Introdução

Seja bem-vindo a este “blog”!

O meu objetivo é o de colaborar para a construção de um mundo melhor. Com este intento, pretendo que este espaço seja recheado de pensamentos, poemas, poesias, quadras e textos de minha autoria e de autores diversos.

Espero que a leitura das matérias aqui publicadas lhe tragam descontração e prazer.

Meus dados biográficos:

Gustavo Dantas de Melo, natural de Borda da Mata/MG. Sou filho dos saudosos Agenor de Melo e Maria Dantas de Melo. Casei-me com Maria Jóia de Melo, filha do comerciante Luiz Jóia Orlandi e Maria Delfino Jóia, donos do antigo “Bar do Ponto”, que serviu como o primeiro terminal rodoviário de Borda da Mata. São nossos filhos: Regina Maria (namorado Rafael), Luiz Gustavo (casado com Adriana), Rosana Maria (casada com Darnei) e Renata. Netos, por ordem de chegada: Gabriel, Mariana, Gustavo, Ana Júlia, João Vítor e Ana Luíza.

Advogado, professor secundário e universitário. Promotor de Justiça dos Estados de Minas Gerais e de São Paulo, tendo sido titular das Comarcas de Bueno Brandão/MG, São Luiz do Paraitinga, Cruzeiro, Mogi das Cruzes e São Paulo. Encerrei a carreira ministerial como Procurador de Justiça de São Paulo/SP. Atualmente, exerço a advocacia em Borda da Mata, minha cidade natal e na região do Sul de Minas Gerais.

Autor da obra “Reflexões”, editada pela APMP, em 2001, uma coletânea selecionada de artigos publicados durante o período em que fui diretor chefe do jornal “A Cidade” de Borda da Mata. Em 2009, trouxe à lume minhas “Farpas do Coração”, um livro de memórias, em que registro fatos vivenciados em quase meio século de vida familiar, social e profissional. Ao mesmo tempo, revelo personagens e acontecimentos pitorescos da querida cidade natal, transmitindo, sobretudo, minha experiência ministerial e vivência na cátedra do magistério universitário, ao abordar temas políticos e jurídicos de manifesto interesse nacional.



sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

"Ela não decepciona"

          No limiar do Ano Novo, parece-me oportuno o tema “esperança”, esse combustível tão necessário para alimentar o motor da vida.
         Aos leitores amigos, trago esta página em que a terapeuta familiar, Maria Helena Brito Izzo, articulista da “Família Cristã”, disseca a matéria, com riqueza de detalhes. Sem qualquer dúvida, reputo importante começarmos 2.012, conscientes de que podemos e devemos acreditar no êxito de nossos projetos.”

          “Ela não decepciona”

