Introdução

Seja bem-vindo a este “blog”!

O meu objetivo é o de colaborar para a construção de um mundo melhor. Com este intento, pretendo que este espaço seja recheado de pensamentos, poemas, poesias, quadras e textos de minha autoria e de autores diversos.

Espero que a leitura das matérias aqui publicadas lhe tragam descontração e prazer.

Meus dados biográficos:

Gustavo Dantas de Melo, natural de Borda da Mata/MG. Sou filho dos saudosos Agenor de Melo e Maria Dantas de Melo. Casei-me com Maria Jóia de Melo, filha do comerciante Luiz Jóia Orlandi e Maria Delfino Jóia, donos do antigo “Bar do Ponto”, que serviu como o primeiro terminal rodoviário de Borda da Mata. São nossos filhos: Regina Maria (namorado Rafael), Luiz Gustavo (casado com Adriana), Rosana Maria (casada com Darnei) e Renata. Netos, por ordem de chegada: Gabriel, Mariana, Gustavo, Ana Júlia, João Vítor e Ana Luíza.

Advogado, professor secundário e universitário. Promotor de Justiça dos Estados de Minas Gerais e de São Paulo, tendo sido titular das Comarcas de Bueno Brandão/MG, São Luiz do Paraitinga, Cruzeiro, Mogi das Cruzes e São Paulo. Encerrei a carreira ministerial como Procurador de Justiça de São Paulo/SP. Atualmente, exerço a advocacia em Borda da Mata, minha cidade natal e na região do Sul de Minas Gerais.

Autor da obra “Reflexões”, editada pela APMP, em 2001, uma coletânea selecionada de artigos publicados durante o período em que fui diretor chefe do jornal “A Cidade” de Borda da Mata. Em 2009, trouxe à lume minhas “Farpas do Coração”, um livro de memórias, em que registro fatos vivenciados em quase meio século de vida familiar, social e profissional. Ao mesmo tempo, revelo personagens e acontecimentos pitorescos da querida cidade natal, transmitindo, sobretudo, minha experiência ministerial e vivência na cátedra do magistério universitário, ao abordar temas políticos e jurídicos de manifesto interesse nacional.



quinta-feira, 7 de junho de 2012

"Livres e Acorrentados"


A prisão não é exclusividade dos ladrões e assassinos, que vêem o sol nascer quadrado. Lá dentro desses depósitos de gente em que se transformaram tantas cadeias, pela falência do sistema carcerário do país, podem, excepcionalmente, estar fechados homens verdadeiramente livres. Outros tantos aparentemente libertos e que transitam pelas ruas de nossas cidades, na realidade podem se sentir presos. Eles estão por aí, à solta, em todos os lugares e cidades, em constante busca e sedentos de realização, sem descobrir, contudo, o valor das coisas que o rodeiam.
Cada dia que passa traz-nos em seu bojo novas experiências. Da infância à juventude, da idade adulta à maturidade dos cinqüenta, até chegar a fase de sabedoria e prudência dos idosos vão se acumulando as vivências que nos proporcionam rico aprendizado. O trato com as pessoas na família, no trabalho, na comunidade, nos faz crescer e descobrir, pouco a pouco, o sentido de tudo. Percebemos como tantos estão apegados às coisas materiais, acorrentados a falsos valores como se fosse possível levar na urna mortuária os bens acumulados e que um dia vão deixar, irremediavelmente. É pena, mas muitos perdem mil oportunidades de fazerem o bem, de se libertarem dessas amarras, mas não têm coragem suficiente para uma decisão definitiva. São os denominados “unhas de fome”.
Por outro lado, outros são totalmente desapegados e libertos dos bens materiais, de que se utilizam em suas necessidades, sem transformá-los em deuses. Outros valores como família, amizade, convivência, comunidade, honra e solidariedade são para estes mais importantes. Não se fecham em si mesmos, mas estão sempre abertos às necessidades dos outros, à compreensão, aos problemas dos seus familiares, amigos e aos interesses superiores da comunidade em que convivem e trabalham. Felizmente, os encontramos muitos em todas as camadas da população de nossas comunidades e, de olhos abertos, os identificamos facilmente, no dia a dia.
Que espécie de pessoas somos? Em que lado nos colocamos? Somos homens livres ou prisioneiros?
A resposta cada um a encontra nos escaninhos da sua consciência, onde o espera um juiz severo e implacável.
Podemos enganar os outros, mas jamais conseguiremos fugir ao tribunal da própria consciência. Desta ninguém escapa.
Borda da Mata, 07 de junho de 2.012
Gustavo Dantas de Melo
(Crônica do meu livro "Reflexões", 2.001, Editora APMP, São Paulo, págs. 89/90).

sexta-feira, 25 de maio de 2012

"Cordeiros ou Lobos?"

