Introdução

Seja bem-vindo a este “blog”!

O meu objetivo é o de colaborar para a construção de um mundo melhor. Com este intento, pretendo que este espaço seja recheado de pensamentos, poemas, poesias, quadras e textos de minha autoria e de autores diversos.

Espero que a leitura das matérias aqui publicadas lhe tragam descontração e prazer.

Meus dados biográficos:

Gustavo Dantas de Melo, natural de Borda da Mata/MG. Sou filho dos saudosos Agenor de Melo e Maria Dantas de Melo. Casei-me com Maria Jóia de Melo, filha do comerciante Luiz Jóia Orlandi e Maria Delfino Jóia, donos do antigo “Bar do Ponto”, que serviu como o primeiro terminal rodoviário de Borda da Mata. São nossos filhos: Regina Maria (namorado Rafael), Luiz Gustavo (casado com Adriana), Rosana Maria (casada com Darnei) e Renata. Netos, por ordem de chegada: Gabriel, Mariana, Gustavo, Ana Júlia, João Vítor e Ana Luíza.

Advogado, professor secundário e universitário. Promotor de Justiça dos Estados de Minas Gerais e de São Paulo, tendo sido titular das Comarcas de Bueno Brandão/MG, São Luiz do Paraitinga, Cruzeiro, Mogi das Cruzes e São Paulo. Encerrei a carreira ministerial como Procurador de Justiça de São Paulo/SP. Atualmente, exerço a advocacia em Borda da Mata, minha cidade natal e na região do Sul de Minas Gerais.

Autor da obra “Reflexões”, editada pela APMP, em 2001, uma coletânea selecionada de artigos publicados durante o período em que fui diretor chefe do jornal “A Cidade” de Borda da Mata. Em 2009, trouxe à lume minhas “Farpas do Coração”, um livro de memórias, em que registro fatos vivenciados em quase meio século de vida familiar, social e profissional. Ao mesmo tempo, revelo personagens e acontecimentos pitorescos da querida cidade natal, transmitindo, sobretudo, minha experiência ministerial e vivência na cátedra do magistério universitário, ao abordar temas políticos e jurídicos de manifesto interesse nacional.



quarta-feira, 19 de setembro de 2012

"A virtude está no meio"

         Os romanos tinham notável poder de síntese. Possuíam provérbios que expressam grande sabedoria. Os afeiçoados ao Direito sabem disso, pois o linguajar forense é rico nesse sentido. Um desses adágios revela uma verdade incontestável: “IN MEDIO VIRTUS”.
Sem dúvida, “no meio termo está a virtude”. Esta é uma realidade que constatamos, dia a dia, nos relacionamentos com as pessoas e observamos nos fatos e acontecimentos da vida. Basta ter olhos para enxergar e bom senso para analisar, criteriosamente, tudo o que sucede à nossa volta. A vida é um constante aprendizado e quanto mais avançamos em idade, mais experientes ficamos. Isso ocorre em razão da soma de vivências, que, paulatinamente, nos fornecem farto material para exames e conclusões seguras.
Dessas observações, ficamos convencidos de que no meio está a virtude”. Como se diz: “nem tanto ao céu, nem tanto à terra.” É um ponto de equilíbrio necessário e ideal para nortear a conduta humana. De fato, todo e qualquer tipo de fanatismo é prejudicial, inconveniente e até condenável. Seja no campo religioso ou dos vícios; dos estudos, do trabalho ou do lazer; da participação na política ou na vida comunitária, em tudo, enfim, deve haver a medida certa. Incontestavelmente, a virtude está no meio termo”. Ninguém tolera, por exemplo, o fanático que dia e noite outra coisa não faz senão discutir religião. Da mesma forma, bebida em excesso gera dependência e vira alcoolismo. Até o trabalho, fonte do bem e da riqueza, em demasia põe em perigo a saúde e a própria vida.
A agitação da vida moderna aliena o homem, afasta-o da meditação tão necessária para analisar e repensar, muitas vezes, a sua caminhada. Desde cedo ligamos o rádio, a TV, muitas vezes até a caminho do trabalho. Não temos tempo para nada. Isso não é bom.
Em princípio, o homem pode desfrutar praticamente de tudo o que a vida lhe pode oferecer, desde que o faça com consciência e equilíbrio. Não é fácil, porém, o auto controle, a disciplina, o conhecimento dos limites. Daí não raras vezes o ser humano se perde nos excessos prejudiciais. Sem domínio de si mesmo, age como um carro sem breque na descida, rumo ao precipício. Impossível contê-lo ... Inevitável a colisão, acaba sofrendo duras conseqüências.
Por isso mesmo, é muito importante o auto conhecimento, saber dos seus próprios limites. Enfim, preparar-se para tudo, pois as solicitações do cotidiano são inúmeras e a sua participação necessária e mesmo indispensável. Para tanto, deve o homem buscar até encontrar a sua medida, o seu ponto de equilíbrio. Assim agindo, poderá, sem medo, fazer o que gosta e sentir o prazer de viver, na certeza de que “a virtude está no meio”.
Borda da Mata, 19 de setembro de 2.012.
Gustavo Dantas de Melo
(Matéria extraída de meu livro "Reflexões", páginas 27/28, Editora APMP, São Paulo, 2001)