          “A esperança é uma virtude que está relacionada com o futuro, pois significa esperar algo que ainda não existe e ver, em meio ao mistério impenetrável do porvir, a possibilidade de que isso se concretize. Ela é o sonho que a gente deseja ver realizado.
Sem esperança as pessoas não vivem, nem andam para frente e o mundo acaba para elas, pois é essa virtude que nos move a trabalhar em função de concretizar sonhos e projetos de vida e construir um mundo melhor. Esse desejo ativo pelo que ainda não existe ilumina nossa existência, nos enche de força e nos capacita a caminhar na expectativa do que virá.
A esperança sozinha, contudo, não leva a lugar nenhum. Como se diz popularmente, não adianta esperar sentado. É preciso se mexer, tendo a esperança como combustível, o sonho como meta e fazendo as coisas acontecerem.
Força interior - Algumas pessoas não vivem de sonho e esperança, mas, sim, de fantasia. O sonho pode ser alcançado quando se luta por ele. Já a fantasia não, é imaginação. Muitos até chegam a acreditar nela, mas, sendo irreal, não nos impulsiona à ação. Desvinculada da realidade, ela, muitas vezes, constitui um mecanismo usado para nos enganar.
Ao contrário disso, psicologicamente, a esperança é tudo: quero ficar bem, serei feliz, terei um bom emprego, hei de comprar minha casa, vou ser útil aos outros. Estas convicções nos levam a agir em direção à meta e mobilizam todas as nossas forças interiores. Mas não existe esperança sem fé, pois esta constitui a certeza da conquista do objetivo e da existência daquilo que se espera. Ela emana para a mente vibrações positivas, que sustentam a esperança e mobilizam forças interiores extraordinárias e miraculosas. Várias pessoas, por exemplo, depois de sofrerem um acidente, voltam a andar impulsionadas unicamente pela fé e esperança.
Por isso, quem não tem uma nem a outra está perdido diante das atribulações e dos desafios da vida. Viver é apostar no futuro, e quem tem esperança está sempre fazendo algo positivo para si mesmo, para os outros e para o mundo.
Abrir presentes - Dia desses, ouvi uma frase assim: 'A vida nos dá muitos presentes, mas temos que saber desembrulhá-los'. Ter esperança é estar consciente de que os presentes nos foram dados. Cabe-nos abri-los, um a um, com cuidado, amor, interesse e entusiasmo.
E claro que não podemos fugir da realidade. O mundo está mal? - Está. Enfrentamos inúmeros problemas? - Enfrentamos. Esses são os fatos, mas o importante é como os administramos: o que fazer diante do mundo que está aí? Quais metas coloco para mim e como posso alcançá-las? Administrando isso de forma a não se contaminar pelas coisas negativas e procurando acreditar em Deus, no amor e no ser humano, vivemos com esperança. Se não o fizermos, corremos o risco de desanimar e ficar parados no meio do caminho.
A esperança não está nos fatos, mas dentro de nós, na forma como os enxergamos e os projetamos para o futuro. Estamos vivendo sempre o momento presente, o efêmero, e avançando para o futuro, o mistério. Isso, sem dúvida, deixa-nos inseguros e temerosos. Ter esperança é vencer o medo, acreditando que o melhor ainda virá. A falta dela pode levar à morte, não só física ou biológica, mas também mental, emocional e social, que são frutos da estagnação e da resignação. Mesmo em meio à pior catástrofe, é possível perceber alguma coisa boa ou encontrar algo que transcenda aquele fato. Se houver nada de bom, você tem a si mesmo e o maior presente que Deus lhe deu: a vida.”
* Maria Helena Brito Izzo é terapeuta clínica e familiar.
Publicado na Revista “Família Cristã”, dezembro/98.

domingo, 1 de janeiro de 2012

"Sonhar é preciso, mas agir é fundamental"