      A verdade é algo que buscamos em nossas vidas e somente nos contentamos com ela. O homem tem sede de conhecimentos. Deseja descobrir o porquê de todas as coisas e até mesmo o sentido da sua própria existência. Por isso, desde pequenos, queremos respostas para as nossas dúvidas e questionamentos. Somente a verdade nos satisfaz plenamente.
     Não gostamos de ser enganados. Apreciamos a sinceridade e a lealdade. Preferimos um “não” sincero a um “sim” com falsidade.
     Muitas vezes, porém, percebemos o perigo dos falsos relacionamentos humanos. Quantas pessoas tidas como corretas, no fundo descobrimos tratar-se de “lobos” travestidos de “cordeiros”. No seu “eu vitrine”, exibido às pessoas na vida social, mantêm aparência de “cordeiros”, mas o seu “eu real” esconde a identidade de “lobos vorazes.” Tipos como estes, falsos e dissimulados, andam por aí, distribuindo sorrisos enganadores a todos nós. Chegam a desfrutar de bom conceito social e alguns até ousam frequentar igrejas. Sabem enganar e disfarçar. Falam mansamente, dispensam-nos tratamento cordial, aparentando refinada educação.
     Mas, pelas costas, nos atacam covardemente. São vingativos, egoístas e desonestos. Somente enxergam os próprios interesses, adoradores do “deus cifrão” ($). Verdadeiros “sepulcros caiados, raça de víboras”, na linguagem evangélica usada pelo Divino Mestre, Jesus, referindo-se a esta espécie de fariseus e hipócritas!
    Na convivência social, todos os dias aprendemos muito e nos surpreendemos com fatos e notícias que nos causam perplexidade. O ser humano é imperfeito e falível e nos surpreende. De repente, quando menos se espera, nos decepciona com certas atitudes espantosas. Deixa cair a máscara e a realidade se manifesta nitidamente. Alguns pouco importam com sentimentos e desprezam laços familiares ou de amizade, quando se está em jogo o interesse financeiro que lhes fala mais alto. Tudo o mais fica em plano absolutamente secundário...
     Por este motivo, a escola da vida nos ensina uma grande verdade: Feliz aquele que entrega a Deus dúvidas, problemas e preocupações de sua existência! Somente o Senhor jamais nos decepciona e nos engana, pois ELE É A VERDADE, como revelou a seus discípulos.
     Nele também desfrutamos da paz que tanto queremos. “Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz e não vô-la dou como a dá o mundo!”
    Os homens públicos, como os fariseus, também nos causam grandes decepções. Não bastasse a corrupção e podridão moral da classe política, ainda os governantes dos Países mais poderosos do mundo, a pretexto de assegurarem a paz, se armam com unhas e dentes. Criam artefatos nucleares de guerra, bombas atômicas, mísseis e armas mortíferas capazes de provocar a autodestruição da humanidade.
     Assim, percebemos que a paz do mundo também é falsa, pairando no ar o perigo e séria ameaça de destruição total. Estes riscos de guerra e morte nos trazem fundada inquietação, tornando cinzentas as núvens desta “paz armada”. Já a Paz do Senhor é perfeita, conforto para as almas. Os caminhos do Senhor são seguros e trazem alegria aos corações. Os seus preceitos nos indicam a fonte em que jorra a “água viva” do bem e da verdadeira paz!
     Borda da Mata, 25 de maio de 2012.
     Gustavo Dantas de Melo

sexta-feira, 18 de maio de 2012

"O caminho da realização pessoal"


      Há vários anos, o trabalho de formação de adolescentes vem fazendo parte de minha vida. Neste mês, estou coordenando o 22º Curso de Formação da Guarda Mirim Irmã Martha, entidade de que sou um dos diretores, desde 07 de março de 1.990.
     Hoje, seguindo o objetivo da existência deste “blog”, tenho o prazer de publicar matéria que retrata bem a importância do “Projeto Construir Vidas” desenvolvido, anualmente, pela benemérita instituição:
Estava o filósofo Diógenes jantando lentilhas, quando o viu o filósofo Aristipo, que vivia confortavelmente a adular o rei. E lhe disse Aristipo:
- Se aprendesses a ser submisso ao rei, não terias que comer esse lixo de lentilhas.
Ao que Diógenes replicou:
- Se tivesses tu aprendido a comer lentilhas, não terias que adular o rei” (Anthony de Mello).