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

"A Escola da Vida"

         A maturidade nos ensina que a vida passa celeremente. Ensina também que os mais velhos aprenderam muito com os acontecimentos do dia a dia. Este aprendizado é de um valor imenso. Por esta razão o idoso deve ser respeitado e ouvido, atentamente, pelos mais novos. Principalmente os filhos precisam prestar atenção nos ensinamentos de seus pais, que buscam preservá-los de erros e sofrimentos.
          Prazerosamente, trago para cá crônica de minhas "Reflexões", focalizando esta grande verdade existencial, a vivência, fonte de experiências e conhecimentos valiosos.
         "Quando o jovem presta o serviço militar, ingressando na fileiras do Exército Nacional, passa a ouvir muitas vezes a frase: “antigüidade é posto”. Isso significa que, hierarquicamente, o soldado mais antigo em qualquer cargo é mais graduado do que o outro da mesma função e patente. É um prêmio à vivência, que traz mais conhecimentos e experiência ao militar.
Na vida fora do quartel acontece o mesmo. Cada pessoa é o resultado de uma soma de vivências que passa a constituir a sua bagagem. “Vivendo e aprendendo”, como diz o refrão popular que retrata e proclama uma realidade indiscutível da filosofia existencial.
Eis a razão pela qual é sempre muito perigoso julgar-se alguém “a priori”, sem conhecê-lo na essência dos seus atos, ignorando as razões últimas da sua conduta. Talvez por essa razão, Jesus tenha recomendado a seus discípulos:
Não julguem para não serem julgados, ou na mesma medida que julgarem os outros, também serão julgados”.
Em outras palavras, os afoitos, os que fazem juízos apressados, não se queixem quando submetidos forem a julgamentos sumários, a toques de caixa, injustiçados sem melhor exame das provas e das intenções.
A ponderação, a prudência e o equilíbrio via de regra são virtudes dos mais avançados em idade. Isso acontece exatamente pelo fato da experiência acumulada pelos anos. Os jovens são geralmente impetuosos, enquanto os mais velhos sabem quanto é importante pesquisar a causa e os motivos de todos os acontecimentos.
No exemplo bíblico da mulher adúltera que a lei de Moisés, “a priori”, mandava que ela fosse apedrejada pela multidão, o próprio Jesus mostrou que a lei era hipócrita e covarde. A sabedoria inata do Mestre recomendava um exame mais profundo daquela norma:
Aquele que não tiver pecado, atire a primeira pedra”.
E o que aconteceu? - Todos sem exceção, jovens, adultos e anciãos, foram saindo pouco a pouco, até que não ficou mais ninguém para a execução da pena infame.
E então, mulher, alguém te apedrejou?
- Não, Senhor, todos se retiraram.
- Pois bem, ninguém te condenou e eu também não te condeno. Vai e não peques mais.”
De fato, um exame detido e criterioso dos motivos dos fatos que acontecem na vida de cada um é uma fonte de conhecimentos. Levam-nos muitas vezes a um juízo de absolvição do outro, quando, aparentemente, seria de condenação. Todos os fatos sem exceção servem para nos enriquecer, mesmo os episódios de sofrimento. Por isso mesmo a “Escola da Vida” é muito importante. Ela acaba nos mostrando o equívoco dos juízos precipitados e nos ajuda a ter calma e encontrar o melhor caminho para análise e solução dos problemas que nos afligem no dia a dia."
Borda da Mata, 03 de setembro de 2012.
Gustavo Dantas de Melo
(Matéria extraída de meu livro "Reflexões", Edições APMP 2001, pags. 23 e 24, São Paulo).