           Ano Novo é tempo de refletir e meditar sobre o que conseguimos realizar no decorrer do ano que passou celeremente. Se porventura houve falhas, é importante reconhecer humildemente os erros e encontrar meios de corrigi-los.
Ainda há pouco tempo atrás, comemorávamos o início efetivo do novo milênio e término do século vinte. É o retrato da vida que passa como um sonho fugaz. De fato, apenas um século é o bastante para que todos nós, que vivemos em nossa querida Borda da Mata, já tenhamos partido para a eternidade. Equivale dizer que, em 2.112, certamente ninguém de nós estará vivo aqui, nem mesmo os que acabam de nascer. Estou mencionando um século, mas apenas 50 anos bastariam para renovar a maioria da população.
          Isso vem demonstrar que precisamos reconhecer nossa fragilidade. É necessário nos despirmos de qualquer sentimento de vaidade, orgulho e egoísmo, porque daqui somente levaremos o bem que conseguirmos concretizar. Como sempre diz, com inteiro acerto, meu irmão Agenor de Mello Filho, “caixão de defunto não tem gaveta”.
          É hora de ação concreta. É importante sacudirmos a tentação de ir adiando para amanhã a execução de planos e sonhos. Basta de acomodação e vamos partir para a realização de nossos projetos, aqui e agora, enquanto temos tempo e saúde! Amanhã talvez não tenhamos a mesma disposição e vontade de concretizar o que temos em mente e a frustração será inevitável.
Estou falando principalmente para mim mesmo. Por exemplo, tendo várias matérias publicadas em meu “blog”, poderei reuni-las – quem sabe- em “Novas Reflexões”. Tenho ainda outro projeto de livro, “Direito ao Alcance de Todos”, já no prelo e que venho protelando. Preciso reformular o meu trabalho e encontrar um meio de tornar realidade estes desejos. “Sonhar é preciso, mas agir é fundamental”.
         Tenho ainda muitos outros planos, principalmente com relação à Guarda Mirim Irmã Martha, essa maravilhosa entidade da qual ainda sou um dos diretores. A instituição, credenciada por seus trabalhos há mais de 22 anos, precisa muito do apoio dos políticos, empresários e do povo, para construir sua sede própria e nela instalar-se um grande galpão industrial, para o ensino profissionalizante dos adolescentes em geral.
          O projeto idealizado, nos moldes da co-irmã de Amparo/SP, compreende área de lazer e esporte, além de auditório para palestras e encontros com os guardinhas e seus familiares. O terreno amplo – mais de 2.000 m2 - já foi doado à entidade, ao lado da nova construção da APAE, pelo nosso saudoso sócio benemérito, Senhor José Lauro Megale. Portanto, meio caminho andado.
          Sem qualquer dúvida, esta obra é absolutamente necessária e, com certeza, poderemos também contar com a ajuda da instituição paulista “Pró mais vida”, que em Amparo/SP, fez importante doação de materiais de construção, cozinha industrial e praticamente mobiliou a sede daquela Guarda Mirim.
          A realização deste sonho depende apenas da vontade política de buscar os recursos necessários para tão importante obra. Indiscutível seu elevado alcance social para os adolescentes bordamatenses, pois se trata de prioridade das mais autênticas que dignificaria qualquer administração.
          Aproveito o ensejo, para apresentar a cada um dos nossos prezados leitores meus sinceros votos de PRÓSPERO ANO NOVO.
          Borda da Mata, 01 de janeiro de 2012.
          Gustavo Dantas de Melo

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

"Alegrias da Missão Paterna"

          Ser pai ou ser mãe é algo indescritível que não dá para explicar. É sentir toda a beleza da paternidade e maternidade, a grandeza do amor mais singelo e puro, que não pede nada em troca. Somente aqueles que passaram pela experiência podem entender e avaliar. É uma emoção ímpar que acelera o coração da gente, porque envolve um sentimento maior, indefinível como o infinito.
         O casamento de uma filha ou filho é outro acontecimento de nível semelhante que toca, profundamente, o coração de qualquer pai ou mãe. Levar ao altar aquela ou aquele que vimos nascer e acompanhamos os passos, com todo o carinho, é também uma emoção transcendental. Um momento importante de nossas vidas, pois marca o cumprimento de uma etapa, dentro da missão especial que Deus nos confiou.
          Outras experiências marcantes enchem de sentido a vida daqueles que abraçaram a tarefa de edificar a sua prole. As sementes frutificam e se desabrocham em flores do jardim familiar. Eis que surgem netos e netas, renovando as mesmas emoções outrora experimentadas com a chegada dos filhos e filhas. Assim, nos sentimos fortes e orgulhosos, ao percebermos nos traços fisionômicos de nossos descendentes algumas de nossas marcas registradas. É a sensação verdadeira de perpetuidade, de realização pessoal e constatação da perenidade do amor que nos une, assim, com laços inquebrantáveis.
          Os anos vão passando celeremente e, de repente, tudo se reinicia, num passe de mágica, agora com os netos. As angústias nos momentos de aflição, as preocupações e trabalhos normais da vida, buscando sempre o melhor para o futuro daqueles a quem amamos.
          Como simples mortais, sofrimentos, doença e até mesmo dolorosa despedida fazem parte desta caminhada. Os mais idosos e, acidentalmente alguém mais novo, regressam à Casa do Pai de todos nós e Autor da vida. Mais dia, menos dia, deste retorno ninguém escapa. “Não temos aqui cidade permanente, mas vamos em busca da futura!”
          É claro, porém, e faz perfeita lógica, que este novo céu, nova casa e nova terra, possibilitarão a continuidade deste amor, por toda a eternidade. Do contrário, a vida não teria sentido algum. À luz da fé, sabemos que um dia estaremos todos juntos, ascendentes e descendentes, na Casa revelada por Jesus, que veio “para nos dar vida e vida em abundância”.
          A ausência temporária daqueles que amamos e a saudade podem nos machucar – e de fato são doloridas – mas a certeza deste futuro reencontro, pela Misericórdia Divina, é a força que nos impulsiona a sentirmos alegria em qualquer circunstância.
          Amigos, por tudo isto, como é bom sermos pais e mães! Reconheçamos que a tarefa não é fácil diante de nossas falhas e limitações. Mas, se Deus confiou em nós, entregando-nos esta missão de amor, tão nobre e gratificante, sejamos dignos dela!
          Borda da Mata, 28 de dezembro de 2.011.
          Gustavo Dantas de Melo