     A lição transmitida no diálogo de Diógenes e Aristipo é muito rica e está em perfeita sintonia com o sonho da juventude: “ser independente”. Dirigir a própria vida, escolher a sua profissão e encontrar alguém com quem possa dividir os seus sonhos, os anseios de realização e de felicidade, constituindo uma verdadeira família.
     A passividade de Aristipo, a sua acomodação a uma situação confortável, preferindo comer caviar e filé “mignon” à custa de adulações ao rei, retrata a personalidade dos fracos e submissos. Mas os jovens, a exemplo de Diógenes, preferem comer lentilhas e trilhar caminhos ainda que de pedras e espinhos, em busca da realização dos seus ideais. Não gostam de bajulação, falsidade e vida medíocre. Preferem a verdade e a autenticidade, na certeza de que:
     “Só vale a pena viver quem tem um ideal pelo qual vale a pena morrer”.
     Prezados jovens, a realização pessoal na vida nunca acontece por acaso. Vejam o exemplo dos grandes cientistas e dos campeões. Vital Brasil, natural de Campanha - MG, moço pobre, quando prestou vestibular em Medicina no Rio de Janeiro, ouviu de um “gaiato” que “pobre não poderia estudar Medicina”. Em resposta àquela provocação, com muito esforço conseguiu ingressar na faculdade e terminar o curso. Tornou-se médico e cientista de renome internacional, o criador do soro antiofídico que deveria salvar inúmeras vidas em todo o mundo. Conhecido e respeitado como autêntico benfeitor da humanidade.
     Também “não se fazem campeões da noite para o dia”. É necessário um trabalho constante de aprendizado, exercícios diários por anos a fio, muita dedicação e esforço para se alcançar o preparo físico e a capacidade técnica exigidos para galgar o “podium” da vitória.
     Planejem sua vida, segundo prioridades bem escolhidas, preparando hoje o seu futuro. Gastem com inteligência as 24 horas do dia! Já disse alguém que “ter tempo é questão de preferência”. Assim, façam um investimento no tempo de suas vidas, porque ele está passando e não tem volta. Definam suas prioridades, segundo uma escala de valores importantes e essenciais para a realização pessoal e se ocupem em plantar agora para colher amanhã os frutos do esforço pessoal de cada um.
     Vocês que sonham ser profissionais competentes e respeitados, comecem desde agora a dirigir as suas forças, empregar o seu tempo e as suas energias para a concretização dos seus objetivos. Tudo é possível para quem é sincero e, com boa vontade, procura trilhar os caminhos do bem!
     Tenham muito cuidado, porque em sua trajetória certamente encontrarão obstáculos. Muitas vezes, alguns desejarão desviá-los dos rumos traçados, talvez até por inveja da sua disposição de luta e empenho na realização do seu ideal. Os Aristipos da vida estão por aí, frustrados e incompetentes. Sentem ciúmes doentios daqueles que como Diógenes sabem superar as dificuldades ao longo do caminho.
     Sucesso e felicidades!
     Borda da Mata, 18 de maio de 2.012.
     Gustavo Dantas de Melo

sábado, 5 de maio de 2012

"Não Julgueis"