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

"O grande esportista Messias"


Dentre as "estórias" narradas em meu livro "Farpas do~Coração", quero destacar algumas. Refiro-me a episódios registrados no folclore bordamatense envolvendo o nome de um grande esportista. Trata-se de meu tio "Messias Gonçalves da Silva".
 Espero que apreciem os relatos engraçados que ora transcrevo a meu "blog", para descontração dos leitores, alguns de países distantes, detalhe que muito me honra: 
"...Não posso deixar de fazer justiça e reverenciar o nome de um grande jogador rubro-negro e, mais tarde, treinador do “América Futebol Clube”: Messias Gonçalves da Silva, meu saudoso tio. Sua selaria, localizada na Praça Monsenhor Cintra, era um recanto abençoado, onde imperava a alegria e descontração, graças ao bom humor e a bondade do tio Messias. Ele sempre foi uma figura muito especial e divertida, razão pela qual sua selaria, muitíssimo freqüentada, passou a ser o ponto de reunião dos americanos.
Verdadeiramente, Messias seleiro, além de profissional exímio e artista de selas incomparáveis, acabou fazendo parte do folclore da história bordamatense e dele se contam muitas estórias. Algumas de momentos vividos em treinos no campo do América. A mais hilariante tem como figura o Sr. Marcílio Costa Júnior, o popular “MACOJU”, na época jogador aspirante, que não gostava de ser chamado pelo apelido “Tigela”. Sabedor disso, tio Messias, na qualidade de técnico, fez uma séria advertência antes do treino:
Não admito que, nesse estádio, vocês fiquem chamando os colegas pelo apelido; alguns não gostam e exijo respeito!”
Em seguida, passou a chamar os jogadores, em voz alta, para assumir suas posições:
Gaiola, no gol de cima; Gibi e Bino, na defesa; Batata, meio de campo; Luiz Queijo, lateral esquerdo; Tigela, ponta direita...”
Algum gaiato, notando a incoerência, observou: “Sô Messias, o senhor não proibiu botar apelido em campo?”
- “Cala a boca, vagabundo! Toda regra tem exceção, é lógico que eu posso! Quem manda aqui sou eu!”
Do tio Messias existem outras várias passagens muito engraçadas, como aquela do dia em que, defronte sua oficina, tentava fazer funcionar o seu “jeep” e não conseguia. Foi então que mandou seu empregado Zé Gomes chamar o mecânico, Vinícius Leopoldino, outro grande amigo, infelizmente ambos já falecidos. Logo que Vinícius chegou, ao entrar no carro, imediatamente constatou que Messias estava tentando funcionar o “jeep”, no tranco, mas sem a chave de ignição no contacto, para risada geral...
Certo dia, viajando para Bom Repouso, como motorista de Messias, o saudoso Nego da Genica perdera o controle da direção, descendo ladeira abaixo. Após o incidente, sem maiores conseqüências, tio Messias teria comentado:
- “Bandido, se eu tivesse morrido, você iria se ver comigo!
No aniversário de seu filho, José Roberto, tio Messias lhe deu de presente uma linda bola de futebol. Assim, na atual Praça Monsenhor Cintra defronte a oficina, na época em que a criançada ali jogava, Zé Roberto passou a organizar as peladas com sua nova bola. Logicamente, tio Messias, que adorava futebol, nas horas vagas, fazia questão de ver a molecada jogando; porém, o time de Zé Roberto, que era ruim de bola, só perdia. Foi então que Messias se irritou e, em dado momento, falou alto:
Zé Roberto, filho da p., se o seu time perder outra vez, eu lhe tomo a bola!”...
Das estórias que são contadas a seu respeito, há uma outra fantástica. Certa vez, em viagem de negócios a São Paulo, ao chegar na estação rodoviária, houve por bem pegar um táxi, pretendendo visitar seu sobrinho, meu mano Narcy de Mello, que então morava na Rua Icem, no bairro Tatuapé. Ficou na fila e, ao chegar sua vez, entrou na porta traseira do táxi, ordenando ao motorista:
- “Leva-me pra casa do Narcy”.
Por uma dessas absurdas coincidências que a vida pode reservar a nós mortais, o taxista era nada mais nada menos do que nosso conterrâneo Biasinho, filho do saudoso casal Biase e Ana Paolielo, que, laconicamente, ter-lhe-ia respondido:
- “Pois não, sô Messias!”...
Outra estória do folclórico tio Messias teria acontecido em sua viagem a Belo Horizonte, na companhia de correligionários políticos, para se avistar com o deputado Cristóvão Chiaradia, grande e saudoso amigo dos bordamatenses, de quem Borda da Mata recebeu apoio, durante vários anos, para a realização de suas maiores obras públicas. Lá em BH, quando todos estavam reunidos com o deputado, no último andar de um dos maiores edifícios da capital mineira, chamaram o tio Messias para ver o chefe de estado estrangeiro que, na via pública, desfilava em carro aberto. Ao olhar para baixo, sentindo-se atordoado pela zonzura, Messias saiu de gatinho, resmungando:
Presidente da p. que p.!”
Esse era o meu saudoso tio Messias, desbocado na sua simplicidade de homem rude, mas com um coração imenso de bondade, cheio de carinho e solidariedade especialmente para seus sobrinhos que tanto amou!
Que Deus lhe tenha preparado um cantinho no céu de Borda da Mata, onde repousa em paz e profundamente feliz! ..."
Borda da Mata, 23 de agosto de 2.012.
Gustavo Dantas de Melo
(Extraído de "Farpas do Coração", 2009, págs. 96 a 99, Editora APMP, São Paulo).