sábado, 24 de dezembro de 2011

"Os Dois Lados"

        Hoje, trago para vocês texto de um cronista de primeira linha. Sempre bem humorado, os seus escritos são muito agradáveis.
         De forma especial, esta crônica fala de nossa querida Mogi das Cruzes e da Vila Oliveira, onde moramos 16 anos e lá deixamos grandes amigos. É muito bom recordar os lugares que fazem parte de nossas vidas.
         “Os dois lados”
         * Rúbens Sudário Negrão
         "Estive em Mogi das Cruzes, visitando os dois filhos e famílias, cheirando as crias, como dizem os caboclos.
         Fiquei 7 dias, retornando logo, para júbilo das noras. Dizia meu pai (com sabedoria) que o hóspede dá duas alegrias: uma no dia que chega e outra no dia que vai embora. Aliás, as duas referidas noras são ótimas esposas e mães. Tão boas que lhes fiz um pedido e tenho sido atendido. Durante minha estada em suas residências, nenhuma falou “ufa” e se o fizer nunca mais volto lá. Por outro lado, embora eu seja um cara chato, prepotente, machista, sistemático, cheio de hábitos, ainda não vi nenhuma colocar a vassoura atrás da porta, com um garfo espetado, remédio infalível para que o hóspede se mande.
         Mogi das Cruzes é uma cidade grande, rica, cheia de vida e progresso, com fábricas, duas universidades, onde se você jogar uma tarrafa, pega no mínimo duzentos japoneses ou descendentes.
         Adoro o lugar, principalmente por causa dos filhos e das cinco netinhas, que são bonitas “paca”. Aliás, os aludidos descendentes estão no afã maravilhoso de fabricar gente. Só que são exagerados: ambos têm gêmeas, o que me deixa preocupado. Logo não mais terei dinheiro nem para o cigarro, pois minha mulher é do tipo avó-mel e tarada para dar presentes: casaquinhos, capinhas, sapatinhos, macacãozinhos, bolas, brinquedos de corda, boneco eletrônicos e outros bichos. Assim não há tatu que agüente! Entretanto, uma coisa me consola e me vinga. Atualmente, os pais compram (e lavam) fraldas. Quero ver quando tiverem de adquirir vestidos e “modess”.
         O ruim de Mogi é o frio. A cidade fica junto de uma serra (parece que é a Serra do Itapeti), que está sempre fumando, cheia de névoa e mistério. Acho que lá deve ter fantasmas aos montes. De noite não ando sozinho de jeito nenhum. Há uma diferença de temperatura de, pelo menos, dez graus, entre Itápolis e Mogi. Nesta época, a gente tem de andar de pulôver, roupa de lã, luvas, ceroula de flanela (tipo minhocão) e capuz (coisa ridícula). Mesmo assim, com o frio gelado e úmido, a gente procura e não acha ... o que é constrangedor.
         Para chegar às casas dos filhos (ambos moram na Vila Oliveira) a gente passa ao lado de um “big” cemitério, com um medão desgraçado, porque, realmente, a porta do desconhecido apavora.
         Vai daí, estive pensando outro dia. Com o correr do tempo, os parentes mais queridos, os amigos mais diretos, os amores também, estão partindo. Pouca gente que amo ainda está deste lado. Quase todos já foram embora. Meus cuidados e minha dedicação, minhas preces não têm adiantado nada. Não consigo impedir a debandada, o que é muito triste, o outro lado já conta com uma multidão imensa, formada pelos que foram caros. Dizem que é a lei, que assim deve ser.
         Por mim acho que os pais, os filhos e os amigos deveriam ser eternos. Às vezes, fico pensando: será que ainda tenho alguma coisa a fazer neste lado, onde quase mais ninguém me escuta, me dá atenção, onde minhas idéias estão ultrapassadas? Em algumas oportunidades tenho a impressão que estou vivendo por teimosia, de favor. Resta apenas um consolo; no futuro, quando chegar ao outro lado, meu Pai, minha Mãe, meus parentes, meus amigos, meus amores, vão me receber de braços abertos, cheios de carinho, cheios de amor. Talvez, Jesus e Deus também estejam lá."
          (* Rúbens foi advogado/SP; nasceu em 1924 e faleceu em 1996).

