Introdução

Seja bem-vindo a este “blog”!

O meu objetivo é o de colaborar para a construção de um mundo melhor. Com este intento, pretendo que este espaço seja recheado de pensamentos, poemas, poesias, quadras e textos de minha autoria e de autores diversos.

Espero que a leitura das matérias aqui publicadas lhe tragam descontração e prazer.

Meus dados biográficos:

Gustavo Dantas de Melo, natural de Borda da Mata/MG. Sou filho dos saudosos Agenor de Melo e Maria Dantas de Melo. Casei-me com Maria Jóia de Melo, filha do comerciante Luiz Jóia Orlandi e Maria Delfino Jóia, donos do antigo “Bar do Ponto”, que serviu como o primeiro terminal rodoviário de Borda da Mata. São nossos filhos: Regina Maria (namorado Rafael), Luiz Gustavo (casado com Adriana), Rosana Maria (casada com Darnei) e Renata. Netos, por ordem de chegada: Gabriel, Mariana, Gustavo, Ana Júlia, João Vítor e Ana Luíza.

Advogado, professor secundário e universitário. Promotor de Justiça dos Estados de Minas Gerais e de São Paulo, tendo sido titular das Comarcas de Bueno Brandão/MG, São Luiz do Paraitinga, Cruzeiro, Mogi das Cruzes e São Paulo. Encerrei a carreira ministerial como Procurador de Justiça de São Paulo/SP. Atualmente, exerço a advocacia em Borda da Mata, minha cidade natal e na região do Sul de Minas Gerais.

Autor da obra “Reflexões”, editada pela APMP, em 2001, uma coletânea selecionada de artigos publicados durante o período em que fui diretor chefe do jornal “A Cidade” de Borda da Mata. Em 2009, trouxe à lume minhas “Farpas do Coração”, um livro de memórias, em que registro fatos vivenciados em quase meio século de vida familiar, social e profissional. Ao mesmo tempo, revelo personagens e acontecimentos pitorescos da querida cidade natal, transmitindo, sobretudo, minha experiência ministerial e vivência na cátedra do magistério universitário, ao abordar temas políticos e jurídicos de manifesto interesse nacional.



quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

"É Tempo de Esperança"

        Mais um ano se passou no calendário da nossa existência. Em sua trajetória, nosso barco andou navegando em ondas, por vezes calmas, por vezes revoltas como a tempestade que castiga a embarcação ameaçada de naufrágio. Mas, apesar de tudo, persistiu em sua rota e felizmente, ao final da jornada, navio e tripulação aportaram em terra firme. Tudo acabou bem como nas novelas.
         Agora, no limiar de um ano novo, é tempo de planejamento. Balanço das nossas atividades, ações e omissões, o que fizemos e o que deixamos de fazer. Foram muitas as realizações, os objetivos alcançados; mas, por outro lado, também nos defrontamos com os insucessos, decepções e erros cometidos. Tudo teve muito valor e foi para nós muito importante! Os fatos vivenciados no ano que finda constituem sempre um rico aprendizado de experiências bem ou mal sucedidas.
         É tempo também de renovação das esperanças. Acreditar sempre em nossas potencialidades. Acreditar que, com pequenas correções de rumos e falhas, poderemos retomar as atividades com total possibilidade de êxito. As dificuldades serão superadas, com força de vontade e perseverança. Afinal, sem elas não haveria graça. São elas que dão sabor à vida, pois vale a pena enfrentá-las e sentir a alegria da superação dos obstáculos. O importante é continuar caminhando, com a certeza de que estamos na rota certa. A vitória é apenas uma questão de tempo.
         O ano de 2012 foi cheio de lutas. Não foi fácil, mas tivemos a alegria de vencer todas as batalhas em que nos empenhamos. É certo que pudemos contar com a compreensão e apoio dos familiares, amigos e colegas de trabalho profissional e voluntário. Sobretudo, Deus esteve ao nosso lado em todos os momentos. Foi muito bom sentir que valeu a pena a luta para a concretização dos ideais que abraçamos, por uma cidade mais fraterna e um mundo melhor!
         Quando as cortinas do Ano Velho se fecharam, no horizonte do tempo cintilou a luz do Ano Novo que se iniciou, ao espocar de belíssima e demorada queima de fogos, anunciando a sua chegada. Houve motivos de sobra para a alegria que sentimos em tão importante comemoração.
         Oxalá 2013 seja um marco na história de Borda da Mata, de Minas e do Brasil! Que os corruptos recentemente condenados sejam efetivamente recolhidos na prisão, para que a Justiça não seja desmoralizada e sirva de exemplo para os maus políticos.
         Que o mundo reencontre, finalmente, os caminhos da paz e os povos possam se dar as mãos, abandonando seus projetos homicidas, dispostos a baixar suas armas de destruição e morte!
         Que os homens de todas as nações aprendam a respeitar os direitos, a honra e a dignidade dos outros, seus irmãos! Aprendam também a amar a liberdade, a paz e a cultuar os valores eternos e duradouros!
          Borda da Mata, 09 de janeiro de 2.013.
          Gustavo Dantas de Melo