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

"Quando o fim é progredir"

      Em meus guardados, encontrei um texto maravilhoso. Desconheço seu autor. Só posso afiançar-lhes que o conteúdo da matéria é da melhor qualidade. Ressoa como um brado de alerta para todos aqueles que
se mostram insensíveis ao problema crucial da degradação da natureza e poluição do meio ambiente. Oxalá possa servir de alarme aos adoradores do deus cifrão ($), despertando-os para os valores maiores da Vida e do Amor, de que a natureza é um grito revelador.
     Na certeza da aprovação dos que me honram com sua visita, é meu dever solicitar-lhes que  transmitam o texto aos amigos e parentes. O que é bom merece ampla divulgação. Um dia, talvez - quem sabe? - a conscientização de tais valores possibilite desfrutarmos de um mundo melhor:
      "Há milhares de anos o universo existia em harmonia. Os ciclos de escuridão e luz se alternavam periodicamente. As estrelas nasciam, brilhavam e explodiam. Sempre o mesmo ciclo. Harmonia. Tranqüilidade. A luz fez um planeta fértil. Plantas surgiram. A harmonia continuou. Animais surgiram. Sucederam as eras geológicas. Surgiu, então, o homem. O homem não se contentou com os ciclos naturais. Construiu ferramentas e com estas ergueu as cidades, afastando-se até das memórias dos campos, da vida simples e natural. A harmonia se despedaçou.
      Ao homem foi dado o domínio da tecnologia, mas ele a usou para a destruição. Foi dada também a conquista do meio, mas ele o converteu em sua própria prisão. As florestas foram arrasadas. A atmosfera foi poluída. Enfim, a Terra criou o homem e foi destruída por sua criação.
      Os mais sábios tentaram impedir o progresso, mas o lucro do momento fechou os ouvidos do homem. A avalanche continuou. Cada um competiu para transformar uma parte maior do todo. Ignoraram completamente o ciclo natural. Materialismo passou a ser o novo indicador.
      O progresso abalou o homem até onde a ambição alcança. Ele cada vez sabe mais, consegue mais e constrói mais. Só que não percebe, em sua escalada, a possibilidade da queda. Quando ele se der conta dos abusos que comete, será tarde demais para voltar.
      Há tempos a questão da preservação do meio ambiente entrou no dia-a-dia das discussões do mundo inteiro. O excesso de poluição emitida pelas indústrias e automóveis e a devastação das florestas são as principais causas do efeito estufa e finalmente se tornaram motivo de preocupação. Contudo, até agora, os resultados pró-natureza são insignificantes perto dos prejuízos causados a ela.
      Essa diferença tem razões econômicas. Não é simples nem vantajoso uma fábrica que emite grande quantidade de poluentes comprar equipamentos que amenizam tal emissão. O mesmo acontece com automóveis, grandes vilões do ar nas cidades. Segundo reportagens, carros e ônibus velhos poluem quarenta vezes mais do que os novos, e não é por falta de vontade que os donos não os trocam, e sim por falta de dinheiro. Concluímos, então, que o mundo capitalista inviabiliza um acordo com o meio ambiente e, enquanto isso, o planeta adoece.
      Outros problemas é a falta de informação e educação ambiental. Muitas pessoas ainda desconhecem os malefícios do efeito estufa, como, por exemplo, o aumento da temperatura e, como conseqüência, a intensificação das secas. Esse desconhecimento somado ao egoísmo e descaso humano trazem-nos uma visão de futuro pessimista. Das poucas pessoas cientes desse problema, muitas não o levam a sério e não tentam mudar suas atitudes buscando uma solução. Enquanto os efeitos dos nossos atos não atingirem proporções mais danosas, permaneceremos acomodados com a situação, deixando para nossas futuras gerações o dever de “consertar” o meio ambiente.
      A triste conclusão a que chegamos é a de que a prudência e o bom senso do ser humano não são mais fortes que a sua ambição e egoísmo. Estamos destinados a morrer no planeta que matamos..."
      Borda da Mata, 17 de agosto de 2.012.
      Gustavo Dantas de Melo                                                 