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

"A resposta de Deus"

        A morte, embora seja algo comum aos seres humanos, continua sempre surpreendendo. Chega como um ladrão em hora inesperada, como revela a sagrada escritura. E a surpresa é muito maior, quando a vítima é de pouca idade, porque contraria a ordem natural das coisas.
       Sempre que nos defrontamos com fatos desta natureza, a razão humana busca uma resposta, procurando entender tão profundo mistério. Buscamos uma explicação, gostaríamos de saber por que motivo a morte tantas vezes atinge crianças e jovens ainda no alvorecer de sua existência. Entretanto, das muitas respostas que surgem através das teses religiosas e filosóficas, estou convencido de que os desígnios de Deus são insondáveis.
       Muitas vezes, essa resposta é revelada no íntimo do coração daquele que fala com o Senhor, batendo à sua porta. À luz da fé, sempre encontramos o remédio que conforta. Mas, acredito que, em alguns casos, nossa humana compreensão é incapaz de entender. Só mesmo na eternidade descobriremos as razões de tais acontecimentos.
       Em seu livro, “Cristo me marcou”, sob o título "A Resposta de Deus", Edições Paulinas, 3a. ed., páginas 48 a 50, o valente cristão Mário Ottoboni, escritor da cidade paulista de Jacareí, a quem tive a honra de conhecê-lo, pessoalmente, notável criador da Associação de Proteção e Assistência ao Cárcere (APAC), relata o importante testemunho da Sra. Ana Adelaide Palmeira de Souza, que fizera o 15º Cursilho de Cristandade da Diocese de Taubaté:
       “Quando tive a notícia do falecimento do menino Pedro Loreto, filho de um amigo, dirigi-me imediatamente para sua casa.
        Que quadro triste! Aquela criança, outrora tão viva, tão engraçadinha, ali estava inerte, sem vida.
        Lembrei-me então das várias vezes que estivera com aquele menino e das vezes em que apenas passava em frente à sua casa e ele dizia ao meu marido:
        - Oi, tio, o senhor não está esquecendo de nada? Não vai dar dinheiro para eu comprar sorvete?
       Uma revolta surda começou a crescer dentro de mim e eu pensava: se Deus existisse, ele não permitiria que uma criança como esta sofresse, como sofreu, dores terríveis, mal-estar, febre e ânsias. Se Deus fosse pai, faria sofrer aqueles que prejudicaram os outros, aqueles que só sabem praticar maldades e não uma criança boa, pura, inocente como esta. Morrer com apenas 6 anos de idade ...
Então, por que nasceu? Só para sofrer?
E assim, não só durante aquela tarde e aquela noite, quando velava o corpinho sem vida, fui me remoendo em pensamentos, mas após o enterro e durante toda a semana. Pensei: vou pedir ao Padre Rodolfo que me ilumine e tire esta revolta de dentro de mim, ou talvez rezando eu encontre resposta para a minha dúvida.
       Assim que saí de casa, quase na entrada principal do cemitério, encontrei justamente aquele amigo que havia perdido o filho e antes que eu lhe dissesse qualquer coisa, ele falou:
        - “Sabe? Esse menino que perdi, foi o anjo que Deus mandou à terra com a missão de salvar a minha alma. Eu sempre fui mau, vingativo. Não perdoava ninguém e o que eu pudesse fazer para prejudicar os outros, eu fazia. Você mesma sabe disso, Adelaide. Lembra-se de tudo o que eu fiz aos meus inimigos políticos? Agora, depois de ver meu menino sofrer durante esses últimos meses (leucemia), meu coração foi se abrandando e hoje não sou mais capaz de prejudicar ninguém, nem mesmo uma mosca.”
         - E depois com muita emoção:
        - 'Essa criança foi mandada por Deus para redimir os meus pecados. Agora eu sou um convertido e de hoje em diante só praticarei o bem.'
        Finalizando, Ana Adelaide Palmeira de Souza afirma com segurança:
       'Foi uma grande lição que recebi, quando pensei que Deus não era Pai e cometia injustiças.
      Deus sabe o que faz! Nós, em nossa pequenez e miséria, é que não sabemos compreender as coisas e os seus porquês'."
       Borda da Mata, 19 de dezembro de 2011
       Gustavo Dantas de Melo