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

"Alegria do dever cumprido"


          A marcha implacável do tempo está sepultando o velho ano de 2012, com os seus bons e maus momentos. É hora de se dar um balanço nas atividades desenvolvidas ao longo do ano e fazer uma revisão necessária para prosseguir a jornada.
Logicamente não foram só rosas, mas os espinhos também nos machucaram os pés no caminhar do dia a dia. As rosas, com seu perfume inebriante, foram as muitas alegrias e estímulos que sentimos ao longo do ano, mercê da bondade do Senhor. E os espinhos foram as tristezas das decepções e mágoas normais do relacionamento cotidiano. Mágoas causadas pelo egoísmo, característica do ser humano que busca o próprio interesse e não percebe a prática da injustiça e do desamor. Tudo, porém, já está superado pelo perdão, que é redentor. O rancor não faz bem ao coração. É melhor esquecer, mesmo porque de criaturas humanas, com suas falhas e limitações, não se pode esperar a perfeição.
          O mais importante é podermos sentir no íntimo a sensação de paz que traz a alegria do dever cumprido. É ter a certeza de que trabalhamos muito em 2012, principalmente pela comunidade, dando continuidade ao Projeto “Construir Vidas” da Guarda Mirim Irmã Martha.
          Sabemos que 2013 será um ano difícil para a entidade. Alguns recursos necessários à sua manutenção vão ser cortados. Precisamos mais do que nunca da compreensão daqueles que pagam imposto de renda, para direcionar ao FIA, em abril próximo, parte do imposto devido ao governo federal. A própria lei faculta esse gesto em favor das crianças e adolescentes de nossa cidade. Mas, por incrível que pareça, muitos preferem mandar essa parcela disponível do seu IR para Brasília do que deixá-la em Borda da Mata. É pena tamanho desperdício de recursos!
         É hora de agradecermos ao Poder Judiciário e ao Ministério Público, ao Prefeito, aos nossos empresários e colaboradores, diretos e indiretos. Todos aqueles que, de alguma forma, ajudaram na manutenção da Guarda Mirim. E, felizmente, foram muitos os que nos prestigiaram, reconhecendo o valor e alcance social desse notável trabalho de promoção de vidas.
         Estamos perto de completar 23 anos de existência. Nossa Diretoria e Conselho Fiscal são constituídos de elementos capazes e probos, dispostos a dar continuidade a esse relevante trabalho voluntário. Deixar de apoiar a entidade, podendo fazê-lo, sem qualquer ônus financeiro, é um pecado de omissão, grave e imperdoável.
          Nesta oportunidade, queremos desejar a todos um Próspero e Feliz 2013, sob as bênçãos de Deus e a proteção de Nossa Senhora do Carmo! Que a saúde conserve em cada um a alegria de viver e que todos os seus sonhos e projetos se transformem em realizações!
          Borda da Mata, 26 de dezembro de 2012.
          Gustavo Dantas de Melo

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

"Lembranças de Natal"