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

"A riqueza da simplicidade"

Os orgulhosos não podem ser felizes. Embora se julguem auto-suficientes, poderosos e incapazes de errar, no fundo bem conhecem suas limitações. É que a vaidade não os deixa admitir que são falhos, porque erros não são próprios de semideuses. E quando se defrontam com as suas imperfeições, sentem como que a casa caindo sobre suas cabeças. Sofrem atrozmente, pois, presunçosos, até haviam esquecido da realidade de que os seres humanos estão sujeitos à falibilidade.
Já as pessoas simples refletem a beleza de suas almas e são doces como o mel. Via de regra, tolerantes e bondosas, conscientes de que são passíveis de erros que procuram evitar, mas sempre dispostos a reconhecê-los. Por isso mesmo, mostram-se sorridentes, satisfeitas, despreocupadas, solícitas, disponíveis e atenciosas.
Pobreza não significa simplicidade, nem riqueza significa orgulho. Há pobres orgulhosos e ricos de extrema simplicidade, do mesmo modo que conhecemos ricos pobres e pobres ricos. É uma questão existencial que os fatos da vida e os meios de comunicação vão nos revelando. Basta termos olhos para enxergar e ler, e ouvidos para escutar.
Em minhas atividades profissionais, tive a oportunidade de identificar muitas vezes pessoas de ambas as espécies: vaidosas e simples. Também, com relação a ricos e pobres, pude sentir de perto muitíssimas vezes e ver confirmado o sábio ditado popular de que O POUCO COM DEUS É MUITO e O MUITO, SEM DEUS, É NADA.
Em Mogi das Cruzes, trabalhei seis anos na 3ª Promotoria com Walter Cruz Swensson, então titular da Terceira Vara, um dos melhores e mais dignos magistrados que conheci, hoje Desembargador aposentado do Egrégio Tribunal de Justiça de São Paulo. Modelo de juiz, pai de família, colega e amigo. É ele a simplicidade e a bondade em pessoa, alguém que, no exercício de suas nobres funções, sempre teve o maior respeito no trato com o ser humano.
Por outro lado, quando Promotor de Justiça da Comarca de Cruzeiro, ouvi rumores de que na vizinha cidade de Cachoeira Paulista alguém que lá exercia o cargo de Juiz fora cognominado O PRÍNCIPE”. É que Sua Excelência, de forma inusitada, ordenava que todas as audiências, por mais simples que fossem, se iniciassem com pregão pelo oficial de justiça.
E, sumamente vaidoso, fazia questão absoluta de que, após a menção dos nomes das partes e dos advogados, fosse anunciada, solenemente, como na época dos reis, a entrada do nobilíssimo e meritíssimo no recinto, ocasião em que todos se levantavam, reverentemente. Por essa razão, não deu outra: a sapiência popular, estranhando aquele procedimento incomum, foi logo encontrando a denominação super adequada: Fulano de Tal, o Príncipe.”
É pena que tantos se esqueçam da “lição da manjedoura” e de que são simples mortais! Será que vale a pena tanta arrogância, poder e vaidade?
Hitler foi um dos mais poderosos homens da terra e se julgava pertencente a uma raça superior. Seu orgulho o levou à prática de crimes contra a humanidade. Daí outro não poderia ser o epílogo de sua vida senão o desespero e o suicídio.
Os simples e humildes, porém, encontram e encontrarão sempre melhor sorte e, com certeza, além da admiração e do respeito que desfrutam dos seus concidadãos, possuirão a terra prometida nas bem-aventuranças ...
Borda da Mata, 08 de agosto de 2.012.
Gustavo Dantas de Melo
(Crônica extraída de meu livro "Reflexões", editado em 2001, edição APMP, págs. 29/30)