As aparências enganam. É da experiência cotidiana que, muitas vezes, fazemos juízos precipitados em relação a fatos e pessoas. Mais tarde, descobrindo nosso equívoco, nos arrependemos.
Psicólogos nos ensinam que o ser humano é uma verdadeira incógnita. O mistério se agiganta, quando alguém afirmou que possuímos três “egos”. Um primeiro “Eu” que conhecemos e temos consciência de quem somos, sabendo de nossas forças e potencialidades, mas também de nossas fraquezas e fragilidades. Um segundo “Eu” de mera aparência com que nos apresentamos na sociedade. É denominado “Eu vitrine”, de exibição, que quase sempre não coincide com o primeiro. Por último, um terceiro “Eu”, profundo, mas real, que ainda desconhecemos e que só Deus conhece em Sua Onisciência. Talvez, daí o sábio conselho de Sócrates: “Conheça-te a ti mesmo”, como regra fundamental.
Alheios a tais ensinamentos, alguns mal conhecem alguém e já ousam emitir uma opinião a seu respeito. Outros acostumados a levar vantagem em tudo, julgam por si próprios: pensam mal daqueles que, graciosa e desinteressadamente se colocam a serviço dos outros. Não faltam ainda aqueles que, por leviandade e irresponsabilidade, estão habituados a falar da vida alheia. Têm a língua solta. Não perdoam ninguém. Sua imaginação é fértil. Basta ver alguém do sexo masculino conversando com uma mulher, para concluir, imediatamente, que está “passando a conversa” na mesma. Se presenciam um abraço ou um beijo respeitoso, então, interpretam-no como ato de libidinagem.
Entretanto, com a Sabedoria que lhe era inata, durante o tempo em que esteve conosco, Jesus ensinava:
Não julgueis para não serdes julgados, porque com o juízo com que julgardes, sereis julgados e com a medida com que medirdes, ser-vos-á medido”. “Como vedes a palha no olho de vosso irmão e não vedes a trave do vosso?”... (Mt,7,1-3).
Para ilustrar esta reflexão, invoco o testemunho maravilhoso dado pelo Padre Pedro Lopes, em certa ocasião, no Convento Santa Clara da cidade de Taubaté/SP, onde exercia o seu sacerdócio.
Trafegava ele com seu “fusca”, pela Via Dutra, quando sua atenção voltou-se para um quadro sinistro. Grave acidente ocorrera e o corpo de uma moça se achava estirado no acostamento. Pe. Pedro imediatamente parou o seu veículo. Acostumado a levar, na sua bolsa de viagem, o necessário para a unção dos enfermos, houve por bem confortar aquela jovem com a benção sacramental.
Mal terminava sua nobre missão, um curioso, dentre outros que estavam por ali, o abordou, indagando-lhe: “Padre, o senhor não reparou que a mulher acabara de morrer? Sabe quem era ela?” E foi logo respondendo:
Era uma dessas rameiras, mariposas de beira de estrada, a suplicar carona aos caminhoneiros que por aqui passam. Adianta alguma coisa essa “oração”?”
Com sua calma e santidade, o sacerdote aproveitou a oportunidade para dar àquele julgador implacável a merecida lição:
Meu caro, quem sou eu para julgar a minha irmã. Dei-lhe a unção sacramental e a absolvição condicional de suas faltas. A misericórdia de Deus é infinita. Quem sabe essa infeliz teve um lampejo de invocar o perdão a Jesus, no momento extremo. Lembra-se de São Dimas, o “bom ladrão”? Arrependeu-se à última hora e, num relance, alcançou o perdão total:
“Hoje mesmo estarás comigo no paraíso...”
Ademais, só Deus conhece os verdadeiros motivos pelos quais essa jovem chegou à prostituição, entregando-se a uma vida de extrema humilhação. Só a Ele caberá julgá-la”...
Borda da Mata, 5 de maio de 2.012.
Gustavo Dantas de Melo
( Crônica de meu livro “Reflexões”, editora APMP, ano 2.001, págs. 19/20, publicado anteriormente no Jornal A Cidade, em 13/09/95)

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Patrimônio Que Vale A Pena



Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração” (Mateus 6, 20-21).

     “Se eu pudesse subir aos lugares mais altos de Atenas eu ergueria minha voz e proclamaria: concidadãos, por que vocês estão preocupados em acumular riquezas e se importam tão pouco com as admoestações daquele pelo qual terão, um dia, que renunciar a tudo isso?” (Sócrates)

     Por que nossa alma anda tão preocupada com coisas perecíveis? Por que estamos tão ansiosos por riquezas que logo terão de ser deixadas nesse mundo? Por que julgamos que nossa felicidade depende de algo tão passageiro?

     A nossa vida aqui neste mundo é muito pequena. Muito maior será a eternidade que em breve deveremos encarar. E o que temos preparado para isso? Que riquezas estamos acumulando para a vida com Deus?

     Felizes, desde agora, são aqueles que se preocupam muito mais com a vida no porvir. São os que confiam em Deus e deixam o Senhor tomar conta de seus corações. São aqueles que compreendem que a salvação eterna é muito mais valiosa que todo o ouro deste mundo. São aqueles que crêem que as moradas celestiais serão mais prazerosas que qualquer casa na praia ou no campo. São aqueles que aprenderam a amar, a ter esperança e fé. São aqueles que compreenderam que sem Cristo nada podem fazer.