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

"É tempo de esperança"

         Depois do nascimento de Jesus, o mundo nunca mais foi o mesmo. Esse fato importantíssimo dividiu a história. O Natal do Menino Deus trouxe a Boa Nova, fez revelações que encheram de sentido a vida humana. Deus é nosso Pai e nosso destino, a eternidade feliz. Por isso, Natal e Ano Novo é tempo de festa, alegrias e de esperança.
         Mais um ano se passou no calendário da nossa existência. O nosso barco segue navegando em ondas, por vezes calmas, por vezes revoltas como a tempestade que castiga e aflige o náufrago. Mas, apesar de tudo, a rota ainda persiste e acreditamos que, ao final da jornada, a embarcação aportará em terra firme. Tudo acabará bem como nas novelas.
        Fim de ano é tempo de balanço e de renovação das esperanças. Balanço das nossas atividades, ações e omissões, o que fizemos e o que deixamos de fazer. Foram muitas as realizações, os objetivos alcançados; mas, por outro lado, também nos defrontamos com fracassos, decepções e erros cometidos. Tudo tem valor e nos é muito importante! Tudo representa para nós um rico aprendizado de experiências bem ou mal sucedidas.
        É tempo também de renovação de esperanças. Acreditar sempre em nossas potencialidades. Acreditar que, com pequenas correções de rumos e falhas, poderemos retomar as atividades com total possibilidade de êxito. As dificuldades serão superadas, com força de vontade e perseverança. Afinal, sem elas não haveria graça. São elas que dão sabor à vida, pois vale a pena enfrentá-las e sentir a alegria da superação dos obstáculos. O importante é continuar caminhando, com a certeza de que estamos na rota certa. A vitória é apenas uma questão de tempo.
          O ano de 2011 foi cheio de lutas. Não foi fácil, mas vencemos a batalha, graças ao apoio de nossos clientes, colegas de trabalho voluntário, leitores, amigos e familiares, aos quais desejamos um Ano Novo pleno de saúde, paz e grandes realizações. Foi muito bom sentir que valeu a pena o trabalho para a concretização dos ideais que abraçamos, por um mundo melhor!
          Quando as cortinas do Ano Velho se fecham, no horizonte do tempo cintila a luz do Ano Novo que se inicia, ao espocar dos fogos que anunciam a sua chegada. Oxalá 2012 seja um marco na história de Borda da Mata, de Minas e do Brasil, na expectativa do sucesso de seus governantes!
         Oxalá o mundo reencontre os caminhos da paz e os povos possam se dar as mãos, abandonando seus projetos homicidas, dispostos a baixar suas armas de destruição e morte! Que os homens de todas as nações aprendam a respeitar os direitos, a honra e a dignidade dos outros, seus irmãos, a amar a liberdade, a paz e a cultuar os valores eternos e duradouros!
          Borda da Mata, 14 de dezembro de 2.011.
          Gustavo Dantas de Melo