           Está chegando uma época toda especial. Com a aproximação do Natal, em cada coração renasce o amor. O suave encanto do saudoso tempo de criança, o embalo das lindas canções, o tanger do sino da velha igreja, a missa do galo à meia noite, que não podíamos perder e, sonolentos, aguardávamos a hora. Já de manhã, ao despertar, a alegria de recebermos o presente esperado, que, misticamente, aparecia ao lado dos nossos sapatos.
Lembranças que guardamos na memória, desse tempo bom e feliz da infância. O carinho de nossos saudosos pais e tios, que tão bem nos acolhiam e sempre tinham algo para nos oferecer, com generosidade ímpar. Todos esses gestos de amor e afeto ficaram gravados no mais recôndito de nossos corações e constituem a nossa melhor recordação. Na verdade, é a força que nos impulsiona a procurar retribuir tanto carinho, através das pessoas que Deus nos reservou em nossa caminhada terrena.
Quem recebeu muito amor, obteve essa moeda de valor nominal singular e inesgotável. Tornou-se rico demais e, assim, pode esbanjar à vontade a moeda do bem querer a todos quantos cruzam o seu caminho. Quanto mais gasta, ainda mais tem para oferecer. É o verdadeiro milagre de multiplicação do carinho.
Não conseguimos entender a antítese do amor que vem assustando o mundo moderno. O ódio está dominando tantas pessoas que explodem sua revolta em intermináveis e graves conflitos.
Ainda ontem causou consternação mundial a chacina praticada pelo jovem norteamericano, no recinto sagrado de uma escola. Ali matou, covarde e friamente, 20 crianças e 06 adultos. Que absurdo! 
Parece incrível, mas ainda há também povos e nações capazes de lançar bombas, mísseis e projéteis contra crianças e pessoas inocentes, causando destruição e morte! É a violência gerando violência cada vez maior, pondo em perigo a paz social e trazendo séria ameaça de nova guerra mundial.
Presenciamos, nos dias de hoje, o avanço da tecnologia e das ciências humanas, o que é importante para o progresso da humanidade. Mas a evolução parece estar restrita à matéria. Lamentavelmente, os homens e as nações buscam, cada vez mais, o poder e a posse dos bens materiais. Os valores espirituais e o respeito à natureza ficam esquecidos e postos em segundo plano.
Que a chegada do Natal, a vinda do Menino Deus, que se fez homem para nos abrir as portas do paraíso, possa despertar um novo sentido de humanidade, compreensão e amor a todos os povos da terra!
Que a paz possa reinar nos corações, através do perdão e do diálogo, assegurando melhores dias em convivência fraterna! Afinal, sendo Deus nosso Pai, somos todos irmãos!
Borda, 17/12/2012.
Gustavo Dantas de Melo

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

"A Lição Maior"

          O Natal é, sem dúvida, a época mais bela do ano. As cidades se enfeitam, se enchem de luzes. O comércio se agita. Não é somente a doce lembrança dos bons tempos de criança. Um sentimento forte nos invade. Um desejo imenso de expressar aos nossos entes queridos o amor que sentimos. Daí a vontade de mandar cartões e abraçar a todos os que amamos.
Sentimos que a vida é breve. A cada ano que passa, percebemos que não podemos perder tempo. Ainda há oportunidade de abraçar e reconhecer o quanto nos faz bem amar e ser amado. Este é o verdadeiro sentido da vida. É, por Amor, que o Aniversariante do Natal veio a este mundo. Jesus veio para nos trazer a salvação e a possibilidade de sermos verdadeiramente felizes!
Permitam-me, caros amigos, trazer-lhes esta singela crônica de minhas "Reflexões". Num momento de luz e inspiração, consegui buscar no mais recôndito do coração o significado de tão lindo acontecimento que dividiu a história da humanidade.
"Quando fiz o Cursilho de Cristandade, no Convento Santa Clara, na cidade de Taubaté/SP, em 1971, tive a sensação de que a graça inundou o meu íntimo.
Quando na palestra de “Estudo”, o dirigente leigo falou do nascimento de Jesus, na cidade palestina de Belém, destacou a realidade do acontecimento que dividiu a própria história humana, no antes e depois de Cristo. Não era assim um fato irreal, um conto de fadas, mas um fato verídico de que o filho de Deus armara sua tenda entre os homens. “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós”, como ensina a Sagrada Escritura. Inclusive, destacou o detalhe de que Jesus fora um homem de estatura elevada, conforme impressões de seu corpo deixadas no linho puro do santo sudário, relíquia que a Igreja até hoje conserva no Vaticano.
Mais do que nunca senti a importância desse acontecimento: um Deus que se fez verdadeiramente homem, simples, como qualquer um de nós. Que foi gerado no seio bendito de Maria, fazendo em tudo a experiência de humanidade, o que significa viver e conhecer os problemas humanos, exceto o pecado. Em outras palavras: um coração para bater com afeto humano, mãos para estender, apoiar e socorrer, ouvidos para escutar os pedidos, olhos para enxergar e pés para caminhar nas estradas da terra. Esses detalhes nos aproximam demais, principalmente pelo fato de que trouxe a mais estupenda revelação de que Deus, seu Pai, é também nosso Pai e, conseqüentemente, Ele, Jesus, é um nosso irmão mais velho.
Desde criança sinto a beleza da noite de Natal, despertando em todos nós os melhores sentimentos de paz, amizade e amor. Mas, a partir daquele Cursilho, pude compreender a lição maior, o gesto de bondade do filho de Deus que se fez homem para nos salvar, abrindo-nos as portas do paraíso, pois viera para trazer-nos vida e vida em abundância.
A manjedoura nos traz a lição da humildade e da simplicidade que torna vazia e fútil toda espécie de orgulho, arrogância e vaidade. É a bondade de Deus que quis nascer no meio de nós, e estar ao nosso lado, face a face, ombro a ombro, como companheiro e, sobretudo, amigo, que nos permite abraçá-lo.
O Natal é esta boa nova:
'Deus se fez verdadeiramente humano'."
Gustavo Dantas de Melo
Borda da Mata, 29 de novembro de 2.012
(Extraído do meu livro "Reflexões", ano 2001, Editora APMP, página 39).

