas queixas de indevidas discriminações salariais e outras. Isso jamais poderia acontecer, posto que, no estágio atual da ordem jurídica vigente, há equiparação de direitos do homem e da mulher, como consagrado está em princípio constitucional proclamado em nossa Carta Magna (art. 5º, inciso I).
           Homem e mulher se completam, se amam e constituem sua própria família, fonte de plena realização pessoal. Cada um, com suas características especiais e peculiares, vive a sua vida, na busca dos seus ideais. As suas diferenças são naturais e fazem parte de suas personalidades distintas, no objetivo comum de encontrar o prazer e a felicidade.
           Desde os tempos de ginásio, época em que estive no internato do Colégio São José de Pouso Alegre, gostava de colecionar pensamentos, quadras e poesias. Até hoje conservo na lembrança um refrão popular de autor ignorado, exaltando a criatura mulher:
           “Deus fez primeiro o homem e, depois, a mulher, porque toda obra prima exige primeiro o rascunho”.
           De fato, a mulher é a criatura incomparável que traz poesia e encantamento à vida. Ela é doce, um “favo de mel”, como diria Petruchio, personagem de novela. A graça, a beleza, a compreensão, a sensualidade e a meiguice da mulher exercem uma atração irresistível sobre o homem. É como um ímã que o torna presa fácil por seu magnetismo.
           A mulher é a companheira de todos os momentos, bons e maus. Ela é muito importante para o homem. Esposa, mãe, seio que alimenta os filhos, cozinheira, lavadeira, faxineira e tudo o mais do estafante trabalho do dia a dia no lar. A mão que afaga, o carinho, a presença, o apoio, o lenço que enxuga a lágrima, o bálsamo da dor. Enfim, aquela em quem confiamos e podemos contar em todas as horas, até mesmo para cerrar as pálpebras, no instante derradeiro da vida.
           Neste dia em que as atenções se voltam para a mulher, quero aproveitar a oportunidade para agradecer a Deus pela presença feminina que colocou em meu caminho. Especialmente à minha esposa, filhas, netas, mãe, avós, irmã, tias, sobrinhas, primas, sogra, nora e cunhadas.
Obrigado pelo muito que lhes devo! Que Deus lhes pague!
         Borda da Mata, 08 de março de 2013.
         Gustavo Dantas de Melo

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

"A obsessão pelo melhor"

          Felizmente, sempre recebo dos amigos, por "email", textos maravilhosos. Desta vez foi meu amado filho, Luiz Gustavo, quem enviou essa preciosidade. Por esta razão, é prazeroso para mim trazer-lhes rica matéria de autoria da jornalista mineira Leila Ferreira. Em síntese, ela focaliza a inquietação do ser humano e sua ambição desmedida.
          Tendo concluído mestrado em Letras e doutora em Comunicação em Londres, entretanto, Leila optou por viver uma vida simples em Belo Horizonte.
          Não são os bens materiais que nos fazem felizes, mas as pessoas. Coisas não têm sentimentos. A grande verdade é que, de fato, são muitos os que vivem insatisfeitos com os bens que possuem. Só, mais tarde, aprendem na escola da vida o quanto eram felizes e não sabiam.
          Prezados amigos, deliciem-se com a lição de vida maravilhosa de um texto verdadeiro e bem elaborado desta notável comunicadora:
           "Estamos obcecados com "o melhor".

           Não sei quando foi que começou essa mania, mas hoje só queremos saber do "melhor".
          Tem que ser o melhor computador, o melhor carro, o melhor emprego, a melhor dieta, a melhor operadora de celular, o melhor tênis, o melhor vinho.
           Bom não basta. O ideal é ter o top de linha, aquele que deixa os outros pra trás e que nos distingue, nos faz sentir importantes, porque, afinal, estamos com "o melhor".
           Isso até que outro "melhor" apareça e é uma questão de dias ou de horas até isso acontecer. Novas marcas surgem a todo instante. Novas possibilidades também. E o que era melhor, de repente, nos parece superado, modesto, aquém do que podemos ter.
           O que acontece, quando só queremos o melhor, é que passamos a viver inquietos, numa espécie de insatisfação permanente, num eterno desassossego. Não desfrutamos do que temos ou conquistamos, porque estamos de olho no que falta conquistar ou ter.
          Cada comercial na TV nos convence de que merecemos ter mais do que temos. Cada artigo que lemos nos faz imaginar que os outros (ah, os outros...) estão vivendo melhor, comprando melhor, amando melhor, ganhando melhores salários.
          Aí a gente não relaxa, porque tem que correr atrás, de preferência com o melhor tênis. Não que a gente deva se acomodar ou se contentar sempre com menos. Mas o menos, às vezes, é mais do que suficiente.
          Se não dirijo a 140, preciso realmente de um carro com tanta potência?
          Se gosto do que faço no meu trabalho, tenho que subir na empresa e assumir o cargo de chefia que vai me matar de estresse porque é o melhor cargo da empresa?
          E aquela TV de não sei quantas polegadas que acabou com o espaço do meu quarto?
          O restaurante onde sinto saudades da comida de casa e vou porque tem o "melhor chef"?
          Aquele xampu que usei durante anos tem que ser aposentado porque agora existe um melhor e dez vezes mais caro?
          O cabeleireiro do meu bairro tem mesmo que ser trocado pelo "melhor cabeleireiro"?
          Tenho pensado no quanto essa busca permanente do melhor tem nos deixado ansiosos e nos impedido de desfrutar o "bom" que já temos.
         A casa que é pequena, mas nos acolhe. O emprego que não paga tão bem, mas nos enche de alegria. A TV que está velha, mas nunca deu defeito. O homem que tem defeitos (como nós), mas nos faz mais felizes do que os homens "perfeitos". As férias que não vão ser na Europa, porque o dinheiro não deu, mas vai me dar a chance de estar perto de quem amo... O rosto que já não é jovem, mas carrega as marcas das histórias que me constituem. O corpo que já não é mais jovem, mas está vivo e sente prazer.
          Será que a gente precisa mesmo de mais do que isso? Ou será que isso já é o melhor e na busca do "melhor" a gente nem percebeu?
        'Sofremos demais pelo pouco que nos falta e alegramo-nos pouco pelo muito que temos'
(Shakespeare)".
          Borda da Mata, 26 de fevereiro de 2013.
          Gustavo Dantas de Melo