     Muito pobres são aqueles que, julgando serem ricos, passam por cima de tudo e de todos para adquirir fortuna. Ignoram o próximo, mostram-se insensíveis às necessidades do irmão, enganam e fraudam, crêem que tudo é válido quando o propósito é “aumentar o patrimônio”. Como estão enganados!

     Temos visto todo tipo de escândalo na televisão e na internet. Pessoas querendo tudo... e querendo ter mais que o próprio tudo! Na verdade, nada têm e nada terão. “De que adianta eu ganhar o mundo inteiro e perder a minha alma?De que me servirão todos esses tesouros se, no dia em que estiver diante de Deus Todo Poderoso, nada levaremos a não ser tudo aquilo que oferecemos aqui neste mundo?

     Em que patrimônio você tem investido?

Autoria de Pr. Paulo Roberto Barbosa, Colaboração do Reverendo Pastor Benedito Amaro, pastor da Igreja Presbiteriana Independente de Borda da Mata/MG. (Publicado no “Jornal A Cidade”, edição 211, de 15/04/2012, página 2).

quarta-feira, 18 de abril de 2012

"Anjos e demônios"

          Quando editei meu livro "Reflexões", em 2001, recebi várias cartas de amigos leitores. Um deles me confidenciou ter apreciado muito a crônica que ora reproduzo neste "blog". É sempre gratificante constatar que nosso trabalho foi bem aceito e valorizado. 
          Espero que vocês também possam perceber que procurei externar a pura realidade existencial de homens e mulheres, que, por sua índole, estão sujeitos a comportamentos diversos, ao sabor dos acontecimentos do seu dia a dia. Daí, o título por mim escolhido: "Anjos e demônios". 
"Conhecemos pessoas de temperamento calmo, serenas e que dificilmente se irritam. Lembram as águas plácidas de um lago. Contornam as dificuldades e problemas do dia a dia com uma paciência de fazer inveja a Jó. Algumas chegam ao patamar dos anjos.
Outras, porém, são elétricas, de estopim curto, como se diz. Não levam desaforo para casa. Cospem fogo. Lembram as águas agitadas de um mar revolto e tempestuoso. São como demônios. Se alguém lhes pisa no calo, não deixam barato, reagem imediatamente. Nenhuma desatenção, muito menos provocação ou ofensa, fica sem resposta.
As primeiras muitas vezes preferem sofrer caladas, a responder aos insultos ou magoar alguém. Tolerantes ao extremo, recalcam aborrecimentos que vão se acumulando e acabam trazendo abalos à própria saúde. Já as segundas, podem se envolver em sérios conflitos, ou morrer assassinadas, mas estão livres das crises cardíacas.
Entretanto, toda regra tem exceção. Diabo também já foi anjo. O manso também tem os seus dias de fera. Neste mundo de Deus, não há quem não tenha algum dia perdido o autocontrole, ou seja incapaz de perdê-lo. Não há quem não tenha agido impensadamente, sob o domínio de uma emoção profunda, que explode forte como a avalanche das águas de uma represa estourada.
O homem é um ser falível e extremamente limitado. Suas reações são muitas vezes imprevisíveis. Como ser humano está sujeito a erros. Se possui virtudes e qualidades, bem sabemos que os defeitos e imperfeições o castigam e o atormentam, constantemente. Por isso mesmo, ninguém poderá afirmar: “desta água não beberei”, porque logo amanhã corre o risco de fazê-lo a ponto de se afogar.
Quem se julga infalível e dono da verdade se engana. Prepare-se, pois vai se dar mal e ser pilhado em flagrante contradição. Julgamos apenas aparências. Com certeza, ninguém conhece ninguém, pois nem sequer nos conhecemos a nós mesmos. Sabemos que só Deus nos conhece como somos em profundidade. E quem sabe algum dia poderemos chegar ao conhecimento próprio, tal qual somos na realidade. Talvez na eternidade!
Enquanto esse dia não chega, permaneçamos em estado de alerta. Todo cuidado é pouco. Muita humildade para reconhecermos sempre a possibilidade de erro e grande disposição para o perdão, porque do contrário estaremos assinando a nossa própria sentença condenatória."
(Reflexões, ano 2001, edições APMP, págs. 85/86).
Borda da Mata,  18 de abril  de 2012.
Gustavo Dantas de Melo

terça-feira, 3 de abril de 2012

"Os pequenos grandes gestos"