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

"Dialogar é preciso"

          Não me canso de falar sobre a escola da vida. Muitas pessoas simples nos dão exemplos e testemunhos que nos causam grande admiração. É muito importante a educação, a formação moral do homem, o patrimônio cultural e religioso; mas não menos importante é a humildade. Principalmente o bom senso e a capacidade de reconhecer, respeitar e dar valor ao ser humano, por mais simples que ele seja. Quantas vezes atropelamos as pessoas em nossas conversas, sem paciência para escutar o que elas nos têm a dizer! E isso acontece com freqüência, mormente quando falamos com os mais humildes.
Todos precisamos aprender a dialogar, saber ouvir, respeitar, porque o outro tem também o seu recado. A idéia do outro pode ser muito melhor do que a nossa e, talvez, de grande valia para a solução dos problemas humanos. Os mais humildes nos dão grandes e preciosas lições que, tantas vezes, nos chegam a surpreender!
Já narrei, em outra oportunidade, um episódio marcante em minha própria atividade funcional. Nos idos de 1975, quando visitava o presídio da Comarca de Mogi das Cruzes, onde era presidente da Associação de Proteção e Assistência Carcerária (APAC), entrevistei um preso de alta periculosidade. Aguçava-me a curiosidade de saber a razão de sua conduta antisocial. Às minhas perguntas, foi narrando detalhes de sua vida, como o fato de não ter sequer conhecido sua mãe e seu pai verdadeiros. Fora criado por um casal, tendo perdido cedo sua mãe de criação e seu pai adotivo era homem violento e viciado no álcool, que o surrava habitualmente. Meu entrevistado era analfabeto e foi menino de rua. Não teve irmãos, nem conheceu jamais outros parentes. Enfim, praticamente não teve família, nem berço, nem amor, nem sequer a felicidade de frequentar uma escola e de ali adquirir alguns conhecimentos e se socializar no convívio de colegas, amigos e professores.
Não é preciso dizer que, sem família e sem escola, tivera uma infância sofrida e infeliz; via de consequência, tornou-se um adulto problema. Sair da cadeia para ele nada significava, porque não tinha parentes, nem amigos, nem sequer um lar para recebê-lo de regresso, após o cumprimento de sua pena. Daí me pareceu fácil entender os motivos porque acabou se tornando um marginal, explodindo a revolta que explodia em seu peito contra todos, fazendo com seus crimes vítimas inocentes. O entrevistado acabou provando para mim sábia lição filosófica e da experiência dos psicólogos e sociólogos de que “O HOMEM PRECISA MAIS DE CARINHO DO QUE PÃO”.
De fato, toda criança que recebe o carinho de seus pais e apoio de seus familiares torna-se uma pessoa equilibrada e sem dificuldades no relacionamento com os outros. Saberá amar, respeitar, e querer bem o próximo porque seus sentimentos estão em harmonia no seu íntimo. Já aquela que se torna vítima do desamor, do abandono e da violência não terá condições psicológicas para um desenvolvimento mental sadio.
O ser humano é por demais sensível. Somente será feliz se for amado, no sentido verdadeiro da palavra amor. Gostamos que os outros nos chamem pelo nome, nos respeitem e nos dêem valor. O bem querer faz bem ao ego e é um remédio eficaz capaz de amenizar a própria dor. A rejeição, o abandono e o desprezo, ferindo o amor próprio, talvez seja a causa primeira das doenças do corpo e da alma.
Agora que o Natal se aproxima, sentimentos de amor e paz povoam os nossos corações. Gostaríamos de enviar cartões para todos os amigos mais chegados e parentes. Aqueles que estão sempre juntos de nós e que temos certeza de que nos querem bem de verdade. Que bom é sentir o gosto de amar e saber que também somos amados, do jeito que somos, com nossas qualidades e defeitos! Que bom acreditar que o Aniversariante do Natal veio para perdoar e salvar!
         Que essa reflexão possa ajudar a todos nós, que somos pais e temos responsabilidades junto à comunidade, a meditar sobre as reações humanas e melhor compreender as atitudes daqueles com quem convivemos. Cada um de nós é diferente do outro, pois, a rigor, ninguém conhece ninguém tal como ele é na profundidade do seu ser. Por isso, toda pessoa humana merece respeito e compreensão. Ninguém pode condenar o outro, sem risco de estar errando, através de juízos sempre incompletos e precipitados!
Ninguém pode se considerar dono absoluto da verdade, julgar que sabe tudo e que nada mais tem a aprender. Se assim pensa, certamente, um dia acabará por receber novas e surpreendentes lições da escola da vida!
Gustavo Dantas de Melo
          Borda da Mata, 22 de novembro de 2000.
(Texto extraído de meu livro "Reflexões", Editora APMP, 2001, páginas 31/32)