sábado, 16 de fevereiro de 2013

"Desabafo de um Grande Brasileiro"

         Prezados leitores, é um prazer utilizar o espaço deste "blog", para publicar valioso texto que recebi por email. Vale a pena ser lido e repassado a todos os nossos amigos.
         É lamentável e até mesmo revoltante, mas infelizmente é verdade. Aconteceu na cidade de São Leopoldo/RS, cidade que tem um dos menores índices de analfabetismo e de mendicância do país. Talvez por causa de homens como SÍLVIO GEREMIA, notável empresário do Estado do Rio Grande do Sul, que tenho a honra de mencionar, para que o seu exemplo de vida possa sensibilizar os legisladores deste país.
          Eis o seu desabafo publicado na Revista Exame:
          "Acabo de descobrir mais um desses absurdos que só servem para atrasar a vida das pessoas que tocam e fazem este país: investir em Educação é contra a lei .
          Vocês não acreditam?
          - Minha empresa, a Geremia, tem 25 anos e fabrica equipamentos para extração de petróleo, um ramo que exige tecnologia de ponta e muita pesquisa. Disputamos cada pedacinho do mercado com países fortes, como os Estados Unidos e o Canadá. Só dá para ser competitivo se eu tiver pessoas qualificadas trabalhando comigo.
          Com essa preocupação criei, em 1988, um programa que custeia a educação em todos os níveis para qualquer funcionário, seja ele um varredor ou um técnico.
          Este ano, um fiscal do INSS visitou a nossa empresa e entendeu que Educação é Salário Indireto. Exigiu o recolhimento da contribuição social sobre os valores que pagamos aos estabelecimentos de ensino frequentados por nossos funcionários, acrescidos de juros de mora e multa pelo não recolhimento ao INSS.Tenho que pagar 26 mil reais à Previdência por promover a educação dos meus funcionários?
          - Eu honestamente acho que não. Por isso recorri à Justiça. Não é pelo valor em si , é porque acho essa tributação um atentado. Estou revoltado. Vou continuar não recolhendo um centavo ao INSS, mesmo que eu seja multado 1000 vezes.
          O Estado brasileiro está completamente falido. Mais da metade das crianças que iniciam a 1ª série não conclui o ciclo básico. A Constituição diz que educação é direito do cidadão e um dever do Estado.
          E quem é o Estado?
          - Somos todos nós.
          Se a União não tem recursos e eu tenho, acho que devo pagar a escola dos meus funcionários. Tudo bem, não estou cobrando nada do Estado. Mas também não aceito que o Estado me penalize por fazer o que ele não faz. Se essa moda pega, empresas que proporcionam cada vez mais benefícios vão recuar...   
          Não temos mais tempo a perder. As leis retrógradas, ultrapassadas e em total descompasso com a realidade devem ser revogadas. A legislação e a mentalidade dos nossos homens públicos devem adequar-se aos novos tempos. Por favor, deixem quem está fazendo alguma coisa trabalhar em paz! E vão cobrar de quem desvia dinheiro, de quem sonega impostos, de quem rouba a Previdência, de quem contrata mão-de-obra fria, sem registro algum.
          Eu sou filho de família pobre, de pequenos agricultores, e não tive muito estudo. Somente consegui completar o 1º grau aos 22 anos e, com dinheiro ganho no meu primeiro emprego, numa indústria de Bento Gonçalves, na serra gaúcha, paguei uma escola técnica de eletromecânica. Cheguei a fazer vestibular e entrar na faculdade, mas nunca terminei o curso de Engenharia Mecânica por falta de tempo.
         Eu precisava fazer minha empresa crescer. Até hoje me emociono quando vejo alguém se formar. Quis fazer com meus empregados o que gostaria que tivessem feito comigo. A cada ano cresce o valor que invisto em educação porque muitos funcionários já estão chegando à Universidade.
         O fiscal do INSS acredita que estou sujeito a ações judiciais. Segundo ele, algum empregado que não receba os valores para educação poderá reclamar uma equiparação salarial com o colega que recebe... Nunca, desde que existe o programa, um funcionário meu entrou na Justiça.
        Todos sabem que estudar é uma opção daqueles que têm vontade de crescer... E quem tem esse sonho pode realizá-lo porque a empresa oferece essa oportunidade. O empregado pode estudar o que quiser, mesmo que seja Filosofia, que não teria qualquer aproveitamento prático na nossa Empresa Geremia. No mínimo, ele trabalhará mais feliz.
         Meu sonho de consumo sempre foi uma Mercedes-Benz. Adiei sua realização várias vezes porque, como cidadão consciente do meu dever social, quis usar meu dinheiro para fazer alguma coisa pelos meus 280 empregados. Com os valores que gastei no ano passado na educação deles, eu poderia ter comprado duas Mercedes.
         Teria mandado dinheiro para fora do País e não estaria me incomodando com essas leis absurdas . Mas infelizmente não consigo fazer isso. Eu sou um teimoso!
         No momento em que o modelo de Estado que faz tudo está sendo questionado, cabe uma outra pergunta. Quem vai fazer no seu lugar? Até agora, tem sido a iniciativa privada.
          Não conheço, felizmente, muitas empresas que tenham recebido o mesmo tratamento que a Geremia recebeu da Previdência por fazer o que é dever do Estado. As que foram punidas preferiram se calar e, simplesmente, abandonar seus programas educacionais.
          Com esse alerta temo desestimular os que ainda não pagam os estudos de seus funcionários. Não é o meu objetivo. Eu, pelo menos, continuarei ousando ser empresário, a despeito de eventuais crises, e não vou parar de investir no meu patrimônio mais precioso: as pessoas.
          Eu sou mesmo teimoso!... Não tem jeito!...
          No futebol, o Brasil ficou entre os 8 melhores do mundo e todos estão tristes. Na educação é o 85º e ninguém reclama..."
          EU APOIO ESTA TROCA: TROQUE 01 PARLAMENTAR POR 344 PROFESSORES! O salário de 344 professores que ensinam = ao de 1 parlamentar que rouba!
          Essa é uma campanha que vale a pena! Repasso com solidária revolta!”
          Borda da Mata, 16 de fevereiro de 2.013.
          Gustavo Dantas de Melo