          O ser humano sonha muitas vezes em ser protagonista de um grande feito, quem sabe a prática de um ato de heroísmo, a realização de uma obra fantástica que lhe traga o sabor da realização pessoal. É lógico que tais projetos são válidos, desde que não se tornem uma obsessão.
Contudo, mais válido ainda é viver a realidade do que está facilmente ao nosso alcance. Afinal, a nossa vida é feita de pequenas ações, no dia a dia, mas que podem conseguir um grande objetivo. Por essa razão, todas as vezes que sou convocado a falar sobre “família”, não me canso em alertar, principalmente, sobre o valor dos pequenos grandes gestos no convívio familiar, tema escolhido para esta reflexão.
A felicidade e a realização pessoal que tanto buscamos, não são conquistadas com a fama e a posse de coisas materiais. Se assim fosse, Elvis Presley e Marylin Monroe, não teriam terminado tragicamente suas vidas com o suicídio. Elvis tinha tudo o que queria, várias mansões e dezenas de carros do último tipo. Marylin, símbolo sexual, linda, rica e famosa atriz, brilhava nas telas do cinema.
A felicidade, porém, como sabemos, não está no poder, no dinheiro, na beleza, por ser um estado de espírito, algo que se sente dentro do coração. Consiste simplesmente em amar e ser amado. Os psicólogos afirmam que o homem necessita mais de carinho do que pão. E o amor é constituído de pequenos grandes gestos e atenções, em razão do “querer bem” o outro.
Nesse particular, a melhor escola do amor é a família. É nela que temos a alegria de ser útil aos que amamos, de várias formas e maneiras. Ser pai (avô) e ser mãe (avó) é descobrir o sentido da vida. É ver no rosto dos filhos (as), depois dos netos (as), que nascem alguns dos traços da gente e, assim, sentir-se eternizando.
Acredito que dificilmente alguém poderá ser feliz sem família. Os presídios estão cheios de pessoas revoltadas e marginalizadas, porque lhes faltaram os fundamentos do amor familiar. Através dos crimes praticados, explodem em vítimas inocentes o ódio e a revolta que trazem em seu coração amargurado.
Quem não se recorda do colo aconchegante de sua mãe, daquela (e) que, a seu lado, vigilante, o (a) assistiu na doença, nas dificuldades e derrotas, da mão que afaga, do carinho dos filhos, da palavra de apoio e incentivo? Quem não gostaria de morrer, tendo ao seu lado a esposa, ou a (o) filha (o), segurando-lhe a mão ou enxugando-lhe as derradeiras lágrimas?
Quanto vale o trabalho de uma cozinheira, lavadeira, passadeira, costureira e faxineira? Evidentemente, tais serviços são valiosos e importantes na família e, dependendo das condições econômicas do casal, são tarefas que, antigamente, eram realizadas pelas mães. Os pais trabalhavam, via de regra, fora do âmbito familiar, porque a mulher ainda não competia no mercado de trabalho, como acontece modernamente.
Sem dúvida, na vida em família, que constitui uma sociedade, todos usufruem do trabalho de seus membros. Pai, mãe, filhos, irmãos, avós, netos, unidos pelos laços de sangue e de amor, têm inúmeras oportunidades de sentir a alegria de servir. Cada qual, sem egoísmo, deverá exercer sua missão, insubstituível, colaborando para o bem-estar e o sucesso de todos. É importante que cada um se conscientize de seus deveres e cumpra o seu papel, sem discriminações, de acordo com as possibilidades de cada família. O diálogo é indispensável para se entender as necessidades de seus membros e buscar as soluções que atendam os interesses de todos.
No saguão do prédio do Ministério Público de São Paulo, vê-se erguido um busto em memória de César Salgado, notável Promotor de Justiça, onde se lê a seguinte inscrição:
Ministério Público, o zelo de tua causa me consumiu!
Oxalá, possamos dedicar nossas vidas, principalmente aos familiares, de tal modo que, ao final da caminhada, possamos partir alegres de nos termos deixado consumir por tão nobre causa!
Borda da Mata, 03 de abril de 2012.
Gustavo Dantas de Melo
(Do meu livro "Reflexões", Edições APMP-2001- págs. 57/58)