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Tributo a Wilson Jóia

        Na vida somos eternos aprendizes. Do nascimento à morte, conhecemos pessoas, vivenciamos acontecimentos e experiências que, ao longo dos dias, conservamos na memória. Algumas dessas pessoas e alguns fatos, pela sua importância, foram marcantes.  Por esta razão, destes jamais nos esquecemos.
        Uma destas pessoas singulares e especiais em minha existência foi meu cunhado Wilson Jóia. Era um homem realmente diferenciado com quem mantive laços fraternais como compadre, amigo e colega. Sua memória ora reverencio, neste “Dia de Finados”, com saudade, admiração e profundo respeito.
        Guardo na lembrança a época de nossa juventude. Afilhado de meus saudosos pais, frequentava nossa casa. Era nosso particular amigo, mas principalmente do Narcy, meu irmão mais velho. Foi seu colega durante todo o curso na Faculdade de Direito de Bauru e, mais tarde, seu sócio de escritório profissional. A vida inteira cultivaram esses laços fraternos, de especial amizade. Gostavam de reunir-se, periodicamente, em São Paulo, confraternizando-se inclusive com outros companheiros dos bancos acadêmicos.
        Ainda em nossa mocidade, recordo-me do excelente esportista que foi, como “craque” do América Futebol Clube, clube rubronegro que fez história em Borda da Mata. Inclusive estou vendo, nitidamente, o “video-tape in memoriam” do golaço de cabeça que marcou contra o Rio Branco de Andradas, no antigo Estádio das Amoreiras. Foram muitas também as partidas de “vôlei” disputadas como destacado integrante de nossa seleção bordamatense, os famosos “voley-boys” desta região.
         Importante também ressaltar sua indispensável participação, nos períodos de férias, dos tradicionais “frangos no mato”, programados em recantos aprazíveis de nossa terra natal. Impossível nos esquecermos desses alegres momentos, com sabor celestial. Era a festa da amizade, confraternização de uma turma unida, sempre animada pela voz incomparável de Almir Ribeiro, meu primo cantor que nos proporcionou o privilégio desta feliz convivência.
        Em outros aspectos, os ideais que animaram nossas vidas foram em tudo bem semelhantes. Wilson ingressou no Ministério Público de Minas Gerais, no início dos anos 60, tendo sido promotor de justiça em Bueno Brandão, sucedendo meu irmão Narcy de Melo. Algum tempo depois, ingressou no Ministério Público de São Paulo. Foi, então, que, em dezembro de 1.966, exonerou-se da promotoria de Bueno Brandão, na mesma data em que, por ter sido aprovado em concurso, fui nomeado promotor de justiça daquela comarca mineira. Em fevereiro de 1.969, a exemplo de Wilson, acabei conseguindo aprovação em novo concurso e também fui nomeado promotor de justiça do Ministério Público Paulista.
        Conservo na memória sábia orientação de meu saudoso homenageado, homem estudioso e preparado para vencer os obstáculos da carreira que iríamos abraçar. Quando conversávamos a respeito das matérias e temas prováveis dos concursos, além do seu incentivo, fez-me uma observação importantíssima. Trata-se de uma frase lapidar, que vale como regra de vida:
        “Se outros conseguiram, certamente nós também vamos chegar lá!”
        Caminhamos juntos no exercício funcional e ambos chegamos à Procuradoria de Justiça. Atuamos em comarcas próximas, como na época em que passou por Lorena, estive em Cruzeiro. Mais tarde, quando veio para São Paulo, algum tempo depois fui promovido para Mogi das Cruzes. Tenho justificado orgulho de que sempre desfrutei de sua amizade e grande confiança. Por isso mesmo, com sua esposa Maria Luíza, foram escolhidos para padrinhos de meu filho varão, Luiz Gustavo.
         Tenho razões de sobra e posso testemunhar que Wilson Jóia cumpriu os deveres de sua nobre carreira, exemplarmente. Cumpre destacar, dentre tantas outras relevantes atribuições do cargo, a importância da tarefa de atendimento ao público. Trabalho árduo e cansativo, mas fundamental para prevenção de litígios com a conciliação das partes. Com certeza, por seu temperamento sereno e paciente, cumpriu com dignidade e altivez a missão que Deus lhe confiou, na sublime tarefa de lutar pelos ideais de justiça.
         No âmbito familiar, foi bem casado com Maria Luíza, de cuja união tiveram os filhos Luiz Henrique (casado com Maria Helena), Maria Consuelo (casada com Blasco) e Pedro Henrique (namorada Marcela); depois, os netos Ilca, Luíza e Henrique. A eles dispensou todo o seu carinho e dedicação de esposo, pai, avô e sogro, família bendita com quem vivenciou os seus melhores dias.
         Acometido de grave enfermidade, a partir de 2006 seu estado de saúde se agravou intensamente, até que, na manhã de 21/10/2012, veio a falecer. Infelizmente, participou e muito do calvário de Cristo, carregando sua pesada cruz, aliviado pelo carinho e desvelo da esposa, filhos, netos, familiares, amigos, enfermeiros, médicos e serviçais, incansáveis até o último momento.
         Ao longo dessa caminhada, purificada como ouro no cadinho e ungida pelo conforto das graças dos santos óleos, sua alma ascendeu às claridades eternas. Sabemos, com absoluta convicção, que a vida não termina aqui. Para nós cristãos, a morte não existe. O que tem fim é a matéria, os componentes químicos e físicos de nosso corpo; estes, com a decomposição, se transformam em pó. Mas a chama da vida jamais se acaba. O espírito, fonte da vida e do amor, é imortal. Por isso, como filhos de Deus, após nossa passagem final, continuamos existindo na morada que o Pai preparou para todos nós desde todo o sempre. E mais ainda: conheceremos o sentido pleno da vida, sem perdermos nossa identidade. Esta é a nossa maior esperança!
        Não é porque tenhamos méritos que isso acontece, porém simplesmente porque temos um Pai que nos ama com um amor todo especial.
        Como é bom ter confiança e esta plena certeza de que tudo terminará bem e que Alguém nos espera, de mãos estendidas, para o abraço infinito!
          Adeus, prezado compadre! Até breve!
          Borda da Mata, 02 de novembro de 2012.
          Gustavo Dantas de Melo

terça-feira, 30 de outubro de 2012

"Hierarquia de Valores"