domingo, 29 de julho de 2012

"O Melhor da Festa do Milho"


      Há alguns dias, tive o prazer de ler um comentário fantástico (“A Fila”, publicado na página 02 da edição “214”, do Jornal “A cidade”, em 15/07/2012), de autoria da minha amiga Maristela Matos, a respeito da Festa do Milho. Naquela rica matéria, a articulista ressaltou a beleza do extraordinário trabalho conjunto de centenas de pessoas voluntárias unidas (800), para fazer acontecer esta festa tradicional da Paróquia de Nossa Senhora do Carmo.
     Dentre tantos lindos momentos artísticos que enriqueceram as apresentações da barraca central, presenciamos o “show” organizado pela “Oficina de Lazer, Cultura e Iniciação Profissional”, atualmente sob a regência de sua presidente, Professora Maria Rita Costa Bertolaccini, com a participação de dois outros membros da diretoria, Poli Brandani e Professor Antônio Carlos de Rezende.
      O trabalho que a Oficina vem realizando em nossa cidade, com apoio do Poder Judiciário, do Ministério Público e do Conselho Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente, é de valor inestimável. Trata-se da educação artística de crianças, contribuindo para formação de seu caráter e personalidade. São dezenas de meninos e meninas pobres, resgatadas muitas vezes da ociosidade ou do perigo da iniciação no vício do álcool e das drogas, para trilharem os caminhos do bem.
      Apresentou-se nesta noite memorável o “CORAL DA OFICINA”, com repertório selecionado e de muito bom gosto, interpretando as seguintes canções, algumas delas de autoria das próprias crianças do Coral em parceria com Poli:

    • Para Lennon e MacCartney” (Milton Nascimento);
    • Feito Borboleta” (Fernando Guimarães)
    • Pé de Paz” (Gabriel da Silva Rocha, Vítor Eduardo Santos Couto e Poli Brandani).
    • Cidade Bem Cuidada” (Helen Aparecida Pereira, Ana Luiza Silva Leopoldino, Grazielly Luísa dos Santos, Vitória Ketehen Ribeiro Moreira e Poli Brandani).
    • "Mandu" (Poli Brandani).
        Jamais poderemos esquecer de toda a imensa alegria e prazer que tomou conta da platéia, com a apresentação teatral da peça “Zé e Maria na Festa do Milho”. , interpretado pelo menino Uttoni Alfredo Brandani, com desenvoltura, naturalidade e segurança, como se já fosse um artista experiente e consagrado. Maria, interpretada pela menina Ana Luíza Silva Leopoldino, de maneira espontânea, graciosa e bela, de fazer inveja às atrizes mirins da Rede Globo de TV. Não aconteceu uma falha sequer de ambos os extraordinários artistas.
      O texto foi de precioso conteúdo, muito bem elaborado pelos responsáveis da benemérita entidade. Um sonoro e candente apelo, um brado de alerta aos prejuízos causados à humanidade pela degradação da natureza e poluição ambiental.
      Não dá para descrever em palavras, a emoção dos sentimentos que brotaram no coração da gente, ao perceber a riqueza do texto e ver a felicidade dessas crianças bonitas e seus pais, abrindo sorrisos e sentindo justificado orgulho de seus filhos.
     Nesta oportunidade, como testemunha feliz deste evento memorável, quero parabenizar os diretores da “Oficina do Bem”, as crianças e seus dignos pais. Caros amigos da Oficina, não há dinheiro que pague este seu maravilhoso trabalho, que é também de “construção de vidas”.
      Que Deus os abençoe e lhes dê saúde, paz, proteção e recompensas celestiais para que prossigam nesta relevante missão! Tenham absoluta certeza do reconhecimento público da grandeza da doação de suas horas de trabalho por causa tão nobre e de importante apoio às crianças carentes de nossa cidade!
      Como diz a canção:
       “Fica sempre um pouco de perfume nas mãos que oferecem rosas...”
     Borda da Mata, 29 de julho de 2.012.
     Gustavo Dantas de Melo