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

"Tesouro Muitas Vezes Desconhecido"


          Os que me conhecem melhor, sabem que sou homem de muita fé. É que tive a felicidade de ter boa formação familiar e receber o alicerce da crença de meus pais.
          Depois, o privilégio de ser bordamatense e conviver com um povo capaz de edificar a majestosa Basílica do Carmo, monumento que, por si só, revela a grandeza da fé de nossa gente. Mais ainda, o fato de ter sido coroinha de Monsenhor Cintra e aprender com ele os caminhos do valor espiritual, tesouro mais importante do mundo.
          Não bastasse isso, fiz os estudos primários no Colégio Nossa Senhora do Carmo, recebendo a influência da formação cívica, moral e religiosa das queridas Irmãs Dominicanas. Pouco depois, o curso secundário e colegial no Colégio São José de Pouso Alegre, sob a direção dos padres 'pavonianos', oriundos da Itália para cumprir sua missão missionária em terras brasileiras.
          Todo esse acervo solidificou minha crença. Mas um fato importante aconteceu em minha história de vida. Em maio de 1.971, exercia o cargo de Promotor de Justiça na cidade de São Luiz do Paraitinga/SP. Convidado, participei de um Cursilho de Cristandade na cidade de Taubaté/SP. Ali aconteceu o meu encontro pessoal com Cristo. Foi uma experiência marcante e a graça inundou o meu ser. Percebi um Deus que não fica lá nas alturas do céu, mas que se fez homem e quis permanecer aqui conosco. Alguém que está ao nosso lado e com Quem podemos contar em todos os instantes da vida. Nosso defensor e advogado junto do Pai comum de todos nós.
          Neste Cursilho, aprendi uma oração de imensa beleza, atribuída ao escritor católico francês “Michel Quoist”. Ela diz muito ao coração da gente e sintetiza tudo o que do Senhor recebemos e muitas vezes não o percebemos.

      “Ação de Graças

Obrigado, Senhor,
pelos meus braços perfeitos,
quando há tantos mutilados!
Por meus olhos perfeitos,
quando há tantos sem luz!
Por minha voz que canta,
quando tantas emudeceram!
Por minhas mãos que trabalham,
quando tantas mendigam!

É maravilhoso voltar para casa,
quando tantos não têm para onde ir!

É maravilhoso sorrir, amar, sonhar, viver,
quando há tantos que choram,
odeiam, revolvem-se em pesadelos,
morrem mesmo antes de nascer!

É maravilhoso ter um Deus para crer,
quando tantos não têm
o consolo de uma crença!

É maravilhoso, Senhor, sobretudo,
ter tão pouco a pedir
e tanto para agradecer!”
Borda da Mata, 05 de fevereiro de 2013.
Gustavo Dantas de Melo