         Os homens buscam, incessantemente, a felicidade. Nesse afã, procuram os meios que julgam capazes de lhes proporcionar uma existência confortável, segura e feliz. Via de regra, os bens que a sociedade aponta como pistas da felicidade são: poder, dinheiro, fama, beleza, conforto e conhecimento. Daí cada um, segundo sua própria realidade existencial, vai formando a sua seleção, ou “hierarquia de valores”. Percebemos que algumas coisas são importantes e indispensáveis; outras, menos importantes, dispensáveis e outras até mesmo desnecessárias. Descobrimos o que é, de fato, essencial e o que fica em plano secundário.
A esta altura da vida, estou convicto da minha escala de valores: Deus, família, saúde, amor, amizade, trabalho, conhecimento, dinheiro, poder, etc... É lógico que esta não é uma tarefa fácil. É uma descoberta que não surge da noite para o dia. Somente à medida que os anos passam, vamos acumulando experiências nos diversos setores de atividades. Idealizamos metas e nos empenhamos na conquista de vários objetivos, com a orientação dos pais, mestres, amigos e sacerdotes. Tudo o que vamos conseguindo, sabemos que nos exige muito empenho, esforço e dedicação. E também o que não conseguimos, os tropeços e frustrações não são inúteis, pois passam a valer para todos nós como um rico aprendizado.
Nessa extraordinária escola da vida, aprendemos que as coisas materiais são necessárias, mas não as mais importantes. Como meros administradores dos bens materiais conseguidos, não os levaremos daqui. Ademais, são eles vazios de qualquer sentimento. Somente as pessoas são capazes de amar e de nos dar alegrias. Descobrimos, principalmente, que Deus é o maior bem, o objetivo primordial e permanente.
Sem dúvida, o eterno ocupa o primeiro lugar da escala de valores, porque é o bem que nos acompanha e perdura para sempre. Pressupõe, é claro, a certeza da fé. A confiança na revelação trazida por Jesus de que a vida não termina aqui. A convicção de que a morte, para nós cristãos, é realmente uma piada. O que acaba é a matéria, os componentes químicos e físicos de nosso corpo, que, com a decomposição, se transformam em pó. Mas a chama da vida, o espírito, o que nos faz pensar e amar, o motor, este é imortal e, por isso, como filhos, após a morte continuamos existindo na morada que o Pai já preparou para nós desde todo o sempre. Não é porque tenhamos méritos que isso acontece, porém simplesmente porque Ele nos ama com um amor todo especial de um Pai sem defeitos.
Todo pai deseja o melhor para seus filhos. Se necessário, seria capaz de lhes dar a vida, quantas tivesse. É o amor maior, capaz de renunciar-se a si mesmo. Ora, se nós que somos mortais, nutrimos esse sentimento tão forte, que nos dá força capaz até de atos de heroísmo, quanto mais se poderá esperar daquele Pai, que é o Senhor do tempo e da vida. Dele podemos esperar sempre o melhor, a bondade, a misericórdia, a segurança e a salvação, com muito mais carinho e compreensão do que somos capazes de dispensar e transmitir aos nossos filhos.
Por isso tudo, com certeza o maior bem da hierarquia de valores, o bem supremo é Deus, em quem depositamos toda a nossa esperança. Nosso projeto existencial, via de regra fixado em 80 (oitenta) anos, é um nada, se comparado aos milênios da eternidade.
Gosto muito daquela filosofia de nossos irmãos de estrada, os caminhoneiros que levam essa linda mensagem em seus veículos:
Não sou dono do mundo, mas sou filho do Dono”.
Essa filiação, de fato, é motivo de alegria e honra para todos. Como filhos temos direito à herança.
Tenho realmente pena daqueles que não têm fé. E maior pena ainda dos orgulhosos, daqueles que descartam Deus, por se julgarem auto-suficientes. Estes sofrem muito, sem perspectivas de um futuro de paz e felicidade plena. Na vida tudo passa. O tempo corre celeremente e, de repente, nos damos conta de que estamos mais pra lá do que pra cá e, como diz a canção, “está chegando a hora!”.
Como é bom ter confiança e certeza de que tudo terminará bem e que alguém nos espera, de mãos estendidas, para o abraço infinito! ..."
Gustavo Dantas de Melo
          Borda da Mata, 30 de outubro de 2012.
(Extraído de meu livro "Reflexões", Editora APMP, ano 2001, págs. 15/16).