domingo, 22 de julho de 2012

"Fagulhas luminosas do escritor Jairo de Paula"

        Quando desfruto do prazer proporcionado pela leitura de um livro fora de série, sempre assinalo os trechos mais importantes da obra.
Ganhei um rico presente. Trata-se do livro “Desvendando a Vida”, publicado pela “Editora JP” que leva o nome do próprio autor, Professor Jairo de Paula, em terceira edição. É uma obra preciosa de um homem realmente “bendito”, que de fato é eficiente “cura para os males dos homens e da alma”, atingindo plenamente os objetivos do eminente autor.
Tomei o cuidado de selecionar algumas das “fagulhas luminosas”, uma pequena amostragem da riqueza desta autêntica jóia da literatura brasileira. Deliciem-se!
Saia do chão e alce voos. Deixe a matéria e toque o seu amor - a sua alma. Ah! se pudéssemos ver como é linda a nossa aura...”
Na essência da vida, o tempo tem outra cronologia... outro ponto fundamental do mundo é a compreensão. É preciso compreensão para ajudar seres humanos, pois muitos ainda estão sentados no banco da vingança, do ódio, da incompreensão e do orgulho. Não enxergam a luz que está próxima, trazendo a purificação, o entendimento e a paz do coração...”
É impossível ter bons frutos quando não se planta boa semente. É a relação de ação e reação. Só se colhe quando se planta... Mas nada é conquistado sem sacrifício. Assim, vale a pena a recompensa... Quem passa pela vida terrena sem responsabilidade deixa de viver, não consegue amar, não aceita e não acredita nos milagres da vida, que são um sinal do amor...”
Por isso, outra coisa que todos devem ter em mente, com muita transparência, é que a dor é inevitável e não existe aprendizado sem dor. Pois é por ela que se chega aos caminhos do Pai...”
Cuidar da vida e parar de brincar são escolhas, responsabilidade de cada pessoa. É preciso estar ciente de que seu caminho pertence a você e não ao outro, pois quem cuida de você é você mesmo. Não se pode querer tudo com perfeição, Deus dá o tempo certo para cada um se capacitar. Ninguém vem com “tudo pronto”, é uma construção...”
O homem sábio constrói sua família com fagulhas de amor... O que vem em primeiro lugar é a família, os outros serviços são apenas complementos... É um trabalho árduo, mas prazeroso... É Deus quem confia em nós e não o contrário. Mesmo com todas as agressões, estupidez e insensatez humanas. Deus nunca vira as costas, Ele está sempre nos confiando missões...”
É preciso que cada um se preocupe consigo, olhe para dentro de si e não exija a perfeição das pessoas, porque ninguém é perfeito. Não se pode exigir nada do outro, porque quem ama não exige, apenas ama... O caminho é longo, mas a vida é vasta de conhecimento... Cada um vai trilhar sua caminhada, fazer sua escolha, e ela vem de dentro, do fundo do coração, da alma. Cada um será responsável, não podendo culpar os outros pelas opções feitas...”
O ser humano precisa “humanizar-se” novamente, porque depois que foi criada toda essa modernidade de coisas, ele se esqueceu do bem comum, do amor ao próximo. Tem plantado tempestade e fica esperando bons frutos, e quando é o tempo da colheita, culpa os outros por sua própria incompetência...”
Amigos, aguardem para breve novos trechos desta obra monumental do escritor Jairo de Paula.
Borda da Mata, 22 de julho de 2.012.
Gustavo Dantas de Melo