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

"Servir é amar"

        É bem conhecido o pensamento “Quem não vive para servir, não serve para viver”.
De fato, aquele que vive somente para si é um ser socialmente inútil. Quando isso acontece, facilmente se constata a presença do egoísta, ou quem sabe de alguém que se julga superior aos demais com quem se relaciona.
       Quem cursa as Ciências Jurídicas e Sociais, aprende logo no primeiro ano, nas lições de “Introdução ao Estudo do Direito”, que o homem é um ser social. Precisa viver em sociedade para satisfação de suas mais elementares necessidades. E vivendo em sociedade, surgem inevitáveis conflitos de interesses, impondo-se a existência de normas de convivência. Daí surgem naturalmente regras, leis disciplinadoras de conduta. Por isso, a sabedoria dos romanos sintetizou esta realidade vivencial com o refrão: “Ubi societas, ibi Jus(onde há sociedade, aí está o Direito), como se fossem faces de uma única moeda.
       Dessas considerações iniciais, se extrai a conclusão lógica de que o homem não vive só e que está na dependência de outros, para preservação de seus múltiplos interesses. Já em sua gestação no ventre materno, desde a concepção, viveu em estrita dependência de sua mãe. Após o nascimento, não sobreviveria sem a ajuda de seus pais e, depois, até a adolescência e maturidade, quantos não interferem na sua formação?
       Assim, a beleza da existência consiste em nos reconhecermos “pequenos”, na medida em que todos vivemos na dependência uns dos outros. É como se a vida fosse grande orquestra e cada um de nós um dos seus instrumentistas, para harmonia do conjunto. Cada elemento dá a sua contribuição para o resultado que todos desejam. Se alguém desafina, todo o conjunto é prejudicado. Daí ser necessário e muito bom que tenhamos dons e trabalhos diversos. O mundo, por exemplo, seria fedorento sem lixeiros.
       Ninguém, por mais importante ou poderoso que seja, pode afirmar “não preciso de ninguém”. Na primeira dor de barriga, correrá até a farmácia em busca do remédio que possa lhe curar. O dinheiro compra muita coisa, mas o amor verdadeiro não... Este é gratuito, não pede nada em troca. É um dar, sem preocupação de receber.
        Quem ama tem prazer em servir, porque o seu objetivo é fazer feliz o ser amado. Compartilha da alegria deste como se sua fosse. Ou melhor, a felicidade de quem ama é condição sem a qual não conseguiria sorrir. O amor familiar é prova eloquente dessa grande realidade ora abordada.
       Também na vida social, não podemos ficar indiferentes ao que acontece com a comunidade. A omissão é um pecado grave, que somente se justifica em caso de doença que impossibilite nossa participação. Se vivemos na mesma cidade, os problemas que a afetam nos dizem respeito, diretamente. Assim como fomos beneficiados pelas realizações que nos garantem melhor qualidade de vida, também somos prejudicados pelas omissões e falhas que prejudicam toda a comunidade.
        Portanto, servir é um mandamento cívico que deve nortear a consciência do cidadão. Colocar nossas potencialidades, gastar algumas horas, gratuitamente, em favor da comunidade, é uma atividade que sempre nos traz a alegria do dever cumprido. Se recebemos tanto de Deus e temos saúde, é um privilégio poder servir. É verdade que, numa sociedade onde parece vigorar a Lei de Gerson (LEVAR VANTAGEM EM TUDO), muitas vezes alguns julgam os outros por si próprios. Daí muitas vezes surgirem interpretações maldosas por parte daqueles que desvirtuam os atos dos que são capazes de dedicar parte do seu tempo, sem qualquer paga, para o bem e progresso dos que mais necessitam de ajuda.
      Inveja, ingratidão, incompreensão são obstáculos que, com esforço, conseguimos superar. Pena que tantos ainda não tenham aprendido a sentir o sabor e a alegria de amar e servir, desinteressadamente!...
       Borda da Mata, 09 de dezembro de 2011.
       Gustavo Dantas de Melo